MN Logo

12 anos. Mais de 101 mil artigos.

  • Polícia
  • Marília
  • Garça
  • Pompeia
  • Oriente
  • Quintana
  • Regional
  • Tupã
  • Vera Cruz
  • Entrevista da Semana
  • MAC
  • Colunas
  • Anuncie
+ Notícias
qua. 20 ago. 2025
ÁGUA E ESGOTO

Fim da intervenção na RIC se aproxima e gera expectativa em Marília

Questão envolve contrato milionário e pode definir os rumos de Marília.
por Alcyr Netto
RIC Ambiental sofreu intervenção e pode ter concessão interrompida pela Prefeitura de Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A intervenção administrativa da Prefeitura de Marília na RIC Ambiental, responsável pelos serviços de água e esgoto no município, está prevista para se encerrar no dia 25 de agosto.

No entanto, ainda não há definição oficial sobre os próximos passos: a gestão municipal pode renovar a intervenção, devolver o controle à concessionária ou optar pelo rompimento contratual.

O prazo de 180 dias foi iniciado em 26 de fevereiro, quando a administração de Vinicius Camarinha (PSDB) assumiu o comando da empresa alegando graves falhas na execução do contrato de concessão.

O decreto que determinou a intervenção foi publicado no Diário Oficial, apontando “graves falhas na prestação de serviços” e “omissão absoluta” da entidade fiscalizadora — no caso, a Agência Municipal de Água e Esgoto de Marília (Amae), criada em setembro de 2024 a partir da transformação do extinto Daem.

A base jurídica do decreto é o artigo 32 da Lei 8.987/1995, que regula as concessões de serviços públicos e autoriza a intervenção do poder público “com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço”.

A legislação estabelece prazo de 180 dias para a medida, sem prever formalmente prorrogação. O corpo jurídico da Prefeitura, no entanto, interpreta que é possível a edição de um novo decreto, desde que acompanhado de justificativas detalhadas, o que na prática configuraria uma extensão do prazo.

O secretário de Administração, César Henrique da Cunha Fiala, foi nomeado interventor e lidera o processo desde então.

Justiça validou intervenção em duas instâncias

Administração municipal assumiu o comando da empresa alegando graves falhas na execução do contrato (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

A RIC Ambiental recorreu à Justiça com pedido de mandado de segurança, alegando ilegalidade do decreto. O Ministério Público manifestou-se a favor da empresa.

No entanto, o juiz Walmir Idalêncio dos Santos Cruz considerou válida a medida, entendendo haver indícios suficientes de falhas contratuais. Na decisão, o magistrado destacou que o saneamento é serviço essencial e que a responsabilidade final recai sobre o poder concedente — a Prefeitura —, e não sobre a Amae, responsável pela fiscalização.

A decisão foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Reunião pode selar destino da concessão

Enquanto a intervenção se aproxima do fim, cresce a expectativa em torno da posição oficial da Prefeitura. Fontes ouvidas pelo Marília Notícia afirmam que a tendência é pelo rompimento do contrato com a RIC Ambiental. Apesar disso, o tema é tratado com cautela, inclusive nos bastidores do Executivo.

Decreto que determinou a intervenção foi publicado no Diário Oficial do Município (Foto: Divulgação)

Uma reunião marcada para esta semana entre representantes da Prefeitura e da empresa deve ser decisiva para definir o futuro da concessão. Crítico do modelo firmado por seu antecessor, Daniel Alonso (PL), o prefeito Vinicius já declarou publicamente que defende um novo processo licitatório, com condições mais vantajosas ao município.

Relatório da FIA

A possibilidade de rescisão contratual se fortaleceu com a divulgação de um relatório técnico da Fundação Instituto de Administração (FIA), finalizado em 14 de julho. O documento pode se tornar peça central em eventual rompimento e possível disputa jurídica.

A análise aponta que o contrato firmado com a RIC Ambiental representa um prejuízo fiscal milionário e compromete o interesse público. Segundo o estudo, o modelo de concessão gera um prejuízo estimado em mais de R$ 55 milhões, com Valor Presente Líquido (VPL) negativo de R$ 55.789.786,00.

O VPL calcula perdas financeiras ao longo do tempo, considerando inflação e juros.

RIC Ambiental recorreu à Justiça com pedido de mandado de segurança (Foto: Divulgação)

Modelo é um dos menos vantajosos do Estado

A FIA sustenta que a estrutura contratual compromete o equilíbrio fiscal da Prefeitura e pode violar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Um dos pontos críticos é a divergência entre o valor estipulado no contrato (R$ 160 milhões, em 80 parcelas mensais) e o montante considerado no plano de negócios (R$ 168 milhões em sete anos), o que inflaria artificialmente a estimativa de receita.

Mesmo com 100% de cobertura em água e 72% em esgoto, Marília recebeu uma das menores outorgas per capita do país — R$ 670 por habitante —, abaixo de cidades como Olímpia (R$ 2.643), Ourinhos (R$ 2.434) e Pomerode (R$ 1.752).

Além da fragilidade contratual, o relatório critica a ausência de contrapartidas financeiras à Prefeitura. Toda a receita tarifária do sistema — estimada em R$ 110 milhões anuais (mais de R$ 3 bilhões em 35 anos) — é apropriada integralmente pela concessionária, sem partilha com o município.

Paralelamente, a Prefeitura segue arcando com obrigações do antigo Daem, como a folha de pagamento dos servidores remanescentes (cerca de R$ 1,9 milhão por mês), encargos previdenciários e passivos trabalhistas. Uma dívida de R$ 50 milhões com a CPFL, acumulada antes da concessão, também permanece sob responsabilidade municipal.

Futuro da concessão é tratado com cautela, inclusive nos bastidores do Executivo (Foto: Divulgação)

“O contrato não aliviou a folha de pagamento municipal, tampouco gerou margem fiscal para investimentos em outras áreas. Ao mesmo tempo, o município perdeu a fonte de arrecadação direta representada pelas tarifas”, afirma a FIA.

RIC em silêncio

A RIC Ambiental segue em silêncio oficial, mas fontes ligadas à empresa indicaram ao Marília Notícia que o clima interno é hoje de maior otimismo quanto a uma possível resolução negociada — após meses de incerteza, judicialização e tensão entre as partes.

A poucos dias do fim do prazo da intervenção, Marília se vê diante de uma encruzilhada decisiva. O desfecho — seja a retomada da concessão pela empresa, a edição de um novo decreto de intervenção ou a ruptura definitiva do contrato — terá impacto direto sobre a estrutura fiscal do município, a qualidade dos serviços de saneamento e a confiança da população no modelo adotado. Até lá, o impasse segue aberto.

Faça parte de nosso grupo de WhatsApp. Entre aqui!

Compartilhar

Mais lidas

  • 1
    Governo federal decreta desapropriação de fazenda de Gália para reforma agrária
  • 2
    Justiça autoriza Prefeitura a pagar verbas rescisórias de terceirizados
  • 3
    Polícia Federal prende suspeito de integrar grupo terrorista islâmico na região
  • 4
    Ex-funcionários da GF relatam dificuldades após fim do contrato

Escolhas do editor

DECISÃO JUDICIAL
Justiça autoriza Prefeitura a pagar verbas rescisórias de terceirizadosJustiça autoriza Prefeitura a pagar verbas rescisórias de terceirizados
Justiça autoriza Prefeitura a pagar verbas rescisórias de terceirizados
LIRAA
Alto índice de infestação do Aedes preocupa em Marília, aponta levantamentoAlto índice de infestação do Aedes preocupa em Marília, aponta levantamento
Alto índice de infestação do Aedes preocupa em Marília, aponta levantamento
ZONA RURAL
Município articula convênio para recuperar ponte rural em AvencasMunicípio articula convênio para recuperar ponte rural em Avencas
Município articula convênio para recuperar ponte rural em Avencas
GOVERNO DO ESTADO
Prefeitos da região relatam incômodo com Tarcísio; Marília mantém bom trânsitoPrefeitos da região relatam incômodo com Tarcísio; Marília mantém bom trânsito
Prefeitos da região relatam incômodo com Tarcísio; Marília mantém bom trânsito

Últimas notícias

Justiça autoriza Prefeitura a pagar verbas rescisórias de terceirizados
Trabalho escravo urbano supera meio rural e atinge 2,7 mil pessoas em 2025
Calor extremo: 3,8 bilhões de pessoas serão atingidas até 2050, diz estudo
Câmara: MP que cria Gás do Povo está na pauta no retorno aos trabalhos

Notícias no seu celular

Receba as notícias mais interessantes por e-mail e fique sempre atualizado.

Cadastre seu email

Cadastre-se em nossos grupos do WhatsApp e Telegram

Cadastre-se em nossos grupos

  • WhatsApp
  • Telegram

Editorias

  • Capa
  • Polícia
  • Marília
  • Regional
  • Entrevista da Semana
  • Brasil e Mundo
  • Esportes

Vozes do MN

  • Adriano de Oliveira Martins
  • Angelo Ambrizzi
  • Brian Pieroni
  • Carol Altizani
  • Décio Mazeto
  • Fernanda Serva
  • Dra. Fernanda Simines Nascimento
  • Fernando Rodrigues
  • Gabriel Tedde
  • Isabela Wargaftig
  • Jefferson Dias
  • Julio Neves
  • Marcos Boldrin
  • Mariana Saroa
  • Natália Figueiredo
  • Paulo Moreira
  • Ramon Franco
  • Robson Silva
  • Vanessa Lheti

MN

  • O MN
  • Expediente
  • Contato
  • Anuncie

Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial.
MN, Marília Notícia © 2014 - 2026

MN - Marília NotíciaMN Logo

Editorias

  • Capa
  • Polícia
  • Marília
  • Regional
  • Entrevista da Semana
  • Brasil e Mundo
  • Esportes

Vozes do MN

  • Adriano de Oliveira Martins
  • Angelo Ambrizzi
  • Brian Pieroni
  • Carol Altizani
  • Décio Mazeto
  • Fernanda Serva
  • Dra. Fernanda Simines Nascimento
  • Fernando Rodrigues
  • Gabriel Tedde
  • Isabela Wargaftig
  • Jefferson Dias
  • Julio Neves
  • Marcos Boldrin
  • Mariana Saroa
  • Natália Figueiredo
  • Paulo Moreira
  • Ramon Franco
  • Robson Silva
  • Vanessa Lheti

MN

  • O MN
  • Expediente
  • Contato
  • Anuncie