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Brasil e Mundo
qui. 07 jan. 2016

População age no lugar da polícia no Distrito Federal

por Amanda Brandão

20160105225007

Em menos de uma semana, dois casos violentos ocorridos em Santa Maria reacenderam as discussões sobre os cidadãos que reagem à criminalidade fazendo “justiça” com as próprias mãos. A primeira ocorrência foi registrada no dia 25 de dezembro, enquanto a maioria das famílias comemoravam o Natal. Na cena, um suspeito de roubar uma bicicleta é espancado e deixado desmaiado próximo ao posto de combustível da Quadra 106, de Santa Maria Sul.

Três dias depois, em uma tentativa de assalto em uma parada de ônibus na Quadra 204 de Santa Maria Sul, um adolescente de 17 anos foi rendido e agredido por populares até a chegada da Polícia Militar. Segundo informações da Divisão de Comunicação da Polícia Civil do DF, nos dois casos, os menores foram levados ao Hospital Regional de Santa Maria e, de lá, encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).

Polêmica

Os dois vídeos que circulam nas redes sociais geraram polêmica e dividem opiniões. Um internauta com os atos: “Uma ótima notícia para começar o dia. Passou da hora de a população dar um freio nesses marginais. Lugar de bandido é na cadeia ou no cemitério”, afirmou. No Facebook, mais gente aprova a atitude. “Que bom que a justiça foi feita, já que o poder público não faz nada mesmo!”, comentou outra. “Bem feito! Temos que agir por conta porque não temos segurança”, disse uma mulher.

Mas as duas situações também provocaram revolta. “Quando vejo uma pessoa agredindo outra, não consigo identificar quem é o criminoso”, questionou outro. “Se conseguiram render o criminoso, ótimo. Mas não precisa espancar. Isso nem a polícia deve fazer!”.

Apesar de não concordar com o dito “olho por olho e dente por dente”, uma internauta diz entender a motivação da população. “Estamos acuados, sem segurança nem confiança na Justiça. As pessoas estão exaustas e reagem dessa maneira. Eu não sei o que faria em uma situação dessas, mas consigo compreender a revolta”, relata.

Alguns casos de “justiça com as próprias mãos” tiveram repercussão nacional. Um deles, em julho de 2015, foi o de um homem amarrado a um poste e espancado até a morte por um grupo de pessoas em São Luís (MA), suspeito de assalto. Populares rasgaram suas roupas, arremessaram-lhe pedras e garrafas e o golpearam até que uma hemorragia o matasse. Em maio de 2014, uma mulher foi linchada no Guarujá por pessoas que a confundiram como praticamente de “magia negra” após multiplicação de um boato pelo Facebook.

Fonte: IG

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