MN Logo

12 anos. Mais de 102 mil artigos.

  • Polícia
  • Marília
  • Garça
  • Pompeia
  • Oriente
  • Quintana
  • Regional
  • Tupã
  • Vera Cruz
  • Entrevista da Semana
  • MAC
  • Colunas
  • Anuncie
Variedades
qui. 20 fev. 2020

Morre José Mojica Marins, o Zé do Caixão, aos 83 anos

por Agência Estado

José Mojica Marins, o Zé do Caixão, morreu nesta quarta-feira, 19, aos 83 anos. O artista teve complicação devido a uma broncopneumonia, informação foi confirmada pela filha Liz Marins. Detalhes sobre velório e enterro ainda não estão confirmadas

Marins nasceu em São Paulo, em 13 de março de 1936. Os pais, de origem espanhola, eram artistas de circo. Sempre adorou gibis e filmes. O pai chegou a ser gerente de cinema, o que permitiu ao garoto desenvolver o imaginário no escurinho do cinema. Aos 12 anos, ganhou um câmera. Nunca mais parou de filmar. Alguns de seus filmes artesanais chegaram a ser exibidos para plateias pagantes, o que cobria os gastos de “produção”. Aos 17 anos, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas. Recrutando atores que testava com insetos e outros bichos, descobriu que sua vocação estava no terror escatológico.

Aventura, faroeste, drama. José Mojica Marins fez de tudo, ao longo de sua carreira como ator e diretor. Mas foi o terror que lhe deu fama. É um daqueles casos em que o personagem sobrepujou o autor. Zé do Caixão no Brasil, Coffin Joe nos EUA. Quem não conhece a sinistra figura de unhas longas e encurvadas? Mesmo quando seus filmes deixaram de fazer sucesso – o último, o mais bem produzido de sua carreira, ficou abaixo da expectativa -, a aura permaneceu intacta. As pessoas ainda o paravam na rua, queriam tirar fotos, pediam autógrafos.

Em 1958, lançou seu western caboclo, A Sina do Aventureiro. Seis anos mais tarde, surgiu Meu Destino em Tuas Mãos, que segue as aventuras de cinco crianças que caem, na estrada, fugindo dos pais. O líder do grupo canta, e o filme segue a vertente aberta pelo chamado rouxinol de ouro, o ator mirim espanhol Joselito, que cantava como ninguém. Em 1963, finalmente, foi a vez de À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Repetidas vezes Marins contou a história da gênese de Zé do Caixão. O personagem foi criado por ele em 11 de outubro de 1963. Marins sonhara, terrível pesadelo, com um vulto que o arrastava para o vulto.

Procurando reproduzir sua aflição, ele criou Zé do Caixão e lhe deu esse nome baseado, segundo dizia, na lenda de um ser que viveu há milhões de anos na Terra e que se transformou em luz, voltando, como luz, muito tempo depois, ao planeta de origem. O detalhe curioso é que Marins não ficou satisfeito com a própria voz. Ele intuía que Zé do Caixão precisava de um timbre especial Assim como tem data de nascimento, o personagem teve um dublador – Laércio Laurelli, que dublava um ator italiano então popular, Mario Carotenuto. A crítica caiu matando, e assim prosseguiu nos filmes seguintes. O público encampou Zé do Caixão O reconhecimento começou no exterior, mesmo que Glauber Rocha, um ícone do cinema do País, tenha sido pioneiro ao reconhecer que alguma coisa havia naquele Zé do Caixão.

Josefel Zanatas é o verdadeiro nome do personagem. Amoral e niilista, ele exerce a função de agente funerário. É um descrente obsessivo que não crê em Deus nem no Diabo, mas se considera superior aos outros e busca a mulher perfeita para conceber o filho perfeito. Essa perfeição nunca é física – é um conceito mental. Para a visualização de Zanatas/Zé do Caixão, Marins inspirou-se em Max Schenk, protagonista de Nosferatu, de F. W. Murnau, de 1922. O personagem seguiu aparecendo em Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Trilogia do Terror e O Despertar da Besta.

Em 2008, e com ajuda de amigos, concluiu a trilogia iniciada com À Meia-Noite Levarei Sua Alma e que teve prosseguimento com Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver. A Encarnação do Demônio teve orçamento de R$ 1 milhão, o mais elevado de um filme de Zé do Caixão, que teve direito a figurinos chiques, criados pelo estilista Alexandre Herchcovitch. Marins foi convidado para o Festival de Veneza e apresentou seu filme – claro – à meia-noite

Apesar da fama, ele nunca ganhou muito dinheiro com o terror. Virou figura folclórica, enveredou por diversos gêneros (até pornô). Apresentou o Cine Trash na TV Bandeirantes, comandou O Estranho Mundo de Zé do Caixão no Canal Brasil. Muitos estudiosos avaliam que José Mojica Marins não foi apenas um nome visceral do cinema brasileiro mais popular. Por seus métodos de produção e pelas ligações na Boca do Lixo, ele também teria sido decisivo para a eclosão do cinema marginal.

Compartilhar

Mais lidas

  • 1
    Colisão violenta entre motos deixa três feridos em Marília; vídeo flagra acidente
  • 2
    Reconstituição de briga de trânsito mobiliza polícia, interdita rua e chama atenção
  • 3
    Prefeitura de Marília publica novas regras para atendimento na saúde básica
  • 4
    Ex-diretor da Câmara de Marília, Toshi Egashira é sepultado

Escolhas do editor

SAÚDE
USF Argollo Ferrão vai receber reforma com investimento de R$ 304 milUSF Argollo Ferrão vai receber reforma com investimento de R$ 304 mil
USF Argollo Ferrão vai receber reforma com investimento de R$ 304 mil
FISCALIZAÇÃO ORDENADA
TCE aponta falhas na gestão de materiais escolares em Vera Cruz e cidades da regiãoTCE aponta falhas na gestão de materiais escolares em Vera Cruz e cidades da região
TCE aponta falhas na gestão de materiais escolares em Vera Cruz e cidades da região
TRANSBRASILIANA
Nova rota para veículos leves é adotada com o desvio da BR-153Nova rota para veículos leves é adotada com o desvio da BR-153
Nova rota para veículos leves é adotada com o desvio da BR-153
EDUCAÇÃO
Marília firma contrato de R$ 678 mil para compra de ovos de PáscoaMarília firma contrato de R$ 678 mil para compra de ovos de Páscoa
Marília firma contrato de R$ 678 mil para compra de ovos de Páscoa

Últimas notícias

Caminhão tombado em alça de acesso ainda causa interdição parcial na SP-333
USF Argollo Ferrão vai receber reforma com investimento de R$ 304 mil
Justiça condena Lucas Pocay e ex-secretário de Ourinhos por ’emergência fabricada’
TCE aponta falhas na gestão de materiais escolares em Vera Cruz e cidades da região

Notícias no seu celular

Receba as notícias mais interessantes por e-mail e fique sempre atualizado.

Cadastre seu email

Cadastre-se em nossos grupos do WhatsApp e Telegram

Cadastre-se em nossos grupos

  • WhatsApp
  • Telegram

Editorias

  • Capa
  • Polícia
  • Marília
  • Regional
  • Entrevista da Semana
  • Brasil e Mundo
  • Esportes

Vozes do MN

  • Adriano de Oliveira Martins
  • Angelo Ambrizzi
  • Brian Pieroni
  • Carol Altizani
  • Décio Mazeto
  • Fernanda Serva
  • Dra. Fernanda Simines Nascimento
  • Fernando Rodrigues
  • Gabriel Tedde
  • Isabela Wargaftig
  • Jefferson Dias
  • Julio Neves
  • Marcos Boldrin
  • Mariana Saroa
  • Natália Figueiredo
  • Paulo Moreira
  • Ramon Franco
  • Robson Silva
  • Vanessa Lheti

MN

  • O MN
  • Expediente
  • Contato
  • Anuncie

Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial.
MN, Marília Notícia © 2014 - 2026

MN - Marília NotíciaMN Logo

Editorias

  • Capa
  • Polícia
  • Marília
  • Regional
  • Entrevista da Semana
  • Brasil e Mundo
  • Esportes

Vozes do MN

  • Adriano de Oliveira Martins
  • Angelo Ambrizzi
  • Brian Pieroni
  • Carol Altizani
  • Décio Mazeto
  • Fernanda Serva
  • Dra. Fernanda Simines Nascimento
  • Fernando Rodrigues
  • Gabriel Tedde
  • Isabela Wargaftig
  • Jefferson Dias
  • Julio Neves
  • Marcos Boldrin
  • Mariana Saroa
  • Natália Figueiredo
  • Paulo Moreira
  • Ramon Franco
  • Robson Silva
  • Vanessa Lheti

MN

  • O MN
  • Expediente
  • Contato
  • Anuncie