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Brasil e Mundo
sex. 19 jul. 2024
MEIO AMBIENTE

Usina é multada em R$ 18 milhões por morte de peixes em rio de Piracicaba (SP)

OUTRO LADO: São José S/A Açúcar e Álcool diz não ter conhecimento de possível ligação de suas atividades com mortandade de animais.
por Folhapress

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) multou em R$ 18 milhões a Usina São José S/A Açúcar e Álcool, suspeita de crime ambiental pela morte de dezenas de toneladas de peixes em Piracicaba (a 157 km de São Paulo).

A aplicação de multa pelo acidente no interior de São Paulo foi divulgada pelo órgão na manhã desta sexta-feira (19).

A empresa ainda não se manifestou sobre a penalidade imposta pela Cetesb. Na quarta-feira (17), em nota, a São José negou ligação entre sua atividade e a contaminação no rio Piracicaba, afirmando que “não tomou nenhum conhecimento formal sobre uma possível ligação de suas atividades com a mortandade de peixes”.

A companhia contesta o inquérito e afirma que outros focos de poluição foram desconsiderados.
Os primeiros peixes mortos apareceram no rio Piracicaba entre os dias 7 -quando ocorreu a contaminação, segundo análises- e 10 de julho. No dia 11, a prefeitura do município removeu cerca de três toneladas de peixes mortos da água.

No dia 15, a substância, agora identificada como melaço de cana-de-açúcar, atingiu uma área de preservação ambiental, o Tanquã, conhecida como mini Pantanal paulista, resultando em nova mortandade de animais.

Estima-se que a tragédia tenha resultado em mais de 20 toneladas de peixes mortos. Um número mais preciso será divulgado ao decorrer do trabalho de limpeza do rio.

No inquérito policial instaurado para investigar a contaminação, a polícia indica que houve vazamento de melaço da usina para o ribeirão Tijuco Preto, afluente do rio Piracicaba. “O produto é espesso e de difícil diluição”, diz o documento.

O material, uma vez no rio, teria descido cerca de 80 km, partindo de Rio das Pedras (cidade onde a usina funciona) e chegado ao Tanquã. Segundo a Cetesb, a área onde ocorreu a maior mortandade de peixes tem características geográficas que facilitaram a tragédia.

“O Tanquã é uma região de águas paradas e menor profundidade, o que contribuiu para a desoxigenação da água. O estrago só não foi maior rio acima pois o rio tem corredeiras e maior movimentação de água, o que naturalmente promove oxigenação”, disse o diretor de licenciamento e controle da Cetesb, Adriano Queiroz.

No inquérito, a Polícia Ambiental descreve uma outra contaminação ocorrida no mesmo período, em um outro afluente, no limite das cidades de Limeira e Santa Bárbara d’Oeste. A empresa afirma que a Cetesb desconsiderou essa outra contaminação.

O inquérito, no entanto, diz que vistorias foram feitas em um raio de 3 km adiante e a jusante desse ponto de contaminação e não foram encontrados danos ambientais decorrentes dele. Nesses locais, afirma o documento, não houve morte de peixes.

Já no Tanquã, uma espécie de tapete foi formada pelos peixes mortos boiando na superfície. Segundo relatos de moradores e pescadores locais, o odor durante toda a semana foi piorando.

A camada formada pelos peixes mortos impede a visualização da água e é apontada como um outro problema ambiental, uma vez que prejudica a recuperação natural do rio e a oxigenação da água.

A Prefeitura de Piracicaba afirma que a remoção dos peixes será feita através de contrato emergencial firmado com empresa especializada em limpeza aquática.

Segundo a Cetesb, além da multa, a usina terá que fazer adaptações em sua operação para evitar novas contaminações.

As análises coletadas pela Cetesb ao longo da semana indicam que a contaminação é 20 vezes mais danosa ao ambiente que esgoto sem tratamento. A oxigenação da água no local onde aconteceu a tragédia estava inferior a 1 mg de oxigênio por litro, quando o índice ideal para a água ser considerada boa é superior a 5 mg/l.

A tragédia ambiental é considerada a maior já registrada em Piracicaba. Segundo a Cetesb, a multa é uma das maiores já aplicadas pela companhia desde o início de sua operação como órgão fiscalizador.

O Ministério Público Estadual também instaurou um inquérito para apurar o caso. A usina, em nota, afirma colaborar com as investigações das autoridades.

***

POR LUIS EDUARDO DE SOUSA

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