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Brasil e Mundo
sáb. 27 jan. 2024
SÃO SEBASTIÃO

Drones com sementes de árvore vão recuperar áreas de deslizamento de terra

Começo do projeto que pretende restaurar parte dos 200 hectares de mata atlântica devastados.
por Folhapress

Quase um ano após os temporais que devastaram a Barra do Sahy, no litoral norte de São Paulo, e pouco antes das novas chuvas que fizeram a prefeitura acionar sirenes, uma cena simbolizou espécie de recomeço para o município. Sob céu ensolarado de janeiro, um drone levantou voo da praia e despejou sementes de árvores nativas em 1 dos 851 deslizamentos de terra da serra do Mar.

É o começo do projeto que pretende restaurar parte dos 200 hectares de mata atlântica devastados pelas chuvas que ceifaram a vida de 64 pessoas em fevereiro de 2023.

“Foi uma tragédia humana e ambiental”, diz Fernanda Carbonelli, diretora-executiva do Instituto Conservação Costeira (ICC), dedicado à preservação ambiental na região. “Tivemos dimensão do estrago seis meses depois e, agora, a esperança se renova com essas sementes.”

A advogada estava na linha de frente do Instituto Verdescola, ONG que se tornou base para resgate de vítimas na noite da catástrofe na Vila Sahy.

No ICC, Fernanda articulou o projeto em parceria com a Fundação Florestal de São Paulo, que abriu chamamento público em março para mitigar os impactos da tragédia. Uniram-se a eles a Atlântica Consultoria Ambiental e a Ambipar Group, que fizeram diagnósticos e testes durante o ano.

A iniciativa pioneira usa drones elétricos, inteligência artificial e cápsulas biodegradáveis para reflorestar áreas de difícil acesso e alta declividade na costa sul de São Sebastião, onde estão Baleia, Barra do Sahy, Boiçucanga, Juquehy, Jureia, Toque-Toque e ilhas.
É uma união entre humanos e máquinas em prol do meio ambiente. “A equipe se posiciona bem próxima ao deslizamento, em uma cabana com transmissão a rádio e monitores”, afirma Gabriel Estevam, diretor de inovações da Ambipar que acompanhou a largada inicial nesta semana em São Sebastião.
O plantio é acompanhado por um software de inteligência artificial que mapeia as altitudes do terreno, mede a temperatura do solo e estabelece um plano de voo com os pontos exatos de semeadura.
“Não é simplesmente você pegar um drone e jogar as sementes”, afirma Estevam.
A empresa de gestão ambiental desenvolveu a biocápsula com sobras de colágeno de indústrias farmacêuticas. Processada em laboratório, ela recebe um mix de sementes de árvores –muitas de cooperativas caiçaras– e adubo orgânico feito com resíduo da indústria de papel e celulose.
Um invólucro a protege contra insetos e, ao entrar em contato com água, a biocápsula se dissolve e libera um gel nutritivo que favorece a germinação.
“Em um vôo, o drone consegue semear 20 mil sementes em um hectare”, diz Gabriel Estevam. “Sempre há perdas, natureza é isso, mas plantamos perto da janela de chuva e acredito que, em quatro ou cinco meses, já vamos ver a cobertura vegetal.”
O projeto prevê mais de 1,2 tonelada de sementes na região a ser restaurada. Quem vem primeiro são as chamadas “espécies pioneiras”, plantas arbustivas que conseguem se desenvolver em áreas adversas.
Entre elas, araticum, guapuruvu, embaúba, pau-viola e babosa-branca, espécies da mata atlântica indicadas pela Fundação Florestal de São Paulo, ente responsável pelas unidades de conservação estaduais, para a primeira cobertura do solo.
“O deslizamento de encosta é um fenômeno da serra do Mar, que se regenera naturalmente, mas neste caso, frequente no litoral norte e na Baixada Santista, foi agravado pela ocupação irregular das encostas e pelos efeitos climáticos”, diz Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da fundação.
Segundo ele, a iniciativa em São Sebastião levou a uma evolução de entendimento do processo de restauração ambiental, que costuma seguir outra lógica. O uso do drone barateia e dá escala em um contexto de eventos recorrentes de mudanças climáticas.
“O projeto tem uma simbologia importante, a de entrarmos definitivamente no século 21 em termos de restauração ambiental”, diz Levkovicz. “Mas o mais importante é a sociedade ver que a vegetação está voltando, é o início de um processo de cura da tragédia que assolou o litoral.”
O projeto com duração de três anos tem custo de R$ 3,5 milhões, financiado em grande parte pela Concessionária Tamoios e ainda por pessoas físicas e jurídicas mantenedoras do Instituto Conservação Costeira.
Em nota, a Tamoios diz que o projeto “utiliza os elementos da própria natureza associado a tecnologia de ponta para proteger as encostas e trazer maior segurança para a população de São Sebastião.”
A proposta do ICC, caso haja novos recursos, é de estender a iniciativa em mais dois anos para ações de monitoramento.

***

POR GABRIELA CASEFF

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