Sem uso, orelhões devem desaparecer das ruas de Marília em 2026

Durante décadas, antes de a telefonia móvel caber no bolso e se tornar onipresente, a comunicação à distância no Brasil exigia planejamento, paciência e, muitas vezes, algumas moedas no bolso.
Espalhados por praças, calçadas e esquinas, os telefones públicos representaram, em seu tempo, o que havia de mais avançado para aproximar pessoas, garantir contato em emergências e democratizar o acesso ao serviço telefônico.
Agora, esse símbolo de uma era – prestes a se encerrar – começa a desaparecer do cotidiano das cidades.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou neste mês a eliminação progressiva dos telefones públicos, os populares orelhões.
Nem a repercussão internacional do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro, no qual o personagem de Wagner Moura aparece utilizando o equipamento no cartaz oficial, foi suficiente para reverter a decisão.
Em Marília, o levantamento mais recente aponta a existência de apenas 199 aparelhos instalados – ainda nos dias atuais – em áreas urbanas e rurais.

Sentado à sombra da réplica de um dinossauro na Praça da Bandeira, o contador Jonas Marinho ilustra o desuso da tecnologia ao utilizar o celular a poucos metros de dois telefones públicos.
Ele afirma não recorrer ao serviço há mais de 15 anos e observa que, em cidades maiores, os equipamentos já desapareceram por completo. “Faz mais de 15 anos que não utilizo um orelhão. Aliás, lá em Campinas, a gente não encontra mais telefone público nas ruas”, reiterou.
Segundo a Anatel, neste mês teve início a retirada de cerca de 30 mil carcaças em todo o país, após o encerramento das concessões de telefonia fixa, que desobriga as operadoras de manterem essas estruturas.
Embora a legislação permita a permanência de alguns terminais até 2028, em locais sem alternativa de sinal, a maioria será removida. A operação tornou-se inviável com o fim da produção de cartões e a escassez de pontos de venda, restando pouco mais de dois mil aparelhos em funcionamento em todo o Brasil.
Viraram peças de museu
Em frente ao Museu de Paleontologia de Marília, os dois orelhões instalados no local deixaram de cumprir função prática e passaram a atrair olhares curiosos.
Servidores relataram à reportagem do Marília Notícia que é comum jovens fotografarem as estruturas com celulares, enquanto pais explicam aos filhos como funcionava o antigo sistema.
Para as novas gerações, o equipamento já assume o papel de relíquia histórica, incorporado à memória afetiva da cidade.
Dos dois aparelhos instalados na Praça da Bandeira, um está totalmente fora de operação, apesar de aparentar condições de uso. As remoções em Marília e em outros municípios dependerão de autorização da Telefônica, concessionária responsável, conforme critérios definidos pela própria empresa.