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Marília
dom. 06 jun. 2021

Demanda por psicólogos cresce na pandemia em Marília

por Carlos Rodrigues

Stacy Barrochello Takano, psicóloga hospitalar, trabalha com EPIs (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

A psicologia hospitalar, que acolhe sentimentos, para ajudar pacientes e seus familiares a lidarem com o turbilhão de emoções causado pela internação, está em evidência. Em Marília, instituições de saúde tiveram que reforçar o quadro de psicólogos, que chegou a triplicar, para dar conta da demanda.

“Muitas vezes, é como se a gente conseguisse apalpar as angústias das pessoas, o sofrimento. O trabalho não é nada fácil, mas é também uma oportunidade de crescimento, de construir através da dor, pela intensidade das vivências”, resume Marcos Aurélio Alves Filho, da equipe da Santa Casa de Marília.

Antes da pandemia eram três profissionais. Agora são oito. Tem psicólogos específicos para a enfermaria, para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos adultos e das crianças – essa que já observa aumento das hospitalizações.

Psicólogos também ajudam a cuidar da saúde mental dos médicos, enfermeiros e demais trabalhadores, expostos ao alto nível de estresse. Nestes casos, nem sempre é possível agendar uma sessão de terapia. A angústia dos colegas é acolhida ali mesmo, entre um procedimento e outro. A vida de muita gente depende deles, que seguem focados na missão.

No momento da chegada na ala; nas visitas por telechamada; antes da temida intubação; na “festa” da alta médica, os psicólogos estão presentes nos principais momentos.

“Temos que nos colocar no lugar do outro, escutar e acolher o sofrimento do indivíduo frente a suas dificuldades, oferecendo apoio emocional, desmistificando fantasias geradas ao processo de adoecimento”, reforça a psicóloga Stacy Barrochello Takano.

“É lembrar o tempo todo que aquele indivíduo é o amor de alguém e tem uma família inteira esperando por ele, do lado de fora. Há algumas semanas enquanto eu acolhia uma família (vítima de Covid), a minha estava precisando ser acolhida, pois estavam fragilizados com as perdas dentro da minha própria família”, relata.

A psicóloga lembra que o vírus trouxe – repentinamente e indistintamente – o choro, o medo, a angústia, a dor, o sofrimento, o luto, a revolta e a raiva. Trouxe também a barganha, a empatia, a falta dela, a cura, o alívio, a fé e a esperança.

Junto com sua equipe, na linha de frente, Stacy participa diariamente de episódios em que estes sentimentos se exasperam.

Os pacientes enfrentam sintomas físicos como dessaturação (queda do nível de oxigênio no sangue), tosse, febre, entre outros. Muitos são intubados, colocados em posição pronada, ou seja, de bruços.

Uma das ações que os hospitais têm feito é anotar, nos registros de cada paciente à beira do leito, informações transmitidas pela própria família. Os hobbies, time do coração, algum apelido que expresse afeto e seja público, curiosidades que façam parte da identidade da pessoa.

Com esse esforço de humanização, a ideia é fazer com que a equipe médica crie uma relação que gere no paciente a sensação de que ele não está sozinho.

LUTO

Conforme os casos se agravam, a complexidade das relações também tende a aumentar. A psicóloga Tayane Vieira Zillo, também da Santa Casa de Marília, lembra que a Covid-19 tem exigido dos psicólogos especializados no atendimento hospitalar um alto nível de resiliência e preparo técnico.

“É uma doença que agrava muito rapidamente e, infelizmente, os óbitos acontecem em grande volume. Lidar com a ‘antecipação de luto pela família’ é sempre complicado e fica especialmente difícil no caso da Covid, que impõe o distanciamento entre as pessoas”, destaca.

Ela explica que, quando o paciente morre, o luto tende a ter “difícil elaboração”. Na linguagem dos psicólogos, isso significa que os familiares poderão sofrer por mais tempo que o “natural”, podendo, inclusive, encontrar dificuldades para seguirem suas vidas. É a ausência do rito de despedida.

Ao conviver com tanto sofrimento, uma doença nova, que surpreende e tira até o direito à despedida, os psicólogos hospitalares são colocados à prova. Por isso, não abrem mão da terapia, onde eles próprios encontram um espaço para os sentimentos.

TELECHAMADAS

Atuando em hospital desde 2017, o psicólogo Marcos Aurélio – mencionado no início da reportagem – explica que a comunicação é fundamental em todas as etapas do processo.

A notícia de que um paciente será intubado, por protocolo, é dada somente pelo médico. Mas antes e depois, a equipe de psicologia atua para auxiliar os pacientes e também os familiares.

Outro importante serviço é a visita por telechamada, que virou rotina nas UTIs e enfermarias. O Serviço Social é parceiro dos psicólogos para essa atividade. As pessoas se emocionam, choram, reconciliam. “É um momento muito importante para quem está internado e também para os familiares. Somos uma ponte para eles”, disse.

Entre tantos momentos, é nessa hora que as “angústias podem ser apalpadas”, como afirma o psicólogo. Quando um vírus que ameaça a existência mostra sua força, quase ninguém se importa em ser frágil, revelar sentimentos e partilhar emoções.

“Nesse processo, não apenas os pacientes e suas famílias, mas nós também nos desenvolvemos e nos fortalecemos. Estas pessoas trazem esperanças, crenças e experiências que impactam nas nossas vidas”, define Marco Aurélio, com gratidão pelo trabalho que realiza junto com a equipe.

Em Marília, todas as instituições contam com o serviço de psicologia hospitalar. Em geral, não é necessário fazer a solicitação do atendimento. As demandas são observadas pela equipe de saúde. Caso o hospital não tenha apresentado o serviço, basta buscar informações com a equipe médica.

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