População feminina supera masculina na região de Marília

A região administrativa (RA) de Marília acompanha uma transformação demográfica observada em todo o Estado de São Paulo: as mulheres passaram a ser maioria na população. O movimento, impulsionado principalmente pelo aumento da expectativa de vida feminina, foi identificado em estudo divulgado pela Fundação Seade. Uma análise histórica mostra que a região saiu de uma situação de praticamente equilíbrio para registrar 105,9 mulheres para cada 100 homens em 2024.
Os dados indicam que, em 1991, a região de Marília apresentava quase paridade entre os sexos, com 100,8 mulheres para cada 100 homens. Naquele ano, apenas a Região Metropolitana de São Paulo (104,9) e a Região Administrativa de Santos (104,2) registravam predominância feminina consolidada.
A RA de Marília, assim como as regiões de Araçatuba, Bauru e Ribeirão Preto, exibia índices próximos do equilíbrio. No extremo oposto, as regiões administrativas de Registro (95,1) e Itapeva (97,0) apresentavam os menores indicadores, evidenciando predominância masculina naquele período.
Passadas mais de três décadas, o cenário mudou significativamente. Em 2024, todas as regiões administrativas paulistas passaram a registrar mais mulheres do que homens, incluindo Marília. A tendência acompanha o comportamento observado em todo o Estado, onde as mulheres representam 51% da população — cerca de 23,2 milhões de pessoas — enquanto os homens correspondem a 49%.
Para dimensionar o cenário estadual, as regiões com predominância feminina mais acentuada em 2024 são a Região Administrativa de Santos, que lidera o índice com 111,1 mulheres para cada 100 homens, e a Região Metropolitana de São Paulo, com 111,0.
Segundo a análise histórica da Fundação Seade, essa inversão ocorreu de forma gradual. Entre 1940 e 1970, a população masculina predominava no Estado. O equilíbrio entre os sexos foi alcançado no Censo de 1980, quando a proporção atingiu praticamente a paridade, e desde então a participação feminina vem crescendo de forma contínua.
A mudança observada em Marília e em todo o Estado está diretamente relacionada à maior longevidade feminina. A dinâmica demográfica apresenta diferenças significativas conforme a faixa etária.
Entre os menores de 15 anos, historicamente há menos mulheres devido ao maior número de nascimentos masculinos. No entanto, na faixa de 15 a 59 anos, as mulheres passaram a superar os homens numericamente desde 1991. Nas idades mais avançadas, essa diferença se amplia em razão da menor mortalidade feminina ao longo da vida.
O fenômeno é ainda mais evidente entre os idosos. No Estado de São Paulo, a população com 60 anos ou mais registra predominância feminina desde a década de 1970. Em 2024, a relação chegou a 132,5 mulheres para cada 100 homens nessa faixa etária, reflexo direto do envelhecimento populacional e do aumento da expectativa de vida das paulistas.
Para especialistas, a mudança no perfil demográfico exige atenção do poder público, especialmente em áreas como saúde, assistência social e políticas voltadas ao envelhecimento da população. A tendência também reflete transformações sociais observadas nas últimas décadas, como a redução da fecundidade e o aumento da longevidade.