Irmãos de Dias Toffoli, moradores de Marília, viram foco da mídia nacional

Os irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli mantêm uma rotina discreta em Marília, bem diferente da imagem de luxo associada a um resort no norte do Paraná que chegou a ter participação societária ligada à família.
José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli moram em residências modestas. A casa de José Eugênio, localizada no bairro Jardim Universitário, zona oeste da cidade, chama atenção pela simplicidade e pelos três veículos comuns na garagem, cujo valor estimado soma cerca de R$ 400 mil — distância marcante em relação ao padrão associado ao empreendimento hoteleiro.
O endereço do imóvel também foi registrado como sede da empresa Maridt Participações, que no passado integrou o quadro societário do Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR). A participação foi vendida ao longo de duas operações que totalizaram R$ 6,7 milhões.
Procurada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a esposa de José Eugênio afirmou não ter conhecimento de que o imóvel fosse utilizado como sede da empresa.
O Tayayá Resort é conhecido por sua estrutura de alto padrão, com piscinas aquecidas, áreas de lazer, atividades recreativas e instalações esportivas — características distantes das rotinas dos irmãos de Toffoli em Marília. O empreendimento está situado na região conhecida como “Angra Doce Paranaense” e, ao longo dos anos, foi frequentado por moradores de Marília, além de personalidades nacionais e figuras do meio político.
Nas últimas semanas, parentes do ministro evitaram aparições públicas, apesar de a família ser considerada uma das mais influentes da cidade. Em Marília, a ligação com o empreendimento nunca foi exatamente um segredo. O Tayayá, bastante frequentado por marilienses, sempre foi associado, em conversas informais e rodas de conversa pela cidade, a pessoas ligadas à família Toffoli. Ainda assim, o tema permanecia restrito ao conhecimento local e não havia gerado maior repercussão pública.
A situação ganhou maior dimensão nas primeiras semanas de janeiro de 2026, quando o assunto passou a ser explorado pela mídia nacional. Grandes veículos de comunicação enviaram equipes a Marília para apurar endereços e vínculos ligados aos irmãos do ministro. A ampliação do interesse ocorreu em meio às decisões recentes de Dias Toffoli em processos envolvendo o Banco Master, instituição citada em investigações da Polícia Federal sobre supostos esquemas de lavagem de dinheiro no sistema financeiro.
Os dois irmãos citados, José Eugênio e José Carlos, não integram mais o quadro societário do resort. Ainda assim, as ligações mantidas no passado despertaram o interesse de veículos de alcance nacional, diante do contexto político e jurídico atual.

Outro irmão do ministro, José Carlos Dias Toffoli, conhecido como padre Carlão, atua na Igreja Católica e é figura conhecida na comunidade local. Religioso, ele já teve atuação destacada em projetos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A família Toffoli é numerosa e tradicional em Marília. Além do ministro Dias Toffoli, outros irmãos já ocuparam cargos públicos na cidade, incluindo a Prefeitura e a Câmara Municipal. As trajetórias profissionais dos membros da família são diversas, abrangendo áreas como engenharia, medicina, vida religiosa e serviço público.
Registros empresariais indicam que a saída da família do quadro societário do Tayayá ocorreu de forma gradual, com negociações realizadas ao longo dos últimos anos.
Procurado, José Eugênio Dias Toffoli não se manifestou até a publicação da reportagem.