Brasil e Mundo

Brasil tem 723 barragens com risco e alto potencial de destruição

Pelo menos 723 barragens em todo o País são classificadas, simultaneamente, como apresentando algum tipo de risco e também com dano potencial associado alto. Isso significa que, além de apresentarem problemas estruturais que colocam sob suspeita sua integridade física, elas também estão muito próximas de comunidades, plantios e criações, por exemplo. Os números estão no Relatório de Segurança de Barragens de 2017, da Agência Nacional de Águas (ANA).

A estrutura de fiscalização das barragens brasileiras – um total de 24.092 – é insuficiente, como assinala o relatório. Naquele ano, apenas 3% delas foram vistoriadas por algum órgão fiscalizador. Mesmo assim, os órgãos fiscalizadores listaram 45 barragens em situação particularmente preocupante. A maioria tem problemas como baixo nível de conservação e falta de documentação da estabilidade das estruturas.

“O relatório espelha a situação atual das obras de engenharia no Brasil”, resume o engenheiro João Ferreira Netto, especialista em sistemas logísticos e professor da Escola Superior de Engenharia e Gestão. “Houve uma expansão muito grande dos sistemas no País, mas a manutenção desses sistemas foi deixada de lado, houve uma certa negligência.”

O relatório afirma que a fiscalização, além de pouca, é extremamente pulverizada. É feita por pelo menos 31 órgãos diferentes, em diversas esferas, municipal, estadual e federal. No caso específico das barragens de rejeitos de minério, a supervisão da fiscalização é de responsabilidade da Agência Nacional de Mineração (ANM). O órgão que conta com apenas 20 funcionários para esta função.

No caso específico de Brumadinho, que ruiu na sexta-feira, 25, matando pelo menos 99 pessoas, a ANM informou que a barragem não apresentava pendências documentais. Em termos de segurança operacional estava classificada na categoria de risco baixo e dano potencial associado alto.

“A gente precisa que as instituições, os órgãos estaduais, tenham um corpo técnico capaz de fazer fiscalizações, o que observamos hoje é um sucateamento dos órgãos responsáveis pela fiscalização”, afirma o geógrafo Marcelo Laterman, do Greenpeace, que está em Brumadinho.

Para o especialista, justamente por que a fiscalização é falha, as operações em todas as barragens operadas pela Vale deveriam ser imediatamente suspensas até que sua segurança fosse comprovada de forma independente.

“A Vale tem 167 barragens em cinco Estados diferentes. Será que todas elas são bombas ativadas que podem explodir a qualquer momento? É uma empresa reincidente”, afirmou. Ele se referia ao colapso da barragem do Fundão, em Mariana, em 2015, que deixou 19 mortos e pelo menos 300 famílias desabrigadas.

Para os especialistas, a auditoria feitas pelas próprias empresas é mecanismo válido, mas não poderia ser o único. “A ideia de a empresa ter mecanismos para fazer a própria checagem e reportar aos órgãos públicos contribui para a gestão da segurança do trabalho, é uma ferramenta a mais”, afirmou o professor Carlos Rogério Cerqueira Júnior, especialista em Ciências do Meio Ambiente da Escola Superior de Engenharia e Gestão.

Agência Estado

Recent Posts

Cultura anula edital da Aldir Blanc após parecer jurídico contrário

Anulação de chamamento público adia processo de seleção de projetos teatrais e de outras linguagens…

34 minutos ago

Ministério da Educação renova reconhecimento de cursos da Unimar e Univem

Curso de Medicina Veterinária da Unimar foi um dos tiveram reconhecimento renovado pelo MEC (Foto:…

53 minutos ago

Homem acusa a companheira de trocar fotos íntimas, arremessa copo e acaba preso

Um homem de 24 anos foi preso em flagrante na noite desta segunda-feira (2), acusado…

2 horas ago

Marília fecha 2025 com mais de 71,4 mil postos de trabalho formal

Marília fecha 2025 com saldo positivo na geração de empregos com carteira assinada (Foto: Reprodução)…

3 horas ago

Pedestres acionam a PM e salvam professora de agressões em via pública

A atitude de pessoas que estavam na avenida João Ramalho, na zona sul, e testemunharam…

3 horas ago

Câmara aprova R$ 18,5 milhões para obras na Cascata e Parque do Povo

Vereadores aprovaram todos os projetos na primeira sessão ordinária de 2026 (Foto: Rodrigo Viudes/Marília Notícia)…

4 horas ago

This website uses cookies.