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Brasil e Mundo
qui. 01 ago. 2024
VIOLÊNCIA

Mulher com bandeira palestina diz ter sido agredida em frente ao Clube Hebraica, em SP

Militante teria tido braço quebrado após gritar 'Palestina livre'; clube nega violência e diz que segurança puxou bandeira para evitar perturbação.
por Folhapress

A técnica de enfermagem Daniela Rodrigues da Silva, 47, diz ter sofrido agressão ao protestar a favor da Palestina em frente ao Clube Hebraica, em São Paulo, na tarde desta terça-feira (30).

Com uma bandeira da Palestina, Daniela e a sua colega Edva Aguilar passaram de carro em frente ao clube, no Jardim Paulistano, e gritaram “Palestina livre”. Segundo Edva, um homem aparentemente branco e de estatura baixa alcançou o braço de Daniela, que estava no banco de carona.

“Ele não só pegou a bandeira, como torceu o braço da Daniela para trás. Por sorte, o carro estava em baixa velocidade”, disse Edva. Com o impacto das agressões, ela afirma que a colega sofreu uma fratura e luxação no braço direito e precisou passar por uma cirurgia.

Fundada em 1953, a Associação Brasileira A Hebraica de São Paulo é um tradicional ponto de encontro das famílias judaicas na capital.

Em nota na noite desta quinta (31), a entidade nega que tenha havido agressão e diz que o relato “não é fiel aos fatos”.

“O que presenciamos foi um carro, trafegando em velocidade reduzida, com seus ocupantes empunhando uma bandeira palestina e gritando palavras de ordem contra o povo judeu, na portaria do clube, em um gesto de evidente provocação. Um segurança, sem seguir o protocolo do clube, puxou a bandeira da autodeclarada ativista palestina, por temor de que essa manifestação causasse ainda mais perturbação no local. Em nenhum momento houve qualquer agressão física a quem quer que seja. O carro seguiu seu rumo, voltando depois à frente do clube com seus ocupantes gritando novas palavras de ordem”, afirma o clube.

Acionada pela duas mulheres, a advogada criminal Maira Pinheiro, que atua com direitos humanos e das mulheres, ingressou com uma petição no Tribunal de Justiça de São Paulo para que a Hebraica forneça as imagens de todo o seu circuito de segurança, com vista para a rua, gravadas entre 13h30 às 15h30 desta terça.

“Houve um crime de lesão corporal e, agora, queremos identificar quem foi o agressor. Espero que a Hebraica adiante as imagens, creio que não seja interesse do clube legitimar o fato de uma pessoa ter o braço quebrado”, disse a advogada.

Daniela teve alta hospitalar na tarde desta quarta e, de acordo com Edva, deverá cumprir licença médica de quatro meses.

Nas redes sociais, a Fepal (Federação Árabe Palestina) do Brasil, condenou o episódio e declarou que a agressão ocorreu “no exercício de direito da liberdade de expressão”.

O texto cita ainda que Daniela e Edna são militantes do Núcleo Palestina do PT-SP e da Frente de Solidariedade ao Povo Palestino. “A ação, que não apresentava qualquer ameaça, culminou em violência desproporcional, resultando na fratura do braço da condutora, que agora está hospitalizada.”

Em sua nota, a Hebraica afirma reconhecer o direito a manifestação. “Mas como instituição cujas finalidades se resumem às práticas esportivas e culturais da comunidade judaica de São Paulo, não vê outro sentido em um gesto como esse que não o desrespeito aos valores que sempre pautaram a postura do clube e seus associados”, acrescenta.

Desde o início da guerra entre Israel e o grupo Hamas, que controla a região palestina de Gaza, membros das comunidades judaica e muçulmana no Brasil têm relatado episódios de hostilidade e tentado se proteger de potenciais ataques, sejam virtuais ou agressões físicas.

Na capital paulista, escolas, museus, sinagogas e outras instituições judaicas, por exemplo, tiveram policiamento e aparatos de segurança privada nos primeiros dias da guerra em meio ao aumento de postagens antissemitas nas redes sociais.

Casos de antissemitismo dispararam no Brasil desde o ano passado. Em um relatório apresentado pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) e pela Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo), foram registradas 2.005 queixas do início do conflito até maio deste ano, ante 275 no mesmo período anterior, uma alta de 630%.

Enquanto isso, brasileiros de ascendência árabe e praticantes da fé islâmica organizam palestras e debates para explicar que seu posicionamento político nada tem a ver com apoio a atos terroristas.

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