Governo consegue adiar PEC do Banco Central defendida por Campos Neto

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu adiar a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) de autonomia financeira do Banco Central, defendida pelo presidente da instituição, Roberto Campos Neto.

A partir da PEC, o Banco Central passaria de autarquia especial para empresa pública de natureza especial, o que daria maior poder sobre o próprio orçamento, como ocorre no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A proposta estava na pauta desta quarta-feira (10) da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, mas a votação foi adiada diante da negociação aberta pelo Ministério da Fazenda e da incerteza -dos dois lados- sobre o placar.

Pouco antes da sessão, nesta quarta, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), se reuniu com o relator da PEC, Plínio Valério (PSDB-AM), e o autor, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

O relator reclamou de não ter sido procurado pelo governo antes e disse que Wagner apresentou uma série de modificações. Valério também afirmou que não tinha dúvidas de que o debate seria “protelado”.

“As ponderações, reivindicações, são muitas do governo. Algumas pertinentes. Outras nem tanto. Então, eu não posso pegar essas sugestões agora, horas antes da reunião, e acatar ou não acatar”, disse Plínio.

Wagner pediu o adiamento da discussão até o começo de agosto e negou que a intenção do governo seja procrastinar. O senador também afirmou que a reunião com o relator e o autor foi extremamente produtiva.

“Eu acredito que nós podemos evoluir. Acabei de conversar um pouco com o assessor do senador Vanderlan, que é do Banco Central, e eu não vou abrir mão da minha obsessão pela possibilidade de construirmos o maior consenso possível, nem sempre é 100%”, disse.

Na véspera, Vanderlan conversou com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan.

Haddad tem afirmado publicamente que o governo não é contra a autonomia financeira do BC, mas sim contra a transformação da autoridade monetária em empresa pública, como prevê a emenda constitucional.

Governistas afirmam reservadamente que Campos Neto tenta imprimir uma marca de sua gestão com a aprovação da PEC e defendem que a discussão seja feita junto ao futuro presidente do BC, a ser indicado por Lula.

Parecer feito pela liderança do governo no Senado afirma que a PEC gera “incerteza quanto ao regime jurídico” ao criar uma empresa pública com funções incompatíveis com a exploração de atividade econômica, como a emissão de moeda e a gestão de reservas internacionais.

Outro ponto de preocupação, segundo a nota técnica, é a fiscalização do mercado financeiro. Ao transformar o BC em empresa pública, o Congresso pode comprometer o poder da instituição de investigar irregularidades e aplicar multas.

***

POR THAÍSA OLVIERIA E NATHALIA GARCIA

Folhapress

Recent Posts

Senado rejeita indicação de Messias ao STF e impõe derrota histórica a Lula

Jorge Messias durante sabatina no Senado (Edilson Rodrigues/Agência Senado) O plenário do Senado rejeitou a…

7 horas ago

Câmara Municipal convoca audiência sobre fogos com estampido em Marília

Em Marília, o estouro de fogos com estampidos é proibido desde 2019 (Foto: Divulgação) A…

13 horas ago

Prefeitura abre licitação de R$ 106 mil para compra de lâmpadas e refletores

Edital prevê a aquisição de até 4.901 lâmpadas para espaços públicos municipais (Foto: Arquivo: MN)…

13 horas ago

Em sabatina, Messias defende autocontenção do STF em pautas polêmicas

O indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) Jorge Messias defendeu, em sabatina na Comissão de…

14 horas ago

Brasil reduz em 42% perdas florestais em 2025, aponta estudo

O Brasil perdeu 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em floresta tropical úmida em…

14 horas ago

Inscrições para vagas remanescentes do Fies terminam nesta quarta-feira

As inscrições gratuitas para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do primeiro…

14 horas ago

This website uses cookies.