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Quando poder é confundido com direito: o que a Psicologia revela sobre relações marcadas por controle

Vanessa Lheti é psicóloga clínica e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Prática Baseada em Evidências (Foto: Divulgação)

Casos recentes expõem uma dinâmica que, embora extrema, não é isolada: a associação entre domínio, superioridade e suposto direito sobre outra pessoa dentro de um vínculo afetivo.

Em discursos desse tipo, surge uma lógica recorrente: quem sustenta financeiramente passa a se enxergar como alguém autorizado a exigir, determinar e controlar.

Essa construção não representa apenas opinião individual.
Reflete um sistema de crenças que distorce a própria ideia de relacionamento.

Mensagens que teriam sido trocadas entre tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa morta (Reprodução: Divulgação)

A Terapia Cognitivo-Comportamental demonstra que ações não são produzidas diretamente por acontecimentos, mas pelas interpretações construídas a partir deles.

Quando alguém acredita que contribuição material define hierarquia, essa crença organiza percepção, linguagem e comportamento.

Ideias como:

  • Provisão financeira legitima autoridade
  • Proximidade implica disponibilidade irrestrita
  • Vínculo implica obrigação
  • Posição econômica define valor

funcionam como estruturas cognitivas rígidas.

Mensagens que teriam sido trocadas entre tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa morta (Reprodução: Divulgação)

O problema não está apenas na conduta visível.
Está na forma como a realidade é interpretada.

Dentro desse tipo de funcionamento, ocorre uma distorção relevante: a transformação de um encontro entre duas pessoas em um sistema de poder.

O vínculo deixa de ser espaço de reciprocidade.
Passa a operar como relação hierárquica.

Nesse contexto, surgem padrões como:

  • Vigilância constante
  • Desqualificação progressiva
  • Imposição de regras unilaterais
  • Redução de autonomia
  • Linguagem que reforça superioridade
Mensagens que teriam sido trocadas entre tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa morta (Reprodução: Divulgação)

Esses elementos não representam cuidado.
Representam controle.

A Psicologia Baseada em Evidências diferencia claramente proximidade de domínio.

Relacionamentos saudáveis são construídos sobre três pilares fundamentais:

  • Autonomia
  • Respeito
  • Reciprocidade

Quando qualquer um desses elementos é substituído por obrigação, medo ou imposição, a qualidade do vínculo se altera.

Mensagens que teriam sido trocadas entre tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa morta (Reprodução: Divulgação)

Outro ponto central envolve o uso da linguagem.

Palavras não são neutras.
Termos que reforçam superioridade, posse ou hierarquia consolidam interpretações rígidas.

Na TCC, linguagem é compreendida como extensão do pensamento.

Quando alguém adota um vocabulário que legitima domínio, está fortalecendo um padrão cognitivo que dificulta revisão e mudança.

Casos que ganham visibilidade pública não devem ser analisados apenas pelo desfecho.

Eles evidenciam mecanismos que, em intensidades diferentes, podem aparecer em relações cotidianas.

A diferença não está apenas no conteúdo.
Está na frequência, intensidade e ausência de limites claros.

Por essa razão, o debate precisa ir além da indignação momentânea.

É necessário ampliar alfabetização emocional e relacional.

Isso envolve:

  • Identificar sinais de controle disfarçados de cuidado
  • Reconhecer crenças rígidas sobre papéis dentro do vínculo
  • Diferenciar responsabilidade de submissão
  • Sustentar limites mesmo diante de pressão
  • Compreender que contribuição material não define autoridade emocional

Essas habilidades reduzem risco de escalada comportamental.

A Psicologia não existe para justificar comportamentos destrutivos.
Existe para compreender processos que os antecedem e ampliar possibilidades de prevenção.

Relacionamentos não são contratos de poder.
São espaços de convivência entre indivíduos com igual dignidade.

Quando essa base se perde, o vínculo deixa de ser saudável.

Refletir sobre casos dessa natureza não significa explorar sofrimento.
Significa reconhecer que padrões de controle e desvalorização não surgem de forma abrupta.

Eles se constroem, se repetem e, quando não encontram limite, podem evoluir.

Responsabilidade emocional não se restringe à comunicação.
Inclui reconhecer que nenhuma pessoa possui direito sobre escolhas, corpo ou autonomia de outra.

Esse princípio é fundamental, psicológico, ético e relacional.

Casos extremos mobilizam atenção coletiva.
O que define maturidade social é a capacidade de transformar atenção em compreensão.

Sem aprofundamento, resta apenas reação.
Com análise técnica, abre-se espaço para prevenção.

***

Vanessa Lheti é psicóloga clínica (CRP 06/160363) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Prática Baseada em Evidências.

Os atendimentos psicológicos online podem ser agendados pelo WhatsApp (18) 9 9717-7571.

Mais informações podem ser obtidas no Instagram @psicovanessalheti ou pelo site.

Vanessa Lheti

Psicóloga clínica especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental e prática baseada em evidências com foco em liberdade emocional e relacionamentos saudáveis.

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