Carla Farinazzi está no décimo ano como diretora da Câmara de Marília (Foto: ALcyr Netto/Marília Notícia)
Com quase três décadas de atuação no serviço público, a servidora Carla Farinazzi construiu uma trajetória marcada pela experiência administrativa e pelo acompanhamento direto da rotina legislativa municipal. Desde sua entrada na Câmara, em 1997, percorreu diferentes funções até chegar à direção, acumulando conhecimento sobre o funcionamento interno do Legislativo e suas transformações ao longo do tempo.
Formada em Direito, Carla alia a formação acadêmica à prática cotidiana para orientar procedimentos e dar suporte técnico aos vereadores. Ao longo dos anos, participou de processos importantes, como a implantação de novos modelos de licitação e a organização dos trabalhos em plenário, consolidando-se como peça fundamental na engrenagem administrativa da Casa.
A diretora da Câmara dos Vereadores de Marília relembra mudanças no ambiente político, desafios da gestão e episódios marcantes vividos no Legislativo mariliense, além de refletir sobre o papel dos vereadores e a evolução do trabalho legislativo diante de novas exigências de transparência e fiscalização.
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MN – Há quanto tempo você atua na Câmara Municipal e como foi o início?
Carla Farinazzi – Estou aqui há quase 30 anos. Entrei em 1997, na função de escriturária, cargo que mantenho até hoje, embora atualmente ocupe uma função comissionada. Ao longo desse período, passei por diversas áreas. Tive gratificação na parte de requerimentos e indicações, fui presidente da comissão de licitação e também atuei como pregoeira, sendo responsável por implantar o pregão na Câmara. Depois, fui coordenadora de plenário e hoje atuo como diretora.
MN – Qual é a sua formação acadêmica e isso ajuda no dia a dia da Câmara?
Carla Farinazzi – Sou formada em Direito. Cheguei a trabalhar em um escritório e fiz estágio por três anos no início da faculdade, mas engravidei muito cedo e, logo depois, passei no concurso da Câmara. O estágio me fez gostar da advocacia, mas, depois que entrei aqui, me encontrei. Ter essa base jurídica é muito importante para orientar os vereadores sobre o que pode ou não ser feito.
MN – Hoje você atua na direção da Câmara. Há quanto tempo está nesse cargo e qual é a parte mais difícil do trabalho?
Carla Farinazzi – Este é o meu décimo ano como diretora. A parte mais difícil é a administração da Câmara, especialmente a gestão de pessoal e o suporte aos vereadores diante de tantas regras que existem hoje.
Antigamente, as coisas eram mais simples, mas hoje há fiscalização do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da própria sociedade, por meio das redes sociais. É preciso estar muito atento para conduzir esse poder, pelo qual tenho muito respeito.
MN – Como era o clima no plenário antigamente em comparação com o cenário atual?
Carla Farinazzi – Quando entrei, havia 21 vereadores e os debates eram muito acalorados. Nos meus primeiros oito anos, eu não saía antes da meia-noite. Muitas sessões iam até 2h30 ou 3h da manhã, e ainda eram convocadas sessões extraordinárias na sequência. Hoje é mais tranquilo. O alinhamento entre os poderes permite que o trabalho flua de forma mais pacífica, quase sem conflitos.
MN – É difícil quando chega um vereador sem experiência?
Carla Farinazzi – No começo, há muita dificuldade. Independentemente do partido, é um processo desafiador. A função é bem diferente do que alguns imaginam. Às vezes, o vereador acredita que pode fazer muita coisa, mas acaba percebendo limitações. Alguns até se decepcionam.
O primeiro ano de uma legislatura é sempre difícil. Este ano foi particularmente desafiador para nós, com o aumento no número de cadeiras e a chegada de muitas pessoas novas, inclusive nas equipes.
MN – Vivenciando tudo isso de perto, como você avalia o papel do vereador?
Carla Farinazzi – Tenho muito respeito pelo trabalho deles, porque o vereador é o agente político mais próximo da população. Já vi vereadores ajudarem a salvar vidas. Em casos de internação ou problemas graves em casa, a intervenção deles pode ser decisiva. Muitos chamam isso de assistencialismo, mas, para quem está passando fome ou não consegue pagar uma conta de luz, o importante é que alguém busca uma solução.
MN – Como é, na direção administrativa, lidar com vereadores de correntes políticas diferentes?
Carla Farinazzi – O segredo é entender o jogo político e o papel de cada um. Quando você compreende que alguns fazem parte da base do prefeito e outros são oposição, e que todos estão cumprindo suas funções, fica mais fácil. Não levo para o lado pessoal e procuro ajudar todos da mesma forma, independentemente do posicionamento político.
MN – Com essa convivência diária com a política, você já pensou em se candidatar?
Carla Farinazzi – Apenas em tom de brincadeira. Uma vez, um ex-presidente comentou que eu poderia ser candidata ao ver quantas pessoas me cumprimentavam no mercado. Mas nunca pensei nisso.
Acredito que minha missão é outra: dar suporte técnico, coordenar equipes e contribuir com a sociedade por meio do meu trabalho interno.
MN – Sobre a estrutura física da Câmara, o prédio atual atende às necessidades?
Carla Farinazzi – O espaço é pequeno e os gabinetes são bastante reduzidos. O plenário é muito bonito, não vejo outro parecido, mas também é limitado e comporta cerca de 80 pessoas. Já alugamos uma casa em frente para abrigar a TV Câmara e outros setores, porque hoje temos mais de 60 funcionários e não há possibilidade de expandir o prédio atual.
MN – Existe alguma perspectiva de mudança?
Carla Farinazzi – Tivemos um projeto interessante durante a pandemia para construir um prédio sob medida em um terreno, no modelo de aluguel, em que o imóvel passaria para a Câmara após 30 anos, sem custos de obra.
No entanto, a proposta não foi bem compreendida por alguns grupos. Usaram o argumento da pandemia e o projeto não avançou, apesar de ser um grande objetivo de quem trabalha aqui.
MN – Como foi o impacto da pandemia no trabalho da Câmara?
Carla Farinazzi – Foi um período muito difícil. Passamos a realizar sessões online, cada um de sua casa, enquanto recebíamos notícias constantes de mortes. Muitas pessoas vinham até a Câmara em desespero, buscando ajuda dos vereadores após perderem a renda e ficarem impedidas de trabalhar. Internamente, também foi um momento delicado, especialmente quando o então presidente, Rezende, contraiu Covid-19 e ficou meses incomunicável. Não sabíamos quando ele retornaria. Felizmente, ele se recuperou.
MN – Ao longo desses anos, você presenciou situações graves durante as sessões?
Carla Farinazzi – Sim, já houve episódios marcantes. Em 2006, durante uma votação tensa sobre o aumento do IPTU, houve uma briga entre um vereador e um sindicalista, e uma pessoa foi espancada dentro do plenário. Foi uma confusão generalizada e saímos escoltados pela polícia. Mais recentemente, em 2021, na votação da reforma da previdência, o clima voltou a ficar tenso, semelhante ao da Assembleia Legislativa. Manifestantes tentaram invadir o plenário, quebraram a mureta e arremessaram ovos, que acabaram me atingindo por efeito colateral. Precisei trocar de roupa ao chegar em casa e, depois, limpar e higienizar todo o carpete do plenário. A votação sobre o rodeio também foi bastante difícil, e já houve até briga entre vereadores que terminou com a sessão sendo encerrada na delegacia.
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