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Marília
sex. 12 out. 2018

População envelhece, mas Marília só tem 4 geriatras no SUS

por Leonardo Moreno


Os marilienses estão vivendo mais, tendo menos filhos e mais tarde. Projeções da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) permitem afirmar que Marília está muito perto de ter mais habitantes acima dos 60 anos do que com menos de 14.

Enquanto o fenômeno acontece, o Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade conta com apenas quatro geriatras, os especialistas em doenças do envelhecimento, enquanto 108 pediatras se dedicam às crianças e adolescentes.

Os dados foram obtidos pela reportagem via Sistema de Informática do SUS (DataSUS). Clique aqui para ver a quantidade de cada especialidade médica na saúde pública de Marília.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um geriatra para cada mil idosos, mas a cidade conta apenas com 0,1 geriatra para cada mil idosos. O que também pode ser colocado da seguinte forma: temos um geriatra para cada 10 mil idosos.

Seria necessária a contratação de 35 profissionais especializados nas doenças do envelhecimento se o município fosse se adequar ao preconizado pela OMS.

Mas é fundamental lembrar que Marília é referência para 61 municípios da região, o que envolve uma população muito maior do que apenas a cidade. Ao todo, são 1,2 milhão de habitantes.

Ou seja, o problema é muito maior e não fica circunscrito apenas a Marília. Existem apenas 2.488 geriatras no país todo.

Em vez de um geriatra para cada mil idosos, temos hoje um para cada 12.086 no Brasil. Significa que o País precisaria formar urgentemente cerca de 28 mil novos geriatras para se adequar aos padrões internacionais.

No caso dos pediatras, em Marília são 2,7 no SUS a cada 1 mil crianças e adolescentes até 14 anos. Em 2011, a cidade contava com apenas 63 especialistas desse tipo, aproximadamente 60% do número de profissionais hoje.

Trata-se de uma das especialidade médicas mais procurada pelos alunos das faculdades. Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostram que esse interesse não para de crescer.

O número de pediatras no Brasil aumentou mais de 10% desde 2016. Em março deste ano foi anunciado que 39.234 especialistas obtiveram seus títulos após conclusão de programas de Residência Médica ou foram aprovados em exames organizados pela SBP.

“Esse grupo representa 10,3% do total de médicos especialistas no País, que, distribuídos em 55 áreas, somam 282.298 profissionais. Com essa população, a Pediatria se consolida como a segunda maior especialidade em medicina do País, atrás apenas da clínica médica.

Os dados constam na pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Perfil etário

FEITO POR: LEONARDO MORENO/MARÍLIA NOTÍCIA – FONTE: FUNDAÇÃO SEADE

“A pirâmide etária está mudando. Está virando um ‘barril’ etário”, afirma um dos poucos geriatras e gerontólogo de Marília, Valdeci Rigolin. “E o problema”, diz ele, “é que não estamos nos preparando para isso”.

Dados levantados pelo Marília Notícia no Sistema Seade de Projeções Populacionais, mostram que em 2011 os marilienses com mais de 60 anos representavam 14% da população. Os moradores da cidade com até 14 anos eram 14%.

Atualmente, em 2018, os mais velhos já são 16,6% dos habitantes do município, enquanto aqueles que possuem menos de 15 anos completo somam 17,3%.

Em 2030 a inversão da pirâmide estará completamente consolidada em Marília. Daqui 12 anos, de acordo com a ferramenta da Fundação Seade, os idosos serão 22% dos marilienses e os cidadãos com menos 14 ou menos serão 15%.

“Isso tem um nome, transição epidemiológica. Ela ocorre em vários países, a principal característica no Brasil é que ocorre de maneiro muito veloz. Já nos países europeus, esse processo foi mais lento”, comenta Rigolin.

A transição epidemiológica é a mudança no perfil de morbidade e saúde da população, vinculada a um processo de transição demográfica.

O processo, de acordo com ele, envolve a taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida. “Vai achatando a pirâmide etária”, completa ele. “Isso está causando e vai causar vários transtornos”.

O que fazer?

Geriatra e gerontólogo, Valdeci Rigolin (Foto: Leonardo Moreno)

O médico afirma que a população não está pronta para essa mudança, mas minimiza a falta de geriatras em Marília, dizendo que a oferta de outras especialidades pode ajudar a resolver ou amenizar o problema.

Cardiologista, pneumologista, pneumatologista, psiquiatra, ortopedista, dermatologista, são algumas das especialidades médicas mais demandadas pelos idosos.

“As residências de pediatria hoje não preenchem mais vagas. Ninguém mais quer ser pediatra, porque tem muito. O mercado se ajeita”, diz ele. “Precisamos que a sociedade lide com o envelhecimento, não o geriatra. As pessoas precisam aprender envelhecer”.

A proposta de Rigolin é que outras especialidades médicas e mesmo profissionais de outras áreas, se formem também como gerontólogos, algo completamente diferente da geriatria. “Quanto mais cedo você falar sobre envelhecimento, melhor”.

A gerontologia é uma ciência social interdisciplinar que busca compreender justamente o envelhecimento. “Na minha análise, está faltando gerontologia”.

O médico aposta que desde a juventude é preciso se preocupar em ter um envelhecimento saudável, ativo. “É interessante que os jovens estudem, reflitam, sobre o envelhecimento, passem a interagir com os idosos. Assim vão aprender a envelhecer melhor”.

Alguns especialistas, porém, reafirmam a necessidade de mais geriatras, especificamente, na rede pública de saúde.

A formatação do sistema de saúde brasileiro estimula a demanda por especialistas em vez de geriatras. Cardiologistas, reumatologistas e ortopedistas, especialidades associadas às doenças crônicas, tendem a ser a entrada dos pacientes idosos no sistema.

Para o coordenador do curso de especialização em Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde (CEAHS) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Walter Cintra, esse hábito não é saudável nem para o paciente, nem para a gestão do sistema.

“Ele não pode ficar ‘quicando’ na rede, fazer um pedido de avaliação e só procurar o especialista. Isso tem que ser feito por meio do sistema de regulação da unidade básica de saúde”.

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