‘Estamos passando por um caos’, desabafa diretor das UPAs norte e sul

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) das zonas norte e sul de Marília registraram superlotação na manhã desta segunda-feira (16), após receberem 21 vítimas do acidente na rodovia Transbrasiliana (BR-153), que deixou ao menos seis mortos e dezenas de feridos durante a madrugada.
O diretor das unidades, Luiz Doretto, afirmou que o sistema enfrenta um cenário crítico. “Nós estamos passando por um momento de caos. Reforçamos a equipe com profissionais que não estavam de plantão para atender a todos”, declarou.
Segundo Doretto, o atendimento aos feridos ocorre justamente no dia da semana em que as UPAs costumam registrar o maior volume de procura. Ele explicou que, apesar do período de Carnaval, o fluxo seguiu dentro da normalidade, com maior concentração de pacientes na manhã de segunda-feira. “Houve segundas-feiras em que foram atendidas 520 pessoas”, informou.
Na madrugada, quando as vítimas começaram a chegar, as duas unidades apresentavam baixa demanda. Ao longo da manhã, no entanto, ambas ficaram superlotadas. Na UPA norte, três vítimas do acidente permaneciam no setor de emergência no início do dia. A maioria dos atendidos apresentava escoriações, e todos foram acomodados.
O diretor afirmou que a equipe comunicou previamente os pacientes sobre a priorização dos casos mais graves. “A gente já comunicou quem está na sala de espera que estaríamos atendendo as pessoas em situação mais grave. Todos serão atendidos, mas, em decorrência da situação, poderão esperar por horas”, disse. Ele reforçou que o critério de classificação por gravidade está mantido. “Nós não abrimos mão da identificação do atendimento por gravidade de cada caso.”
Durante a manhã, dois agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e policiais civis estiveram nas unidades para colher depoimentos das vítimas. As informações contribuirão para a investigação que apura as causas do acidente.
A superlotação nas UPAs das zonas norte e sul é recorrente e, em situações de emergência como a desta segunda-feira, amplia a pressão sobre o sistema. As unidades são administradas pela Associação Beneficente Hospital Universitário (ABHU).
O cenário reacende o debate sobre a necessidade de melhor distribuição dos pacientes na rede municipal, uma vez que as UPAs são destinadas ao atendimento de urgências e emergências, mas acabam absorvendo casos que poderiam ser encaminhados diretamente às unidades básicas de saúde.
Texto atualizado às 11h25