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Marília
sex. 05 jun. 2015

Idosa com fêmur quebrado aguarda cirurgia há duas semanas

por Marília Notícia
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Lourdes Witzel está com o fêmur quebrado há duas semana e aguarda cirurgia

A crise financeira do Hospital das Clínicas e demais unidades do Complexo Famema, piora a cada dia e tem afetado milhares de pessoas em toda a região de Marília.

Um dos símbolos da fase absurda pela qual passa a saúde pública e do caos instalado no hospital, é a aposentada Lourdes Witzel, de 78 anos. Lourdes quebrou o fêmur em um acidente doméstico no último dia 24 de maio e desde então está internada no HC no aguardo de uma cirurgia para reparar a lesão.

Segundo médicos ortopedistas ouvidos pela reportagem, a cirurgia deveria ser feita o mais rápido possível, no máximo dois dias após o acidente. A aposentada precisa de uma prótese específica para a operação, mas a direção do hospital alega que não tem o material necessário.

“Essa cirurgia não sai e eu fico aqui tomando remédio para passar a dor. Inclusive prejudica todo meu organismo o tanto de coisa que eu tomo. A dor é insuportável. Dói demais”, conta a paciente, que inclusive já começou a criar feridas pelo corpo, devido ao longo tempo em que está acamada.

“A situação está terrível. É muito tempo esperando por uma coisa grave. E se ela pega uma infecção? Está muito complicado”, diz Maria Toloto, amiga de Lourdes que passou algumas noites no hospital como acompanhante.

Falta dinheiro

Segundo o hospital, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) repassou ao Complexo Famema em 2015 exatamente R$ 14.400.000,00. Entretanto, deveria ter repassado R$ 18 milhões até maio deste ano, conforme pactuado no convênio nº 05/2015, publicado no Diário Oficial do Estado no dia 20 de fevereiro.

“Falta uma parcela do convênio, no valor de R$ 3.600.000,00, que não foi repassada. Além desse valor, o reajuste de 6,08% concedido aos funcionários do Complexo Famema em 2014 deixou de ser repassado em 2015. O impacto do reajuste salarial na folha de pagamento da Instituição é de R$ 712.000,00 mensais. Portanto, nestes primeiros cinco meses do ano, o montante do reajuste salarial não repassado chega a R$ 3.560.000,00, mais os encargos referentes a férias. Esses valores confirmam que o déficit financeiro do Complexo Famema atualmente é de R$ 8 milhões referentes aos convênios pactuados com a Instituição e valores que não foram repassados”, disse a instituição em nota.

Ainda segundo a direção da Famema, a prioridade adotada foi o pagamento de salários aos funcionários (atualmente cerca de 2.400). Com os cortes nos repasses financeiros, outros compromissos do Complexo Famema estão atrasados, suspensos ou prorrogados, como serviços terceirizados, locações de imóveis e aquisição de insumos.

Com o corte no custeio assistencial, as empresas terceirizadas nas áreas de anestesiologia e radioterapia, por falta de pagamento pela Instituição, deixaram de prestar serviços. O dinheiro também falta para a compra de insumos. Apenas os considerados de necessidade urgente são comprados, mas os pagamentos negociados.

Governador Geraldo Alckmin anuncia investimentos para o hospital das clínicas

Estudantes acusam direção de forçar a situação para criação de uma OSS

Atendimento prejudicado

O hospital cancelou cirurgias, reduziu os atendimentos de urgência e emergência, bloqueou leitos, entre eles da UTI pediátrica e UTI neo natal, diminuiu para meio período a coleta de sangue no hemocentro, reduziu pela metade o agendamento de consultas e suspendeu exames.

A reportagem do Marília Notícia conversou com alguns médicos e funcionários do hospital, que preferiram não se identificar com medo de represálias. “Não temos quase nada, de gaze a antibiótico, faltam as coisas mais básicas para trabalhar”, disse um médico.

A reportagem também apurou, que em dias considerados normais, somente na ortopedia são realizadas entre 10 e 12 cirurgias. Com a atual situação o número caiu para no máximo duas por dia.

Dona Lourdes, do começo da reportagem, ainda luta para conseguir sua cirurgia, mas nada foi confirmado até agora. A paciente usa lençol, travesseiro e cobertor da família para se ter uma ideia. Enquanto aguarda, a paciente corre sérios riscos de complicações de saúde.

O atendimento no local tem provocado diversos depoimentos nas redes sociais, como o da jornalista Juliana Pineda: “A saúde de Marília está jogada às traças, se alguém me perguntar o que eu peço a Deus todos os dias eu respondo sem medo: peço por saúde, não a minha mas pela saúde do meus familiares e todos aqueles que dependem do SUS. Não temos pra onde ir, não temos pra onde correr! Minha sogra estava na enfermaria do HC há 2 dias esperando uma cirurgia, estava sem comer, sem banho mas ela ainda tinha um canto, porque muitos ali estavam no corredor. Falo isso porque vi com meus próprios olhos. Nesse período que minha sogra ficou lá, vários médicos estiveram de plantão mas eles não decidiam o que iam fazer com ela, um falava em cirurgia, o outro falava que não era necessário enquanto isso ela sofrendo com dor. Foi preciso “dar um louco” lá dentro para que eles tomassem atitude e finalmente realizassem a cirurgia na minha sogra. Mas e quantos já morreram naquele lugar nos corredores, quantos foram pra casa sem atendimento. Enfim, o que eu quero dizer é que o mundo está de ponta cabeça, não temos saúde pública nesse país, os pobres que dependem daquele hospital estão morrendo nos corredores. Aí eu me pergunto, o que vai ser de nós? Misericórdia meu Deus”, escreveu Juliana.

Estudantes x Direção

Para o Diretório Acadêmico (Daca) dos estudantes de medicina da Famema, a crise não passa de um teatro. A situação seria supostamente usada como justificativa para a criação de uma OSS (Organização Social de Saúde) para gerenciar o Hospital das Clínicas.

“A Direção da Famema em conjunto com o Governo do Estado estão trabalhando para gerar a circunstância que justifique a criação de uma Organização Social para gerir o HC”, disse o Daca em comunicado.

A reportagem do Marília Notícia conversou com alguns funcionários que confirmam a versão dos estudantes. Já o hospital, nega veementemente o fato: “Não existe qualquer estudo, portanto não há possibilidade de implantação de uma OSS – Organização Social de Saúde. O que existe é aguardar os trâmites do processo de autarquização (HC Famema) e todas as medidas administrativas relacionadas a ele” enfatiza a direção.

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Pacientes ficam ‘jogados’ nos corredores / Foto: Arquivo

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