Marília articula agenda com vice-presidente para tratar da BR-153

O prefeito de Marília, Vinicius Camarinha (PSDB), afirmou que solicitou uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), para discutir a situação da rodovia Transbrasiliana (BR-153), após o grave acidente com um ônibus que matou sete passageiros e deixou dezenas de feridos no início desta semana.
Segundo o chefe do Executivo, a preocupação é com a futura concessão da rodovia e a inclusão de melhorias estruturais no trecho que corta o Estado de São Paulo.
“A informação que nós temos é que agora em outubro de 2026 deve ter um leilão de uma nova concessão. Uma reorganização da concessão já existente, com algumas obras a mais. Eu já pedi uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para tratar desse assunto. É um assunto que vem trazendo perdas de vidas aqui no trecho de São Paulo. São ocorrências sérias. Vamos dialogar com o governo federal para que essa concessão possa incluir melhorias de infraestrutura nesse trecho da BR-153”, afirmou.

Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que havia atualizado, dias antes do acidente, um relatório apontando problemas na pista, como buracos e falhas na faixa de rolamento. O documento foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) de Ourinhos.
“Foi feito na segunda-feira de manhã um contato com o Ministério Público Federal (MPF) de Ourinhos. Existe um procedimento já instaurado para acompanhamento das condições da rodovia. Por coincidência, na semana passada, a gente estava atualizando um relatório de buracos, de falhas de faixa de rolamento. Passamos isso para eles na sexta-feira e, infelizmente, na segunda-feira esse fato aconteceu”, explicou o inspetor Bruno Bernardo.
Os encaminhamentos foram discutidos durante uma ampla reunião realizada em Marília, que reuniu autoridades municipais, a Defesa Civil do Estado de São Paulo, a PRF, a Polícia Civil e uma comitiva do Governo do Estado do Maranhão para tratar dos desdobramentos da tragédia.
O prefeito destacou que o objetivo central do grupo é garantir atendimento e retorno seguro aos sobreviventes. “O foco nosso agora de imediato é acolher as vítimas do acidente e que eles possam ser devolvidos para os lares”, declarou.
Durante a reunião, foi anunciado um convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de Marília para custear as despesas decorrentes da tragédia. O valor total é de R$ 231 mil, sendo cerca de R$ 186 mil do Estado e R$ 46 mil de contrapartida do município.

Segundo o coronel Rinaldo de Araújo Monteiro, responsável pela Defesa Civil paulista, os recursos devem ser liberados em caráter de urgência. A Câmara Municipal deve convocar sessão extraordinária para agilizar a tramitação. A verba será destinada à compra de passagens aéreas e, se necessário, ao translado de corpos, com prazo de utilização de 180 dias.
Até o momento da reunião, prefeituras de três cidades do Maranhão já haviam realizado o translado de seis corpos. Entre os sobreviventes, 14 receberam alta médica e estão aptos a retornar, enquanto outros permanecem internados em hospitais de Marília ou acolhidos na Casa Cidadã.
No âmbito criminal, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do motorista do ônibus. De acordo com o delegado seccional de Marília, Wilson Frazão, o condutor assumiu o risco ao trafegar com um veículo em péssimo estado de conservação, inclusive com um pneu a menos.
“Do ponto de vista de investigação de crime, o acidente é a princípio imputável ao motorista”, declarou Frazão, acrescentando que há indícios de infrações e irregularidades.
As autoridades também apuram a natureza da viagem. Os passageiros eram trabalhadores rurais maranhenses que seguiam para o sul do país. Há suspeita de que estariam sendo submetidos a condições análogas à escravidão. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo foram acionados.

O coronel Célio Roberto, da Defesa Civil do Maranhão, criticou o que chamou de “aproveitadores” que exploram a mão de obra sazonal e defendeu maior rigor nas políticas públicas.
“Já tem sido feito trabalho de acolhimento desses maranhenses que trabalham na lavoura. Tem que ser feita uma política, a nível de governo federal, para que isso não ocorra. De termos brasileiros, não só maranhenses, mas brasileiros submetidos a esse tipo de trabalho que é criminoso e é condenável, nessa condição análoga de escravo. Se vai contratar, não tem problema nenhum, mas pelas vias legais, com as garantias trabalhistas asseguradas”, concluiu.