Violência repetida contra profissionais de enfermagem atinge 60% em Marília

A violência contra profissionais de enfermagem voltou ao centro do debate público em Marília após a divulgação de um levantamento do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), que aponta números alarmantes tanto no município quanto no Estado. Os dados indicam agressões recorrentes e silêncio por parte das vítimas, motivado pelo medo de represálias.
O cenário local é considerado grave. De acordo com o Coren-SP, 60,6% dos profissionais de enfermagem de Marília relataram ter sofrido violência mais de uma vez, enquanto 22,2% afirmaram enfrentar agressões com frequência. A maioria dos episódios envolve violência verbal, presente em 85% dos casos, seguida da psicológica, que atinge 66% dos trabalhadores, e da física, relatada por 12%.
Apesar da gravidade dos números, o dado mais preocupante é o alto índice de subnotificação. A pesquisa revela que 100% dos profissionais agredidos em Marília não denunciaram os casos, alegando medo de coação, retaliação institucional e risco de perder o emprego.
Mais de 80% dos profissionais já foram vítimas no Estado de São Paulo
A realidade enfrentada em Marília reflete o cenário estadual. O levantamento do Coren-SP mostra que mais de 80% dos profissionais de enfermagem em atividade no Estado de São Paulo já sofreram algum tipo de violência no exercício da função. Em nível estadual, 89% relataram violência verbal, 79% violência psicológica e 21% agressões físicas.
O estudo aponta ainda que sete em cada 10 episódios têm como autores pacientes ou acompanhantes. As principais motivações estão relacionadas à demora no atendimento, citada em 65,5% dos casos, à estrutura das instituições de saúde (55,3%) e à insatisfação com a assistência prestada (46,8%).
Assim como ocorre em Marília, o medo impede a formalização das denúncias no Estado. Cerca de 70% dos casos em São Paulo não são comunicados às autoridades, principalmente por receio de impunidade.
Para o Coren-SP, a violência contra a enfermagem não é um problema restrito às equipes, mas uma questão que afeta todo o sistema de saúde, resultando em aumento do absenteísmo, redução da capacidade assistencial e impacto direto na qualidade dos serviços oferecidos à população.
Com mais de 650 mil profissionais de enfermagem em atividade no Estado de São Paulo, o Conselho afirma que seguirá ampliando campanhas de prevenção, sensibilizando gestores e buscando estratégias que fortaleçam a proteção dos trabalhadores.
A entidade destaca que o enfrentamento da violência exige esforço conjunto de instituições públicas, unidades de saúde, gestores e da sociedade, para garantir ambientes de trabalho seguros e condições que permitam aos profissionais exercer sua função essencial com dignidade e segurança.