Polícia

Justiça classifica como ‘temerária’ soltura de PM preso no rodeio

Vítima, Hamilton era técnico agrícola em uma empresa de celulose com unidade na região (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por meio da 2ª Vara Criminal de Marília, publicou nova decisão no processo criminal que apura a morte do técnico agrícola Hamilton Olímpio Ribeiro Júnior, de 29 anos, além de ferimentos em outras duas pessoas, durante a festa de peão em Lácio. Para o juiz do caso, seria “temerário” conceder liberdade provisória ao réu, o policial militar Moroni Siqueira Rosa, de 37 anos.

A negativa de liberdade aponta que a prisão é “necessária para garantir a ordem pública e a condução adequada do processo”. O juiz Paulo Gustavo Ferrari destacou que o contexto do crime agrava a situação.

“Um delito de homicídio praticado por policial militar, utilizando a arma da corporação, sem motivos aparentes, no interior de uma festa de grandes proporções, em que o flagranciado estava embriagado e que resultou em ferimento de terceiros,” escreveu o magistrado.

Moroni Siqueira Rosa atirou na vítima quando ela estava de costas (Foto: Reprodução)

DENÚNCIA

De acordo com a peça de acusação apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), assinada pelo promotor Rafael Abujamra, Moroni estava consumindo bebida alcoólica e portava sua arma de serviço, uma pistola Glock .40, no momento do crime.

O episódio começou com um esbarrão entre o PM e Hamilton, evoluindo para uma discussão. Motivado por uma reação desproporcional, o policial disparou contra a vítima, atingindo-a três vezes frontalmente e, após tentativa de fuga, mais uma vez pelas costas.

Os disparos, realizados em meio a uma multidão, colocaram outras pessoas em risco. Ainda segundo o promotor, dois frequentadores do evento foram atingidos de raspão pelos tiros. “A atitude do réu demonstrou um total desprezo pela vida alheia e pela segurança dos presentes”, argumentou Abujamra.

Uma testemunha não participou da audiência realizada no último dia 26. Por isso, o MP-SP solicitou a condução coercitiva (que obriga a pessoa a comparecer em juízo, mesmo contra sua vontade, sob escolta policial) para a próxima audiência. O magistrado designou a continuação da instrução, debates e julgamento para o dia 28 de janeiro de 2025.

A tragédia no rodeio em Marília levantou debates sobre o uso de armas por agentes públicos em eventos de grande porte e a necessidade de maior controle interno, responsabilidade e treinamento da corporação para evitar casos de violência por policiais em momento de lazer.

Faça parte do nosso grupo de WhatsApp. Entre aqui!

Carlos Rodrigues

Recent Posts

Financiamentos imobiliários quadruplicam em cinco anos em Marília

Biênio 2022-2023 (Reprodução: Abrainc) O mercado imobiliário de Marília apresentou transformações profundas e ritmo acelerado…

2 horas ago

Moradores fazem abaixo-assinado e recorrem ao MP por obras na Yusaburo Sasazaki

Avenida Yasaburo Sasazaki é alvo de pedido de moradores (Foto: Divulgação) Moradores dos bairros Terra…

2 horas ago

Câmara de Marília retoma sessões e vota projeto do complexo da represa Cascata

Sessões ordinárias são retomadas na próxima semana (Foto: Câmara de Marília) A Câmara Municipal de…

2 horas ago

Hip hop transforma vidas e ocupa espaços esquecidos em Marília

Apresentação em Marília (Foto: Arquivo Pessoal) No asfalto quente da periferia, a palavra vira escudo,…

2 horas ago

Prouni disponibiliza total de 610 bolsas de estudo em faculdades de Marília

Unimar conta com quase metade das bolsas disponíveis para o Prouni em Marília (Foto: Divulgação)…

2 horas ago

Projeto Rejuvene Ser abre inscrições para pessoas acima de 50 anos em Marília

Objetivo promover bem-estar, socialização e acesso à cultura por meio de atividades artísticas e corporais…

3 horas ago

This website uses cookies.