A pandemia trouxe consigo um número incalculável de problemas das mais diferentes formas. Como cirurgião especialista em cabeça e pescoço, fui muito questionado neste período por familiares que estão com pacientes graves em UTI e precisaram passar por uma traqueostomia.
Dos infectados pela Covid-19, que desenvolveram a forma grave da doença, até 15% podem precisar de ventilação mecânica invasiva ou, em menor proporção, a membrana de oxigenação extracorpórea (ECMO), aparelho que ficou famoso por conta do ator Paulo Gustavo.
A necessidade de suporte ventilatório costuma ser prolongada, em média 21 dias, portanto, muitos serão candidatos à traqueostomia. Também conhecido como TQT, o procedimento cirúrgico tem como objetivo dar ao paciente uma possibilidade para respirar.
Com o aumento do número de casos em que os pacientes não têm conseguido respirar devido ao alto comprometimento das vias aéreas, muitos profissionais da saúde têm tomado a difícil decisão de submetê-los à traqueostomia.
Vale pontuar que este procedimento é indicado quando há acúmulo de secreção traqueal, inativação da musculatura respiratória ou para promover uma via aérea estável em paciente com intubação traqueal prolongada.
Caso contrário, a aplicação incorreta da TQT pode levar o paciente a desenvolver outras patologias ou quadros ainda mais severos, que podem resultar na morte.
A traqueo, como é popularmente conhecida, serve para:
A única contraindicação é para pacientes que tenham alteração homeostática, ou seja, quando o organismo não consegue estancar o próprio sangramento por exemplo.
A TQT pode ser dividida entre várias finalidades: preventiva (para complementar outros procedimentos cirúrgicos), curativa (situação onde assegura a manutenção da via aérea) e paliativa (para conforto respiratório).
Para realizar o procedimento, o médico especialista realiza uma incisão na traqueia (entre as clavículas). Em seguida, é inserido um tubo de plástico, borracha ou metal (cânula), que gera um canal de passagem de ar.
Quanto ao tempo apropriado para a realização, pode ser tanto de urgência como eletiva. Em relação à permanência, ela pode ser temporária ou definitiva.
Se realizada com as técnicas adequadas e profissionais especializados para evitar complicações, a traqueo é um procedimento capaz de promover inúmeros benefícios aos pacientes, pois facilita:
Como qualquer outra intervenção, a TQT também precisa de cuidados pós-procedimento, que na maioria dos casos são realizados pela própria unidade de saúde em que os pacientes estão internados.
A troca da cânula somente pode ser planejada após sete a dez dias da operação inicial e deve incluir todo equipamento de proteção individual (EPI), apneia e supressão do reflexo de tosse.
No caso do paciente infectado com a Covid-19, alguns médicos indicam a troca apenas após a negativação viral. Já a decanulação depende de protocolos de cada instituição, mas deve ser acompanhada por equipes de fisioterapia e fonoaudiologia.
Mais Informações podem ser obtidas no CIOF do Hospital Beneficente Unimar, através dos telefones (14) 3306-2979 e (14) 2105-4697 ou no Instituto Multidisciplinar de Marília (INMULTI), pelo telefone (14) 3433-6198.
Até a próxima!
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Dr. Levy Figueiredo é médico-cirurgião especialista em cabeça e pescoço (CRM-SP 156210/RQE 81592)
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