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Polícia
sáb. 01 set. 2018

Marília registra 52 apreensões de armas de fogo desde o início do ano

por Brunno Alexandre

Armas apreendidas em operação da Polícia Civil de Marília. (Foto: Divulgação)

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que 52 armas de fogo foram apreendidas pela polícia no primeiros setes meses deste ano em Marília.

O levantamento de janeiro a julho divulgado nesta semana é um retrato do controle e retirada das armas de fogo em circulação no município.

Durante o mesmo período do ano passado, a polícia apreendeu 56 armas, uma diferença de quatro armas para este ano.

As apreensões correspondem às armas com numeração raspada – geralmente utilizadas em crimes – e compra sem autorização de porte.

O desarmamento é um assunto polêmico no país, principalmente agora que é tema de debate na disputa presidencial deste ano.

O Estatuto do Desarmamento foi aprovado em 2003, restringindo o direito ao porte de armas para civis. Desde então muitos especialistas divergem sobre os efeitos do estatuto.

Para esclarecer sobre como as armas chegam às mãos da população, inclusive de criminosos, o Marília Notícia entrevistou o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Helder Ferreira.

“O mercado ilegal de armas continua gerando cifras incalculáveis. O Brasil tem produção de armas e comercializa para outros países da América do Sul, são as mesmas armas que retornam de maneira ilegal para o país. E a rota de tráfico mais comum é o Paraguai, porque as fronteiras não têm uma fiscalização adequada”, explica.

O pesquisador afirma que a insegurança na proteção do Estado é uma das motivações para o cidadão procurar armamento sem autorização para porte, o que agrava ainda mais os problemas de segurança pública no país.

“O cidadão tendo arma em casa ou portando é considerado um problema de segurança publica pela ilegalidade. Não há comprovação que essas armas garantam maior proteção. O cidadão armado, sem nenhuma prática, não terá mais segurança. A presença da arma ilegal no cotidiano do cidadão é um problema de segurança pública”, analisa.

“Em um eventual conflito, como uma discussão de trânsito, o cidadão estará armado e isso torna tudo mais violento. Em situações de assalto é o criminoso que surpreende a vítima e, mesmo armada, dificilmente ela terá tempo de ação. O armamento das vítimas poderá encoraja-las para reagir aos crimes, podendo ocasionar latrocínios.”

Pesquisador Helder Ferreira apresentou dados do Atlas da Violência, trabalho desenvolvido pelo Ipea. (Foto: Divulgação)

Favorável ao armamento

O presidente da ONG “Movimento Viva Brasil”, Benê Barbosa, bacharel em direito e especialista em Segurança Pública, não tem o mesmo posicionamento do pesquisador do Ipea, Helder Ferreira.

Em entrevista ao MN, Barbosa afirma que a circulação ilegal de armas de fogo é um fato recorrente em todo o mundo.

“Nem em uma ilha onde até pouco tempo atrás nem mesmo os policiais andavam armados é possível impedir que armas ilegais circulem, imagine no Brasil, com 17 mil quilômetros só de fronteira terrestre”.

Não existe aparato do Estado que impeça criminosos de se armarem, argumenta o especialista.

“O criminoso sempre achará uma forma de se armar, seja por contrabando, desvio e furto em instituições policiais, roubo de fóruns, roubo de armas de vigilantes particulares, roubos em empresas de segurança, corrupção ou mesmo eventualmente roubo ou furto de cidadãos honestos. E, quando o próprio governo diz que o cidadão não pode ter uma arma pois pode ser roubado, o que ele está fazendo é assinando o atestado de incompetência para impedir, solucionar e punir crimes”.

De acordo com Barbosa, a política de desarmamento é mais ideológica do que técnica.

“Arma não comete crime. Quem comete crime é o ser humano. A história de que a arma roubada do cidadão vai parar na mão do criminoso é uma prova disso. Se tenho um celular roubado, e ele vai para dentro de uma penitenciária, e ele é usado para um sequestro, a culpa é minha? Precisamos definir quem é vítima de verdade.”, finalizou.

Especialista Bene Barbosa contesta dados do Ipea e coloca o desarmamento como uma questão ideológica. (Foto: Reprodução Web)

 

 

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