Reconstituição de briga de trânsito mobiliza polícia, interdita rua e chama atenção

Mobilização da Polícia Civil chamou a atenção na noite desta quarta-feira (25), em Marília, durante a reconstituição de uma briga de trânsito que terminou com um motorista gravemente ferido. O caso tem processo penal com dois réus acusados de tentativa de homicídio, além de uma vítima que ficou com limitações permanentes após o episódio de violência.
A movimentação ocorreu na rua dos Tucunarés, nas proximidades de uma das entradas do Marília Shopping, e chamou a atenção de quem passava pelo local.
A reconstituição busca esclarecer a dinâmica do caso que deixou Alexandre Delfino Bernardi com lesões graves após cair de uma altura de aproximadamente quatro metros.

Devido às sequelas, Alexandre não participou ativamente da simulação. Desde o episódio, ele enfrenta limitações físicas significativas, que impactaram sua rotina pessoal e profissional.
O processo apura a conduta do empresário Thiago Carrara Veloso, que responde por tentativa de homicídio, conforme a investigação policial. A denúncia contra ele foi recebida em março do ano passado e, em dezembro, o juiz do caso deferiu a reconstituição, com concordância das partes.
Próximo à data do ato, a defesa do acusado tentou o adiamento, mas o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e a assistente de acusação — que representa a família da vítima — se manifestaram contra o pedido, mantendo a realização em 25 de março.
Horas antes da diligência, a defesa voltou a pedir o adiamento, alegando risco à segurança devido à divulgação do horário. O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz Fabiano da Silva Moreno, da 3ª Vara Criminal, que manteve a reconstituição mediante garantia de isolamento do local.
A diligência, considerada fundamental para o andamento do processo, estava prevista para começar às 19h, mas teve início após as 20h. Durante todo o trabalho pericial, a via foi totalmente interditada para garantir o isolamento da área e a segurança das equipes e envolvidos.

Queda de quatro metros
O ponto central da investigação é como ocorreu a queda de Alexandre em um fosso localizado entre a calçada da rua dos Tucunarés e o pátio de um posto de combustíveis.
Na época dos fatos, o local não possuía proteção. Atualmente, após o ocorrido, foi instalada uma grade de segurança.
Segundo a investigação, os veículos envolvidos pararam próximos ao local após uma suposta perseguição no trânsito, envolvendo Alexandre, Thiago e uma terceira pessoa que estava com o empresário. A partir daí, teve início a discussão que culminou na queda.
Confronto de versões

A acusação sustenta que Alexandre foi agredido por dois homens e empurrado propositalmente para o fosso. Já a defesa afirma que houve apenas reação a um suposto ataque inicial atribuído à vítima. Também diz que o réu não presenciou a queda e desconhece como ela ocorreu.
Uma testemunha protegida relatou anteriormente que as agressões teriam ocorrido enquanto a vítima recuava, até cair no desnível.
A reprodução simulada reuniu representantes das partes envolvidas. O empresário investigado foi representado pelo advogado José Luiz Mansur Júnior. Já a assistência de acusação ficou a cargo da advogada Cristiane Delphino Bernardi Foliene, irmã da vítima.
Durante a reconstituição, os peritos analisaram pontos considerados decisivos, como a movimentação dos envolvidos antes da queda, a visibilidade do local no período noturno, a possibilidade de prever o risco do desnível e a compatibilidade entre as versões apresentadas.
Com o réu em liberdade, o caso segue na Justiça para apurar tentativa de homicídio. O laudo da reconstituição é considerado relevante para a continuidade do processo, que pode resultar em decisão de pronúncia — com envio ao júri — ou absolvição sumária do empresário.
