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Comparar: um conselho

(Imagem: Divulgação)

Tais a escolas junto aos seus alunos em semana de provas, de tempos em tempos, algumas instituições avaliam e classificam as cidades por critérios próprios.

Algumas publicaram seus resultados recentemente, a exemplo do “Ranking Connected Smart Cities” (pela Consultoria Urban Systems) e do “Ranking de Competitividade dos Municípios de 2022”, pelo Centro de Liderança Pública (CLP).

Abreviemos com o último que considerou 65 indicadores nas áreas de economia, saúde, educação, segurança, funcionamento da máquina pública, saneamento e meio ambiente, posicionando Marília na 74ª posição dentre 415 municípios do país com população acima de 80 mil habitantes.

Aponta conquistas e desafios.

Imprensa local fecha a notícia assim: “…em relação ao ano passado, a cidade caiu quatro posições”.

Frase que me transportou ao centro da cidade, à rua Quatro de abril do século passado, em que passei a infância cercado de pés de mexericas, maracujás, limões e nêsperas, com cores e cheiros misturados aos da terra.

Generosa, uma goiabeira se destacava pelas frutas de carne vermelha. Destas, sempre havia uma maior, suculenta, objeto dos desejos do menino.

Mas, eventual e infelizmente, à primeira dentada cuspia-se: empanturrado de polpa, um verme branco, gordo e enrugado, sempre chegava antes.

Vermes, esses enxeridos não gostam de coisas ruins e feias: gostam das mais bonitas, da beleza que se destaca.

Sugadas por eles, as coitadas das goiabas apodrecem. Caem.

O ato de comparar pode ter efeito semelhante: uma aflição pela conquista alheia, um vermezinho a nos corroer que se aloja no coração da gente.

Demônio que engorda. E tem nome: inveja, forma de perceber o mundo com olhar a roer por dentro, pelo canto dos olhos, de esgueio (de IN, “em”, mais VEDERE, “ver”).

Olhar torto: invejar é não encarar francamente.

No caso dos rankings ou classificações dos municípios, é claro e cristalino que podemos ganhar: acendem faróis para boas análises e para melhores práticas, mostrando onde há experiências do “como fazer”. E fazer bem-feito.

Já “o que fazer” é escolher aspectos incomparáveis e nos limites individuais, tais nossas características e histórias.

Assim como nenhuma pessoa é igual a outra, inexistem aglomerados plenamente semelhantes; os equiparar só engorda os demônios da alma urbana.

Inútil é o que vem de fora e se crava no espírito, tal a larva na fruta.

O essencial vem de dentro: há solução e ela está em nós mesmos, similar a sementes.

Sementes só geminam em solo bom pra se plantar, solo saudável. Além disso, semear tem a ver com fertilizar, justamente a origem da palavra “felicidade”: uma pessoa feliz é aquela que está “fértil”, grávida de ideias e pronta para agir. Produzir. Gerar.

Também é assim com cidades, com estados e com nações.

Portanto, evitemos rotular se há melhores ou piores aprisionando nossas mentes à jaula das críticas rasas, menores: somos únicos.

Somos como somos, sempre lutando por dias e por mundos melhores.

Viver assim é caminhar com generosidade e pela razão: os assim governados fazem e desejam para si nada além do que também façam e desejem para os demais. Sejamos pessoas ou cidades.

Pense nisso.

Sucesso. Sempre.

Marcos Boldrin
Urbanista e arquiteto, é coronel da reserva e ex-gestor público estadual e municipal
@marcosboldrin
marcosboldrin@outlook.com

Marcos Boldrin

Marcos Boldrin é coronel da reserva, urbanista e arquiteto de formação, e ex-gestor público estadual e municipal

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