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Marília
ter. 09 out. 2018

Caso de leishmaniose é confirmado na zona Sul de Marília

por Amanda Brandão

Reunião de grupo técnico para combater a doença (Foto: Divulgação)

A Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde de Marília confirmou, nesta terça-feira (9) um caso de leishmaniose visceral em um morador da zona Sul. O homem tem 74 anos e já teve alta do Hospital das Clínicas.

O município informou que uma série de ações de bloqueio já está sendo realizada. A população deve colaborar, limpando os quintais, eliminando totalmente chiqueiros/galinheiros da zona urbana e controlando a superpopulação de cães.

Este ano, outras duas notificações suspeitas de leishmaniose visceral em Marília tiveram resultado positivo. Em ambos os casos, os pacientes são moradores da zona norte. Não houve nenhum óbito no município.

A supervisora da Vigilância Epidemiológica, Alessandra Arrigoni Mosquini, explica que as ações de controle incluem identificação de cães e de pessoas com sintomas da doença. Também são feitas vistorias em imóveis num raio de até 200 metros do local em que mora o paciente.

“Mas as ações de controle do município não terão resultado se não houver uma participação da população. Diferente do Aedes Aegypti, o “mosquito-palha”, que transmite a leishmaniose, precisa apenas de material orgânico e umidade para se reproduzir. Essa condição é encontrada fartamente em muitos quintais”, disse.

Os moradores precisam remover folhas secas, frutas e madeiras apodrecidas, fezes de animais e todo tipo de entulho que favorece a formação de ambiente úmido, onde a fêmea do mosquito-palha pode botar seus ovos.

COLETA E CASTRAÇÃO

A Secretaria Municipal da Saúde anunciou que, a exemplo do que já acontece na região norte da cidade (Jânio Quadros, Santa Antonieta, JK e Jardim Renata), dará início na zona sul à coleta de materiais orgânicos nos bairros mais próximos do foco de leishmaniose.

A população terá a oportunidade de colocar em frente às casas, em dias específicos, materiais orgânicos que não podem ser levados pela coleta do lixo comum.

Também será realizado o inquérito sorológico canino e os cães com resultado negativo poderão ser castrados, gratuitamente, por meio do Programa Municipal de Controle da Leishmaniose, favorecendo controle da superpopulação canina e prevenção de casos humanos da doença.

LEISHMANIOSE EM MARÍLIA

A cidade apresenta casos da doença em humanos desde 2011, quando foi confirmada uma notificação de leishmaniose visceral na zona norte. Em 2014 foram outras duas ocorrências e em 2015 mais uma. Em 2016 o número disparou: foram dez casos.

Sem ações específicas de controle entre 2014 e 2016, o avanço da doença prosseguiu. Em janeiro do ano passado, quando assumiu a pasta, a secretária Kátia Santana alertou sobre os riscos e articulou a formação de um Grupo Técnico, com a participação da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), específico para acompanhar a doença e definir ações.

Assim, em 2017, como impacto do abandono dos anos anteriores, foram confirmados 15 casos. Já em 2018, a cidade soma três notificações positivas.

A redução, acreditam os especialistas, ainda não significa controle da doença. Para frear a leishmaniose, os integrantes do Grupo Técnico acreditam que o município pode levar anos.

SINTOMAS

Locais com chiqueiros e galinheiros potencializam o aumento do mosquito palha, transmissor da doença. O inseto costuma picar animais domésticos para se alimentar. É dessa forma que o cão pode torna-se hospedeiro do parasita e desenvolve a doença, participando do ciclo para a contaminação de outros mosquitos e de seres humanos.

Em humanos, a Leishmaniose causa febre intermitente com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, aumento do fígado e do baço (hepatomegalia e esplenomegalia), anemia e palidez, entre outras manifestações. Quando não tratada, pode provocar a morte em mais de 90% dos casos.

Em cães podem ocorrer perda de peso, falta de apetite, apatia, feridas de pele que não cicatrizam, feridas nas orelhas, lesões oculares, falta de pelo entorno dos olhos. Nos casos em que os rins são afetados, os animais bebem muita água e urinam em grande quantidade. Os sintomas também demoram a surgir nos cães, que podem transmitir a doença mesmo sendo assintomáticos.

Mais informações podem ser obtidas nas unidades de saúde do município ou por meio do telefone (14) 3401-5400, junto à Divisão de Zoonoses.

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