Alto índice de infestação do Aedes preocupa em Marília, aponta levantamento

Resultados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa), divulgados nesta quarta-feira (28), indicam um cenário ainda mais preocupante em janeiro deste ano do que o registrado no mesmo período de 2025.
O Índice Predial (IP) subiu de 3,3 de janeiro do ano passado para 3,9 agora no início de 2026, enquanto o Índice de Breteau (IB) apresentou um aumento ainda mais significativo, passando de 3,7 para 5,9.
O Índice Predial representa a porcentagem de imóveis visitados que apresentaram focos do mosquito, enquanto o Índice de Breteau mede o número de recipientes positivos para larvas a cada 100 imóveis inspecionados.

Os dados apontam risco real de surto de dengue e reforçam a possibilidade de a cidade enfrentar uma nova epidemia grave ao longo de 2026. Até agora, Marília contabiliza oito casos confirmados de dengue e outros 188 em investigação.
Em 2025, o município viveu uma das piores crises da doença, com 14.745 casos confirmados e 37 mortes, números que levaram à decretação de situação de emergência em saúde pública. Naquele ano, Marília foi a terceira cidade do Estado de São Paulo com mais óbitos provocados pela dengue.
De acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde, o Liraa é considerado satisfatório quando o índice é inferior a 1. Resultados entre 1 e 3,9 caracterizam situação de alerta, enquanto índices iguais ou superiores a 4 indicam risco de surto.
Com um IB em 5,9, Marília já se enquadra oficialmente na faixa de risco, superando inclusive os indicadores registrados no início de 2025.
O Liraa é uma ferramenta utilizada para medir o grau de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O levantamento é feito por amostragem, com equipes de saúde visitando imóveis sorteados em diferentes regiões da cidade para verificar a presença de larvas em recipientes que acumulam água, como vasos de plantas, caixas-d’água, calhas, ralos e descartes irregulares.

A elevação dos índices em relação ao ano passado indica que as condições para a proliferação do Aedes aegypti continuam favoráveis. Se, em 2025, indicadores mais baixos já resultaram em uma epidemia com milhares de casos e dezenas de mortes, o cenário atual reforça o risco de repetição ou até de agravamento desse quadro.
Com a combinação de calor intenso e chuvas típicas do verão, o histórico recente de epidemia, os índices elevados e o aumento das notificações colocam Marília em estado de atenção máxima.
Em nota, a Prefeitura de Marília pontua que o levantamento foi realizado entre os dias 12 e 27 de janeiro. “O IP de 3,9 classifica o município em situação de alerta, e a maior parte dos focos foi encontrada no interior das residências. A Secretaria Municipal da Saúde informou que vem intensificando as ações de combate à dengue em todas as regiões da cidade.”
A secretária municipal da Saúde, Paloma Libanio, afirma que “combate à dengue em Marília é prioridade absoluta e está sendo feito de forma integrada. Trabalhamos junto às secretarias de Serviços Públicos, Meio Ambiente e Educação, com ações contínuas de limpeza, conscientização das crianças por meio do aplicativo Click e atuação intensificada dos agentes de endemias, inclusive aos fins de semana.”
Ela diz ainda que a gestão implantou o Disque Dengue 150 para dúvidas e denúncias, “adotamos medidas mais rigorosas para quem não cuida do próprio quintal e estamos avançando na ampliação da faixa etária da vacinação, dentro dos critérios técnicos. A prevenção é coletiva, mas exige responsabilidade individual e ação firme do poder público para evitar uma nova epidemia.”