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Brasil e Mundo
ter. 16 abr. 2024
quadrilha

Empresas fraudavam licitações em todo o estado e desviavam dinheiro para o PCC, diz Gaeco

Investigação aponta que o grupo tem contratos vigentes que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos.
por Folhapress

Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Guarulhos, do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), prendeu 14 pessoas na manhã desta terça-feira (16), sendo três vereadores de Ferraz de Vasconcelos, Santa Isabel e Cubatão, em investigação contra supostas fraudes em licitações e ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a Promotoria, a quadrilha fraudava licitações em prefeituras e câmara de vereadores em todo o estado e desviava o dinheiro para o PCC. A investigação aponta que o grupo tem contratos vigentes que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos.

Um mandado de prisão temporária ainda não foi cumprido. Além dos vereadores, agentes públicos, empresários e um advogado estão entre os presos.

As câmaras de vereadores foram questionadas na manhã desta terça, mas não responderam até a publicação deste texto. São cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 5ª Vara Criminal de Guarulhos.

De acordo com a investigação, as empresas forjavam competição e fraudavam licitações de prefeituras e câmaras, para conseguir contratos de facilites, em especial, de limpeza e postos de fiscalização nesses locais.

“E fazia isso seja com conluio entre as empresas, seja com corrupção de agentes públicos. Não bastasse isso, algumas dessas empresas têm vínculos, seja por serem associadas ou efetivamente os donos terem envolvimento com o Primeiro Comando da Capital, que acaba decidindo também a sorte de alguns contratos”, afirma o Gaeco.

Segundo promotores, havia simulação de concorrência com empresas parceiras ou de um mesmo grupo econômico.

“Também há indicativos da corrupção sistemática de agentes públicos e políticos (secretários, procuradores, presidentes de Câmara de Vereadores, pregoeiros etc.) e diversos outros delitos – como fraudes documentais e lavagem de dinheiro. As empresas do grupo têm contratos públicos que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos. Alguns deles atendiam a interesse do PCC, que tinha influência na escolha dos ganhadores de licitações e reparte os valores ilicitamente auferidos”, afirmam.

As cidades de Guarulhos, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Cubatão, Arujá, Santa Isabel, Poá, Jaguariúna, Guarujá, Sorocaba, Buri, Itatiba e outros municípios têm contratos sob análise.

Participam da operação 27 promotores, 22 servidores e 200 policiais militares.

SEGUNDA OPERAÇÃO CONTRA O PCC EM UMA SEMANA

Na terça-feira (9), duas empresas de ônibus que atuam no transporte público de São Paulo foram alvo de uma operação do Ministério Público que apura suspeitas de ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A ação cumpriu 3 de 4 mandados de prisão e visava realizar outros 52 de busca e apreensão contra dirigentes das companhias Transwolff e Upbus, responsáveis pelo transporte de ao menos 700 mil passageiros diariamente na capital paulista e que receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da

Prefeitura de São Paulo em 2023, segundo a Promotoria.

A Justiça determinou e a SPTrans, empresa municipal de transporte, assumiu a operação das linhas administradas pelas duas empresas.

O objetivo da operação, chamada Fim da Linha, é desarticular duas organizações suspeitas de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, roubos e outros crimes.

Foram presos Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da Transwolff, o sócio Joelson Santos da Silva e Robson Flares Lopes Pontes, dirigente da empresa. Elio Rodrigues dos Santos, secretário da empresa, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma durante as buscas.

O quarto alvo da operação continua foragido. Silvio Luiz Ferreira, conhecido como Cebola, é considerado uma liderança do PCC. Em 2022, ele foi apontado como dono de 56 ônibus da UPBus.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos presos.

POR FRANCISCO LIMA NETO

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