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ter. 21 maio. 2024
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Produtividade da indústria não acompanha aumento dos salários, aponta Fiesp

Há um descompasso entre os salários da indústria e a produtividade da mão de obra.
por Folhapress

Há um descompasso entre os salários da indústria e a produtividade da mão de obra, de acordo com levantamento exclusivo da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Entre 2022 e 2024, os rendimentos reais (quando considerada a inflação) do trabalho no setor aumentaram 5,9%, de fevereiro de 2022 a fevereiro deste ano.

No mesmo período, a produtividade do trabalho caiu 1,4%. Ambos os dados estão em um índice de base igual a cem, sendo, portanto, comparáveis.

A última vez em que o rendimento médio foi mais baixo que a produtividade foi em julho de 2022, de acordo com a série histórica da Fiesp, a partir de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Segundo o economista-chefe da federação, Igor Rocha, a situação não é recente, mas vem se agravando, já que a indústria enfrenta um problema de produtividade causado por máquinas antigas que não conseguem operar com a mesma performance de antes.

“A questão da formação do trabalhador importa, mas essa deterioração da relação entre rendimento médio e produtividade se degrada quando as máquinas mais modernas ficam cada vez mais distantes do cotidiano das empresas”, diz Rocha.

Na avaliação do setor, o ganho de produtividade tem dependido, portanto, quase que exclusivamente da performance do trabalhador, já que a tecnologia instalada não consegue compensar as defasagens.

Conforme o levantamento, a relação entre rendimento médio real e a produtividade forma o chamado custo unitário do trabalho, um indicador da despesa com a mão de obra por unidade produzida.

Quanto mais baixo é esse custo, menos recursos são colocados para se produzir uma unidade do produto e maior a competitividade da empresa.

A melhora da qualidade da formação do trabalhador é um aspecto que sempre deve ser considerado, mas o componente da tecnologia disponível nas fábricas é o que mais pesa agora, diz o economista.

Segundo Rocha, a indústria tem operado com máquinas com obsolescência de 15 anos -38% delas já superaram o tempo de uso recomendado pelo fabricante.

Por outro lado, a recomposição dos salários era uma bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O governo tem adotado a fórmula de correção da política de valorização, que considera o reajuste pela inflação de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes (em 2023, a alta foi de 2,9%).

Em abril, o Planalto anunciou que o salário mínimo vai ser de R$ 1.502 em 2025 -um aumento de 6,37% em relação ao piso atual (de R$ 1.412).

“O problema não é o aumento dos salários, mas não conseguir investir em maquinário eficiente para que o processo produtivo consiga acompanhar o ritmo atual”, diz o economista da Fiesp.

Um outro estudo, publicado pela entidade em setembro de 2023, apontava que o país precisaria investir R$ 456 bilhões, por ao menos sete anos, para que a indústria de transformação voltasse ao seu auge.

A estimativa foi baseada em dados da PIA (Pesquisa Industrial Anual), do IBGE, de 2021.

Eles traziam que a porcentagem do PIB destinada ao aumento da produção era de cerca de 2,6% –patamar insuficiente para cobrir os gastos com a depreciação de ativos–, quando deveria ser de 4,6% (o equivalente a R$ 456 bilhões).

Pesaram para agravar esse atraso as crises que ocorreram em 2015 e 2016 e a da pandemia de Covid-19.
A falta de resposta da produtividade cria uma pressão que é complicada para um país que sofre uma desindustrialização precoce antes de ter alcançando o padrão de renda alta, afirma o economista.

A produção industrial registrou variação positiva de 0,9% entre fevereiro e março, sem efeitos sazonais. Frente a março de 2023, houve queda de 2,8%. O resultado foi influenciado pelo crescimento da indústria de transformação (+0,8%) e, em menor medida, pela indústria extrativa (+0,2%).

Na variação acumulada em 12 meses, a produção industrial teve aumento de 0,7%. Com os últimos resultados, o nível da produção ultrapassou o patamar pré-pandemia (0,4% acima de fevereiro de 2020).

“Quando olhamos a série histórica, ela parece esboçar um cenário melhor para a indústria de transformação, mas sem ferramentas adequadas de crédito e juros, como o agronegócio tem o seu Plano Safra, e um tratamento tributário privilegiado, não teremos o necessário para a indústria se recuperar.”

Em janeiro, o governo anunciou um plano de desenvolvimento para a indústria até 2033 e previu, entre outros instrumentos para o setor, R$ 300 bilhões em linhas de crédito, subsídios a empresas e exigências de conteúdo local nos produtos.

A maior parte dos recursos deverá vir de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A intenção é importante, contendo um olhar para exportação, transição verde, inovação e produtividade, diz Rocha. “Mas outros segmentos da economia têm mais instrumentos que atenuam momentos de aperto monetário. Seria preciso replicar para a indústria as ferramentas que outras atividades têm.”

No fim do ano passado, o governo Lula encaminhou ao Congresso um projeto de lei prevendo incentivos para a modernização do parque industrial do país, com a destinação de R$ 3,4 bilhões para a chamada “depreciação acelerada”.

O programa permite que as empresas deduzam do IRPJ (Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) 50% do valor de equipamentos adquiridos no ano em que eles forem instalados ou entrarem em operação, e 50% no ano seguinte.

O texto foi aprovado pelo Senado em abril e agora aguarda sanção do Executivo, que ainda precisa definir os setores beneficiados.

Segundo a Folha apurou, ele deve ser sancionado na próxima semana.

***

POR DOUGLAS GAVRAS

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