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5, abr / 2025, 6:33h Bom dia
A verticalização nas cidades é uma tendência que reflete, não apenas o crescimento urbano, mas também a transformação nos hábitos e comportamentos da população. Em Marília, à medida que mais pessoas optam por apartamentos em vez de casas, essa mudança se torna evidente. Esse fenômeno vai além de uma preferência estética ou social, sendo uma resposta prática às novas demandas geradas pelo crescimento e urbanização das cidades, refletindo-se em mais qualidade de vida.
Historicamente, cidades do interior de São Paulo, especialmente aquelas com mais de 200 mil habitantes, têm seguido um padrão de urbanização similar. Existe uma implantação inicial voltada para a igreja central, catedral ou praça, e as áreas urbanas foram se expandindo, resultando em novos loteamentos. Essa expansão territorial trouxe desafios significativos, com o fornecimento de infraestrutura básica, como água e esgoto, a longas distâncias.
Em Marília foi assim: à medida que a cidade se expandiu, foram surgindo loteamentos fechados que oferecem segurança e exclusividade. Contudo, esse formato de crescimento resulta em uma desconexão aos principais centros urbanos. Com a escassez de grandes áreas disponíveis e acessíveis nas áreas mais centrais, a verticalização emerge como uma solução necessária. Esta mudança de novos formatos imobiliários do mercado é uma necessidade urbana que visa aproximar as pessoas de onde elas realmente vivem, trabalham e estudam. Na verdade, é oferecer praticidade, segurança e lazer – tudo em um único local.
Marília, com seus 96 anos de história, destaca-se como uma cidade jovem e dinâmica, especialmente quando comparada a cidades vizinhas como Bauru e Ribeirão Preto. Enquanto Bauru tem 128 anos e Ribeirão Preto 168, Marília está aproveitando seu potencial jovem, mas de crescimento rápido, impulsionado por uma forte base industrial e uma reputação como a “capital do alimento”. Essa singularidade posiciona Marília como uma cidade em plena evolução, capaz de se adaptar às demandas de sua população.
A geografia de Marília, caracterizada por uma formação geológica única, permite que a cidade cresça verticalmente, aproveitando seus “braços” ou megabairros (como chamamos aqui), que possuem centros urbanos próprios com serviços variados. À medida que os prédios começam a surgir nesses bairros, a verticalização não se limita a um único ponto, mas se espalha por toda a cidade, atendendo tanto à demanda por habitação popular quanto a empreendimentos de alto padrão.
Hoje, a população está buscando ambientes mais seguros e confortáveis, com comodidade e acesso a serviços. Essa mudança no comportamento habitacional é impulsionada por um desejo crescente de qualidade de vida, refletindo uma transformação social, econômica e cultural. Os novos empreendimentos residenciais estão sendo projetados para atender a essas necessidades, oferecendo não apenas apartamentos, mas também áreas comuns que promovem a convivência e o bem-estar em uma espécie de home resort.
A verticalização em Marília é, portanto, um reflexo das mudanças no comportamento da população e uma resposta aos desafios da urbanização. Com mais de 230 mil habitantes, a cidade está experimentando um crescimento acelerado e a tendência de optar por apartamentos continuará a moldar seu futuro. À medida que a verticalização avança, Marília se destaca como um exemplo de adaptação e inovação no cenário da construção civil e desenvolvimento urbano, visando sempre a melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos.
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Brian Pieroni é engenheiro e diretor da Bild Desenvolvimento Imobiliário e Vitta Residencial em Marília