‘Transferi R$ 800 mil para pagar dívida de R$ 75 mil’, afirma acusado

O empresário Marcelo Alves da Costa, de 37 anos, preso pela morte de Rafael Francisco Alves Ferreira, também de 37, afirmou em interrogatório que o crime teria sido motivado por uma dívida impagável decorrente de suposto esquema de agiotagem. Ele e o irmão, Marcos Alves da Costa, 39, foram presos acusados de homicídio e de atearem fogo ao veículo da vítima.
Segundo depoimento prestado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília, o que começou com um empréstimo de R$ 25 mil teria se transformado em um pesadelo financeiro, supostamente resultando na entrega de aproximadamente R$ 800 mil em bens e dinheiro à vítima.
De acordo com o relato, a relação financeira teve início em novembro de 2024, quando Marcelo pegou R$ 25 mil emprestados com Rafael. Mesmo após pagar R$ 33 mil, 30 dias depois, novos empréstimos foram feitos, o que teria acumulado em um montante inicial de R$ 75 mil.

Ainda de acordo com o depoimento, a situação teria saído de controle quando Rafael ofereceu um veículo Range Rover Evoque, ano 2013, avaliado em R$ 100 mil. Marcelo aceitou a proposta, comprometendo-se a pagar parcelas superiores a R$ 5 mil, além de entregar uma motocicleta e dinheiro em espécie.
No entanto, após atraso no pagamento dos juros, Rafael teria retomado o carro, e obrigado Marcelo a continuar pagando as parcelas e os impostos do veículo.
No interrogatório, o suspeito relatou que Rafael passou a frequentar diariamente sua fábrica de trailers, interferindo nas negociações com clientes e retendo parte dos pagamentos.
“No total, transferi para Rafael, entre bens móveis, imóveis e dinheiro, R$ 800 mil para pagar uma dívida inicial de R$ 75 mil”, declarou Marcelo à polícia.
O acusado também alegou que Rafael obteve a posse de três automóveis e quatro motocicletas da empresa. Marcelo afirmou ainda à polícia que vinha sofrendo ameaças constantes de morte contra si e sua família e que, no dia do crime, acreditava que seria morto por Rafael, o que teria motivado a reação violenta quando a vítima foi cobrá-lo no banheiro da empresa.

Crime e prisão
O crime ocorreu na sexta-feira (16) e, segundo a investigação policial, teria sido motivado pela cobrança de uma dívida relacionada à suposta prática de agiotagem. A vítima teria sido morta em Marília, colocada dentro do próprio automóvel, que foi incendiado com o corpo em Pompeia.
De acordo com a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), há fortes indícios de que a vítima atuava com empréstimos de dinheiro a juros excessivos e mantinha vínculo financeiro com os investigados.
Ainda conforme a polícia, apesar de pagamentos realizados de forma reiterada ao longo do tempo — inclusive com a transferência de imóveis e veículos —, o valor da dívida apresentava crescimento contínuo, tornando-se inviável de ser quitado.
Segundo a Polícia Civil, Rafael teria ido novamente ao estabelecimento comercial dos devedores, uma oficina localizada no Jardim Aquarius, zona oeste de Marília. No local, ele teria passado a agredir fisicamente um dos envolvidos.

Durante o episódio, ainda conforme a investigação, a vítima teria demonstrado a intenção de levá-lo à força para outro local, possivelmente para constrangimento ou intimidação, hipótese que segue em apuração.
Essa suspeita é reforçada, segundo a polícia, por elementos colhidos durante a investigação, entre eles o fato de o veículo da vítima estar estacionado em frente à oficina com o porta-malas aberto, além da tentativa de arrastar o homem agredido para fora do imóvel.
Diante da situação, o irmão da pessoa que estava sendo agredida interveio. Segundo a Polícia Civil, ele se apoderou de um martelo e atingiu Rafael, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Após o homicídio, os envolvidos colocaram o corpo da vítima no interior do próprio veículo, acomodando-o no banco traseiro e envolvendo-o em papelões. Em seguida, seguiram até Pompeia por uma estrada de terra com acesso pela cidade de Oriente.
No local, utilizaram um galão de gasolina para incendiar o automóvel, numa tentativa de ocultar o cadáver e eliminar vestígios do crime.
A investigação também apontou que, antes de seguirem para Pompeia, os autores subtraíram objetos que estavam em posse da vítima, aparentemente joias. Os bens foram localizados e apreendidos na residência dos investigados, sendo recuperados e incorporados aos autos do inquérito.
A identificação oficial da vítima foi confirmada após exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML), que atestaram tratar-se de Rafael Francisco Alves Ferreira.
Os irmãos foram presos na manhã de sábado (17) e encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília. Após audiência de custódia, tiveram a prisão convertida em preventiva e foram levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Álvaro de Carvalho.