Pátio ferroviário vira comércio fantasma após retirada dos camelôs

Em 1º de janeiro, venceu o prazo para a desocupação determinada por decisão da Vara da Fazenda Pública de Marília, que atendeu a pedido de reintegração de posse em favor da Rumo Logística, concessionária do trecho ferroviário que passa pelo município.
Pouco mais de um mês após o cumprimento da ordem judicial, o pátio ferroviário da estação de Marília transformou-se em um “comércio fantasma”. No local, já não há vendedores nem circulação comercial, mas dezenas de boxes permanecem abandonados, compondo um cenário de degradação.
A imagem se assemelha à de outros pátios ferroviários espalhados pelo país, onde estruturas e vagões enferrujam há décadas sem uso definido, a exemplo de Triagem Paulista, em Bauru, onde dezenas de locomotivas e carros de passageiros agonizaram ao longo dos anos.

AA situação tem ampliado a preocupação de pedestres e comerciantes que circulam diariamente pela rua Nove de Julho, principal ligação entre o Terminal Rodoviário de Marília, o camelódromo vizinho à estação ferroviária e o comércio central da cidade.
A ausência de manutenção e a presença de estruturas vazias alimentam a sensação de insegurança em uma das áreas de maior fluxo da região central, principalmente entre passageiros que utilizam o transporte público no período noturno.
Limpeza sem prazo
Procurada pelo Marília Notícia, a Rumo Logística informou que “o trecho de Marília está inserido no ramal Bauru-Panorama, tendo a empresa assumido o compromisso contratual de reativação do ramal junto à União.”
Segundo a concessionária, “as obras de reativação foram iniciadas em junho de 2024 e estão previstas para serem concluídas até 2028, conforme contrato com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).”

Sobre o antigo comércio popular, a empresa afirmou que “está em andamento o levantamento técnico da área já desocupada” e que, “a partir da conclusão desse relatório, será definido o cronograma para o início da limpeza.”
A Rumo destacou ainda que, “no momento, ainda não há data prevista para o início da ação”. A concessionária acrescentou que “a ronda está sendo realizada pela segurança patrimonial da empresa, de forma preventiva, para evitar novas ocupações.”
O que diz a Prefeitura
Também por meio de nota, a Prefeitura de Marília esclareceu que, “em virtude do cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse, a área referente ao antigo pátio ferroviário e à estação ferroviária de Marília encontra-se, atualmente, sob a responsabilidade direta e exclusiva da concessionária Rumo Logística.”
De acordo com a administração municipal, “com a conclusão do processo de desapropriação e a retomada da posse pela concessionária, o município não detém mais a gerência sobre o espaço, o que inclui a manutenção da estrutura e a retirada de eventuais remanescentes (boxes)”. A Prefeitura afirmou que “tais intervenções devem ser coordenadas pela própria Rumo.”
A administração municipal informou ainda que, “em razão da transferência de domínio por decisão judicial, os projetos anteriormente planejados para o trecho — como a implantação do Parque Linear — dependem agora de novas tratativas e autorizações junto à concessionária e aos órgãos federais reguladores.”
Por fim, destacou que “a Prefeitura de Marília permanece à disposição para colaborar em ações que visem à preservação do patrimônio histórico, desde que respeitadas as competências jurídicas estabelecidas pela referida decisão.”