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ter. 14 mar. 2023

As sábias e velhas árvores nas origens do nosso bem-estar climático

por Marcos Boldrin

M ajestosa quaresmeira e seus mais de 50 anos de história tombaram à rua Coronel José Brás (Foto: Marcos Boldrin)

Inexiste cura na alma sem a crença em algum conforto metafísico, sem o vislumbre do vigoroso brilho das estrelas e sem a mansidão do balançar das árvores pelos ventos.

Infelizmente, mais uma ferida se abre em uma das artérias do coração urbano: uma majestosa quaresmeira e seus mais de 50 anos de história tombaram à rua Coronel José Brás, 239.

Pior: defronte a um edifício sob a responsabilidade do Poder Público municipal, que deveria zelar e proteger para que sequer adoecesse, tal a todos nós, cidadãos comuns.

Resta somente o fantasma cujo vulto a imagem digital não consegue captar.

Para todas as terras planetárias circundantes do umbigo mariliense, as árvores são curativos e fontes de saúde em ambientes urbanos, sendo sempre bom e necessário enfatizar alguns de seus múltiplos ganhos:

  • refrescam, oferecendo sombra, evaporando a água e reduzindo a temperatura ambiental;
  • fornecem oxigênio e retêm a contaminação pelas suas folhas;
  • retiram carbono do ar por seus ramos, troncos e raízes;
  • agarram-se ao solo e bebem dele, evitando inundações e alagamentos;
  • limpam a água antes de seu retorno aos aquíferos;
  • aumentam a biodiversidade, servindo como casa para pequenos animais, aves e outras plantas;
  • embelezam nossos passeios com suas flores e paletas de cores.

Matá-las é devastar invisivelmente as cidades tal às doenças crônicas silenciosas mal cuidadas.

Árvore tombada (Foto: Marcos Boldrin)

Já ouviu ou leu algo sobre “ilha de calor”? Trata-se daquele fenômeno climático em cidades com alto grau de urbanização, com elevada concentração de asfalto, de concreto e de vidro, aumentando a temperatura e nos deixando com aquela vontade de estarmos em verdes e refrescantes campos rurais.

Estudo realizado com dados de 93 cidades europeias estimou que 1/3 das mortes das causas atribuíveis às “ilhas de calor” poderia ser evitado se as árvores cobrissem 30% do espaço urbano.

Observe a imagem comparativa entre ruas do centro de Marília e da Vila Gomes Cardim, na capital paulista, e responda: qual cidade está mais sujeita a “ilhas de calor” venenosas à qualidade de vida de seus cidadãos?

E isso que o nosso referencial comparativo é São Paulo, considerada uma metrópole árida, de puro asfalto e concreto.

Outra pesquisa realizada nos Estados Unidos da América mostra que a visão de árvores e outros elementos paisagísticos naturais pelas janelas dos hospitais encurta o tempo de internação e melhora a recuperação dos convalescentes.

Arborizar é prática atraente, de baixa tecnologia, barata e testada pelo tempo: quanto mais maduro o indivíduo arbóreo, mais vantagens.

Os maiores e mais velhos nos proporcionam mais benefícios do que os mais jovens ou menores justamente pelo seu porte majestoso e seu grande número de folhas.

As transformações climáticas pelas quais passamos alteram os volumes de chuvas e os níveis de umidade: ter árvores maduras de 30 anos ou mais, já adaptadas, é um remédio contra os riscos climáticos e um privilégio irrenunciável.

Enquanto secretário do Meio Ambiente, ouvia invariavelmente o bordão de “que vão ser plantadas outras mais novas, mais adequadas às calçadas e em maior quantidade do que as que já havia, velhas e doentes”.

Centro de Marília pouco arborizado (Foto: Marcos Boldrin)

Há muitos aspetos desconsiderados por mentes assim, principalmente quando incluem o adjetivo “doentes” sem a avaliação de um profissional habilitado e com olhar treinado.

Fiquemos só com os culturais e humanos: perde-se os ganhos citados. Perde-se a história dos 30, 40… 50 anos de vida naquele local, das referências que simbolizam, das relações estabelecidas com as pessoas: os passeios, as conversas, a meditação, as palavras perdidas entre as folhas, as leituras. Os namoros e seus amores. Os olhares e as memórias.

Ainda contra o clichê: é melhor dez árvores maduras do que 50 jovens.

Aqueles que subestimam a nossa inteligência adoram usar números confusos tentando justificar que 50 árvores de dez anos substituem dez árvores de 50 anos.

Mentes ambientalmente conectadas e amparadas na arboricultura sabem que os números e a matemática não funcionam assim: dez árvores grandes e maduras sempre serão melhores do que 50 pequenas e jovens. Exemplo prático: as sombras de pequenas árvores não avançam largamente sobre o piso das vias, quando se é provado que as sombras de frondosas árvores nas calçadas preservam o asfalto por mais tempo dos efeitos solares.

Obviamente que, ao se plantar, deve-se considerar diversos fatores, inclusive quais os espécimes e a distância saudável de separação: ônibus não cabem em vagas de estacionamento destinadas a carros ou a motocicletas.

Mas, uma vez existentes, todo conjunto de adequações ao longo do tempo já se deu de forma que a maioria das relações está consolidada entre o espécime vegetal e o entorno.

O ambiente está equalizado.

A ideia de preservar os adultos e os vigorosos também vale para além das vias públicas: vale para obras em terrenos públicos ou privados.

Lembre-se: árvores maduras devem permanecer porque são uma certeza. O seu contrário, substituí-las pelas jovens, gera meras possibilidades: sequer sabemos se irão se aclimatar. Não vingando, cria-se uma área exposta ao sol abrasador até então inexistente à sombra da anciã.

Conservar é orar pela salvação na catequese de quem defende o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, sustentável e essencial à sadia qualidade de vida.

Vila Gomes Cardim, em São Paulo, conta com área arborizada (Foto: Marcos Boldrin)

Sucesso. Sempre
_____
Marcos Boldrin
Ex-secretário municipal do Meio Ambiente e da Administração. Urbanista, arquiteto e coronel da reserva
@marcosboldrin
[email protected]

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