Júri de ex-PM acusado de matar jovem em rodeio é remarcado para dezembro

O julgamento do ex-policial militar Moroni Siqueira Rosa, acusado de matar o técnico agrícola Hamilton Olímpio Ribeiro Júnior, de 29 anos, durante o Marília Rodeo Music, foi remarcado pela Justiça para 1º de dezembro deste ano.
A decisão foi publicada nesta segunda-feira (8) pela juíza Josiane Patrícia Cabrini Martins Machado, da 1ª Vara Criminal de Marília, que também manteve a prisão preventiva do réu.
O júri popular havia sido inicialmente marcado para 5 de maio, mas foi cancelado após a renúncia da defesa às vésperas da sessão. Uma nova banca de advogados assumiu o caso e o julgamento foi redesignado para as 9h30, no Fórum de Marília.

Na mesma decisão, a magistrada revisou a situação processual do acusado, conforme determina o Código de Processo Penal, e concluiu que permanecem presentes os requisitos para a manutenção da prisão cautelar. Segundo o despacho, “não houve alteração fática ou jurídica capaz de autorizar a soltura do réu.”
Moroni está preso desde a madrugada de 31 de agosto de 2024, quando foi autuado em flagrante pelos disparos efetuados durante a festa realizada no distrito de Lácio.
Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva. O então soldado da Polícia Militar foi demitido da corporação após a conclusão do processo administrativo disciplinar.
Crime durante show
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o homicídio ocorreu por volta das 1h45, durante o show da cantora Lauana Prado, em meio ao público. Hamilton acompanhava a apresentação ao lado da companheira quando se envolveu em uma discussão com Moroni, que estava de folga e acompanhado da esposa e da filha adolescente.

As investigações apontaram que o desentendimento teria começado após um esbarrão. Testemunhas relataram uma breve troca de agressões e, na sequência, o policial sacou uma pistola Glock calibre .40 pertencente à corporação e efetuou diversos disparos.
Hamilton foi atingido, inclusive pelas costas, e morreu no local. Outras duas pessoas que participavam do evento ficaram feridas e sobreviveram.
Homicídio qualificado e duas tentativas
O ex-PM responde por homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de meio que resultou em perigo comum. Ele também é acusado de duas tentativas de homicídio, já que outros dois frequentadores do evento foram atingidos pelos disparos.
Após a repercussão do crime, Moroni sofreu uma tentativa de linchamento e precisou ser encaminhado ao Hospital das Clínicas de Marília antes de ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, onde permanece custodiado.
No Tribunal do Júri, sete jurados serão responsáveis por decidir se o acusado deve ser condenado ou absolvido das acusações apresentadas pelo Ministério Público.