João Pinheiro é extraditado para Bolívia após meses preso na Espanha

O empresário brasileiro João Henrique Pinheiro, conhecido em Marília por ter disputado a última eleição para prefeito, chegou à Bolívia na tarde desta quinta-feira (9), após ser extraditado da Espanha, onde estava preso desde maio de 2025.
Ele foi considerado o candidato mais rico do Brasil, ao declarar patrimônio de R$ 2,8 bilhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pinheiro desembarcou em Tarija, cidade que é capital de um departamento (equivalente a estado) no sul da Bolívia, e, em seguida, foi transferido para Bermejo, município localizado na mesma região, próximo à fronteira com a Argentina. No local, participou de audiência realizada ainda na tarde de quinta-feira.
A Justiça boliviana determinou sua prisão preventiva, e ele foi encaminhado à cadeia de Bermejo, onde aguardará julgamento. A extradição atendeu a pedido do governo da Bolívia, que acusa o empresário de envolvimento em um suposto golpe milionário contra produtores de cana-de-açúcar no sul do país.
O caso foi revelado pela imprensa boliviana, incluindo o jornal El País, que tem feito ampla cobertura. Pinheiro foi preso em 27 de maio de 2025, em Madri, após ter o nome incluído na lista vermelha da Interpol, a pedido das autoridades bolivianas.
Assim que deixou o Brasil e entrou em território espanhol, ele foi detido e permaneceu preso por mais de 300 dias, até a extradição. À época, a prisão foi divulgada em primeira mão pelo Marília Notícia. Inicialmente, a defesa negou a informação, mas depois confirmou a detenção.
Durante o período em que esteve preso, a defesa tentou transferi-lo para o Brasil, onde ele também responde a condenação por estelionato. O pedido chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que se manifestou favorável à extradição para o território brasileiro.
No entanto, a Espanha priorizou o pedido da Bolívia, feito anteriormente, com base em acordo de extradição vigente entre os países.
Golpe
O caso envolve o projeto do Complexo Industrial da Cana-de-Açúcar (Cicasa), anunciado em 2019 como uma promessa de desenvolvimento para produtores de Bermejo, no departamento de Tarija. A proposta previa a construção de uma usina com capacidade para processar cerca de 2.500 toneladas de cana por dia, com o objetivo de reduzir perdas na produção, gerar empregos e impulsionar a economia local.
Segundo os produtores, o projeto nunca saiu do papel. A acusação é de que o empresário teria apresentado máquinas e estruturas que não lhe pertenciam para dar credibilidade ao empreendimento.
O prejuízo inicial estimado é de cerca de US$ 1 milhão. No entanto, produtores afirmam que os danos são maiores, considerando investimentos adicionais em terrenos, estudos técnicos e obras de infraestrutura.
Ao todo, cerca de 400 famílias teriam sido afetadas diretamente, em uma região que depende fortemente da produção de cana-de-açúcar.Com a chegada à Bolívia, João Pinheiro deverá responder à Justiça local. O julgamento deve ocorrer em Bermejo, onde o caso teve origem.
As vítimas aguardam o andamento do processo com expectativa de responsabilização e eventual recuperação de parte dos valores investidos. O caso é considerado emblemático no país e pode se tornar um marco no combate a fraudes envolvendo grandes projetos de desenvolvimento econômico.