‘Ser para servir’: nova primeira-dama fala sobre propósito e vida em Marília

A primeira-dama de Marília, Tássia Camarinha, falou sobre fé, empreendedorismo e o trabalho à frente do Fundo Social em entrevista ao Marília Notícia. Nascida em Bauru, ela afirma que sua trajetória é guiada pelo lema “ser para servir” e diz que tem buscado conhecer mais sobre política, embora não pense em candidatura neste momento.
Formada em Administração de Empresas, Tássia Camarinha construiu carreira como empreendedora antes de chegar em Marília. Ela criou uma doceria saudável pioneira em Bauru e também uma marca de roupas com mensagens cristãs, projetos que nasceram de um processo pessoal de autoconhecimento após enfrentar síndrome do pânico e depressão.
Agora, como presidente do Fundo Social de Marília, diz querer transformar essa experiência em ações de cuidado e proximidade com as entidades assistenciais da cidade. Na conversa a seguir, ela fala sobre sua trajetória, o relacionamento com o prefeito Vinicius Camarinha e os planos para atuar na área social, especialmente no apoio às mulheres marilienses.
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MN – Você se tornou primeira-dama recentemente e agora está assumindo o Fundo Social. De onde você vem e qual a sua trajetória até aqui?
Tássia Camarinha – Eu nasci em Bauru e cresci dentro do comércio, em uma família de empresários. Meus pais têm uma loja lá há 40 anos, a Tânia Boutique, que começou de forma muito simples, com eles endividados, e hoje se tornou destaque na cidade, o que me dá muito orgulho. Muita gente pensa que sou nutricionista, mas na verdade sou formada em Administração de Empresas. Trabalhei por muitos anos na loja da minha família, e essa experiência me ajudou a desenvolver algo que levo comigo até hoje: a facilidade de conversar com as pessoas, de ouvir histórias e de lidar com o público de forma muito natural.

MN – Em que momento você decidiu seguir seu próprio caminho e abrir suas empresas? Como foi essa transição?
Tássia Camarinha – Foi uma decisão difícil. Sair da empresa da minha família mexeu muito comigo e trouxe alguns conflitos internos, porque era um lugar onde eu cresci e tinha muito vínculo emocional. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia que existia algo além para mim.
Com 28 anos, decidi abrir minha própria empresa, a Tássia Health Bakery, uma doceria e padaria saudável. Antes de abrir as portas, fiquei cerca de um ano e meio em casa pesquisando e desenvolvendo receitas diferentes, como brigadeiro de batata-doce, pudim de inhame e brownie de feijão. Na época, há quase 10 anos, muita gente dizia que não existia isso de “padaria saudável”, mas eu resolvi apostar com coragem nessa ideia.
O maior propósito da empresa sempre foi alcançar pessoas que têm alergias, intolerâncias ou doenças autoimunes, além daquelas que buscam uma vida mais saudável. É muito gratificante, por exemplo, ver uma criança que tem restrições alimentares poder comer um docinho sem preocupação ou atender pacientes que estão em tratamento de câncer. Tenho muito orgulho desse trabalho e meu desejo é, no futuro, trazer tanto a doceria quanto a marca de roupas também para Marília.

MN – Você também criou uma marca de roupas com inspiração cristã. Como surgiu essa ideia?
Tássia Camarinha – A marca se chama He Lives, que significa “Ele vive”, e nasceu em 2025. Nesse período, comecei a fazer lives diárias às 5h55 da manhã falando sobre espiritualidade.
Como eu precisava aparecer todos os dias na internet com roupas diferentes, surgiu a ideia: por que não criar uma marca de blusas com frases, versículos ou mensagens motivacionais que as pessoas possam ler logo ao acordar? Assim nasceu a He Lives. Hoje, essas peças são vendidas na loja dos meus pais, em Bauru.

MN – Você mencionou bastante a questão do propósito e da espiritualidade. Como isso despertou na sua vida?
Tássia Camarinha – Eu passei por uma fase muito difícil, marcada pela síndrome do pânico e pela depressão. Foi um período que me levou a buscar mais autoconhecimento e a refletir profundamente sobre o sentido da vida. Comecei a me questionar se a existência se resumia apenas a nascer, trabalhar, casar e morrer.
Nesse processo, fui entendendo que a saúde precisa ser vista de forma integral: corpo, alma — que envolve nossas emoções e pensamentos — e espírito. A espiritualidade teve um papel fundamental nesse caminho, porque me ajudou a compreender melhor quem eu sou e a minha identidade como filha de Deus. Também passei a enxergar que fomos criados para amar e para fazer a diferença na vida das pessoas. Foi dessa experiência que nasceu uma frase que hoje guia a minha vida: “ser para servir”.

MN – E como está sendo agora colocar esse “servir” em prática aqui em Marília, à frente do Fundo Social?
Tássia Camarinha – Está sendo uma experiência muito especial. A Paula, minha sogra e ex-presidente do Fundo Social, realizou um trabalho impecável e muito bonito, então eu já cheguei com uma grande responsabilidade.
Na verdade, o trabalho social sempre fez parte da minha vida. Quando estava na faculdade, por exemplo, me envolvi muito com uma creche que acolhia crianças vulneráveis. Aquilo marcou bastante a minha trajetória e reforçou em mim essa vontade de ajudar o próximo.
Aqui em Marília, vejo que as entidades têm um papel fundamental, porque muitas vezes conseguem chegar onde o poder público não alcança, levando cuidado, acolhimento e atenção às pessoas que mais precisam. Por isso, assumi o compromisso de visitar de duas a três entidades todas as quartas-feiras, para conhecer de perto essa realidade e valorizar o trabalho tão digno que elas realizam.

MN – Como você e o prefeito Vinicius Camarinha se conheceram?
Tássia Camarinha – Nós nos conhecemos por meio de amigos em comum, e foi em um momento muito especial da minha vida. Eu estava há quatro anos sozinha, orando e pedindo a Deus que colocasse a pessoa certa no meu caminho, alguém com quem eu pudesse construir uma história sem sofrimento. Ele também buscava uma parceira para caminhar junto. Foi algo muito intenso, forte e com grande união de propósitos. O Vinicius também é uma pessoa de muita fé, que ama vidas e quer transformar os lugares por onde passa.
MN – Antes de conhecer o Vinicius, você não conhecia Marília?
Tássia Camarinha – Eu ainda não conhecia a cidade, e hoje posso dizer que estou realmente encantada. O Vinicius ama Marília de coração e é extremamente dedicado ao que faz. Às vezes saímos para passear de carro em um sábado à noite e, de repente, ele já começa a observar e anotar os buracos nas ruas ou algum lugar que precisa de pintura.

MN – Vimos vocês participando da Corrida da Virada. Você tem incentivado ele a se cuidar mais?
Tássia Camarinha – Ele já estava iniciando um processo de autocuidado quando nos conhecemos, mas eu sou muito ligada nessa questão de saúde física, mental e espiritual. Treinamos juntos, corremos no final do ano e, inclusive, já nos inscrevi para um trajeto de bicicleta até Garça.
MN – Com essa rotina tão próxima da política, você pensa em se candidatar a algum cargo?
Tássia Camarinha – Eu nunca pensei nisso. Atualmente estou estudando muito o assunto para entender e me inteirar do momento que estamos vivendo. Não é um plano do meu coração, mas sou muito de confiar no que Deus tem para mim. Se for o plano Dele, vamos encarar com ousadia e coragem.

MN – Qual a sua mensagem para as marilienses no Dia Internacional da Mulher e o que elas podem esperar do seu trabalho?
Tássia Camarinha – A mulher tem um valor imenso. Muitas vezes é ela quem sustenta emocionalmente a família e transforma uma casa em um verdadeiro lar. Ao mesmo tempo, é muito triste ver tantas situações de violência e tragédias que ainda acontecem. Por isso, acredito que precisamos nos unir cada vez mais para ganhar força e transformar essa realidade, tornando inadmissível qualquer forma de desrespeito.
Quero que as mulheres de Marília me vejam de forma muito humana, próxima e acessível. Meu objetivo é contribuir para que elas se sintam mais valorizadas e tenham dignidade e autoestima. Recentemente, por exemplo, participei de uma campanha no Marília Shopping para arrecadação de absorventes, uma causa simples, mas que faz diferença na vida de muitas mulheres.
Acredito que quando a mulher passa a se valorizar mais, ela ganha força até para romper com situações difíceis, como relacionamentos tóxicos. Quero abraçar essa causa e ajudar a construir uma cidade em que as mulheres se sintam acolhidas, respeitadas e valorizadas, porque uma cidade com mulheres fortes é, sem dúvida, uma cidade muito mais forte.
