PF prende mulher condenada por facilitar tentativa de latrocínio em escola

Uma mulher identificada como Andressa Martins Soares foi presa na manhã deste sábado (21), em Marília, durante operação do Grupo de Capturas (GCap) da Polícia Federal. A detenção ocorreu em um condomínio residencial, no bairro Altos do Palmital, zona norte da cidade.
Andressa é apontada como mentora intelectual de uma tentativa de latrocínio registrada em 2018 contra o próprio empregador, em uma instituição de ensino técnico do município.
A captura resultou de trabalho de inteligência da Polícia Federal, que passou a monitorar o imóvel de forma velada após receber informações de que a condenada estaria escondida no local. Os agentes acompanharam a movimentação da residência por dias, até confirmar a presença dela.
Os policiais cercaram o imóvel e deram ordem de rendição. Sem possibilidade de fuga, ela se entregou e foi encaminhada à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde foi registrado boletim de ocorrência por captura de procurada. A condenada deve passar a noite na carceragem da Polícia Civil e ser transferida neste domingo (22) para uma unidade prisional da região.
Condenação
Andressa foi condenada a 15 anos, seis meses e 20 dias de reclusão por participação em tentativa de latrocínio ocorrida em fevereiro de 2018, em uma escola de formação técnica de Marília.

Segundo as investigações, ela sabia que a instituição recebia mensalidades em dinheiro, devido a dificuldades em pagamentos eletrônicos, o que gerava acúmulo de valores em espécie no local.
Com base nessas informações, a acusada teria planejado o crime e repassado detalhes ao irmão e a um comparsa, incluindo rotina da escola, horários e localização do dinheiro.

No dia do crime, os assaltantes invadiram o estabelecimento, renderam funcionários e roubaram cerca de R$ 16 mil, além de celulares. Durante a ação, o proprietário foi baleado no tórax enquanto estava ajoelhado e de costas. Ele sobreviveu após atendimento médico.
Depois do crime, os dois executores morreram em confronto com a polícia.

Investigação e condenação
A Polícia Civil conduziu a investigação e reuniu provas que apontaram a participação direta de Andressa no planejamento da ação.
Entre os elementos estão registros de ligações telefônicas com os executores momentos antes do crime, mensagens, contradições em depoimentos e o fato de ela ter levado o irmão anteriormente ao local para observar a rotina de pagamentos.
A sentença foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Marília, sob responsabilidade da juíza Josiane Patrícia Cabrini Martins Machado, que entendeu haver provas suficientes de autoria. Na decisão, a magistrada fixou inicialmente a pena-base em 20 anos de reclusão. Em seguida, aplicou agravante pelo papel de liderança na empreitada criminosa, elevando a pena para 23 anos e quatro meses.
Na fase final, houve redução de um terço devido à não consumação da morte da vítima, resultando na pena definitiva de 15 anos, seis meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado.

A Justiça destacou a gravidade do crime, ressaltando que a vítima foi baleada mesmo sem oferecer resistência, o que justificou a aplicação de pena mais severa.
Também foram negados benefícios como substituição da pena e suspensão condicional, em razão da violência empregada. Após o trânsito em julgado, foi expedido o mandado de prisão que resultou na captura realizada neste sábado.