‘Não há previsão de câmeras corporais para Marília’, diz novo comandante do 9º BPMI

O tenente-coronel André Luiz Collado assumiu recentemente o comando do 9º Batalhão de Polícia Militar do Interior (9º BPMI) na região de Marília, trazendo na bagagem não apenas a experiência de quase três décadas na corporação, mas também profundo conhecimento da realidade local.
Com trajetória iniciada como soldado em Marília, passagem pelo comando em cidades como Pompeia, Tupã e Ourinhos, o oficial retorna à cidade com a missão de reforçar a segurança e ampliar a sensação de tranquilidade da população.
Na Entrevista da Semana para o Marília Notícia, Collado falou sobre os desafios de comandar uma área extensa, que abrange 25 municípios, comentou a redução dos índices de criminalidade e destacou o papel da tecnologia no fortalecimento do policiamento ostensivo.

Entre os avanços, ele apontou o aumento da produtividade operacional e a utilização de ferramentas que ajudam a inibir crimes, especialmente roubos e furtos.
O comandante também abordou o planejamento para grandes eventos, como o Japan Fest, que neste ano contará com câmeras de reconhecimento facial integradas ao sistema Muralha Paulista, além de reforçar que sua principal meta é manter a segurança pública em níveis controlados e garantir maior presença da Polícia Militar nas ruas.
***
MN – O senhor tem uma longa história com a Polícia Militar e com a cidade de Marília. Como é assumir o comando de uma região que o senhor já conhece tão bem?
André Luiz Collado – É uma satisfação iniciar e encerrar minha carreira aqui. Eu prestei o concurso para soldado em 1996, aqui em Marília. Por incrível que pareça, somos três dessa mesma época na atual gestão do batalhão. Eu, a major Andreia (subcomandante) e a major Ana Cláudia. Nós entramos juntos na Polícia Militar. Eu me formei na Academia do Barro Branco em 2000, trabalhei em São Paulo até 2003 e depois vim para cá. Comandei o pelotão de Pompeia por 11 anos, onde fui criado e moro até hoje. Também comandei a companhia de Tupã por quase seis anos, passei por Ourinhos e voltei para Marília. Conheço bem a área, o que facilita muito o trabalho. Todos os policiais já me conhecem e nós entendemos os problemas da sociedade por toda experiência e conhecimento que temos daqui.
MN – O fato de conhecer de perto a realidade da região muda a forma de comandar o policiamento?
André Luiz Collado – Sem dúvida. Quando você conhece a realidade das cidades, entende melhor onde estão os principais desafios e também as qualidades de cada município. Isso torna o planejamento mais eficiente e aproxima o comando das necessidades reais da população.

MN – Você estava atuando em Ourinhos recentemente. Existe muita diferença entre a área de lá e a nossa de Marília?
André Luiz Collado – Tem diferença porque Ourinhos fica na divisa do estado, é um batalhão que engloba 11 cidades e é uma área muito tranquila, com ótima população. O 9º Batalhão é muito maior, abrange 25 municípios ao longo da Alta Paulista, cobrindo desde cidades como Fernão e Gália até Parapuã. Municípios maiores, como Marília e Tupã, acabam tendo um número maior de ocorrências, porque quanto maior a população, mais os problemas sociais desembocam na segurança.
MN – Falando sobre a criminalidade, como estão os índices hoje?
André Luiz Collado – Eu considero Marília uma cidade sossegada, mas os crimes acontecem. Se compararmos com o passado, de 2000 a 2010, os crimes com ameaça diminuíram muito. Tivemos, por exemplo, uma redução de 36% nos casos de roubo na comparação entre o ano passado e este. Os roubos e furtos de veículos caíram drasticamente porque a tecnologia passou a inibir muito. O que é muito positivo para nós é que a nossa produtividade operacional e as abordagens aumentaram muito.
MN – A tecnologia tem sido o principal reforço de vocês na rua?
André Luiz Collado – Sim, a inclusão da tecnologia modificou completamente os nossos resultados, melhorando a produtividade do policial e ajudando a derrubar o crime que atenta contra a população. A tecnologia melhorou drasticamente a produtividade. Além disso, os convênios das prefeituras com a Atividade Delegada e a Dejem (Diária Especial por Jornada Extraordinária) do Estado permitem pagar o policial para ele trabalhar legalmente no seu horário de folga. Isso evita que ele faça ‘bicos’ escondidos, oferecendo uma opção legal e colocando mais viaturas nas ruas em benefício da população.
MN – Há alguma previsão para a adoção das câmeras corporais pelos policiais aqui na região de Marília?
André Luiz Collado – Por enquanto, não há previsão de câmeras corporais para Marília. Na nossa região, quem utiliza essas câmeras é o Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). Nós não temos aqui índices de enfrentamento armado que justifiquem ou obriguem o Estado a priorizar esse investimento aqui em vez de aplicá-lo em outros locais mais violentos. É um lugar bem calmo e não temos ocorrências graves de confronto.
MN – Quais são os desafios de planejamento para grandes eventos?
André Luiz Collado – Para o Japan Fest, por conta da grande aglomeração, existe todo um planejamento. Neste ano, além do monitoramento normal, haverá a instalação de câmeras de reconhecimento facial ligadas ao sistema Muralha Paulista. Isso ajuda a inibir os crimes, pois as pessoas sabem que o sistema vai identificá-las. Como é uma festa com um perfil familiar, costuma ser mais tranquilo do que festas abertas e rodeios, onde a bebida alcoólica na madrugada gera muitos problemas.

MN – Como funcionarão essas câmeras no Japan Fest? Esse tipo de equipamento já é usado na cidade?
André Luiz Collado – A parte técnica já está bem resolvida para o Japan Fest. Vai ser um teste novo aqui. A gente vai se preocupar com a divulgação disso aí também, porque a intenção nossa é inibir. Além de monitoramento normal de câmera, vão colocar essas câmeras de identificação facial. Já temos esse tipo de câmeras instaladas. Esse é o futuro.
MN – Qual o seu principal objetivo à frente do Batalhão em Marília?
André Luiz Collado – Nós vamos buscar sempre aumentar a sensação de segurança da população. Hoje temos bons números, mas é sempre possível melhorar. O nosso objetivo é manter os índices toleráveis, investir forte no policiamento e fazer com que a viatura policial seja cada vez mais percebida nas ruas.