Quatro pessoas – três delas com ligações em Marília e Vera Cruz – foram presas em flagrante pela Polícia Federal durante uma ação em Recife (PE), sob suspeita de lavagem de dinheiro. Entre os detidos estão ex-assessores parlamentares e um comerciante da região.
A abordagem ocorreu na sexta-feira (20), logo após o saque de R$ 2,733 milhões em espécie em uma agência bancária no Centro da capital pernambucana. De acordo com a Polícia Federal, um dos investigados realizou o saque e entregaria o valor a outros três envolvidos, que haviam chegado à cidade pouco antes em um jato particular.
O grupo foi conduzido à sede da PF, onde foi autuado em flagrante por lavagem de capitais. As investigações prosseguem para apurar a origem do dinheiro e possíveis outros ilícitos, segundo a instituição.
Entre os presos está Fernando José Palma Sampaio, morador de Vera Cruz e então assessor do deputado federal Vinicius Carvalho (PL). Também foi detido Tales Mariano Carvalho da Silva, ex-assessor da vereadora Vania Ramos (Republicanos), que havia deixado o cargo a pedido no início de março. Completam a lista Tiago Galve dos Santos, comerciante com vínculos com Marília, e o empresário Luiz Henrique de Albuquerque Bueno.
Em nota, a vereadora Vania Ramos afirmou que não tinha conhecimento prévio dos fatos e que foi surpreendida pelas informações sobre a prisão de seu ex-assessor parlamentar.
“Nunca houve qualquer indício ou situação que levantasse suspeitas enquanto ele esteve vinculado à equipe. Ainda assim, esclareço que ele não faz mais parte da nossa assessoria”, afirmou. A parlamentar reiterou seu “compromisso com a transparência” e disse estar à disposição das autoridades.
O deputado federal Vinicius Carvalho, por sua vez, repudiou qualquer tentativa de vincular seu nome ao caso. Segundo a assessoria, não há elementos que indiquem envolvimento do parlamentar, conforme manifestações no processo. O deputado informou ainda que determinou a exoneração imediata do assessor envolvido, como medida administrativa.
Já o advogado Jader Gaudêncio Filho, que representa três dos investigados, afirmou que a prisão realizada pela Polícia Federal se refere a uma “relação privada de negócios, sem conexão com atividade pública ou política.”
Segundo o assessor jurídico, a Justiça não converteu a prisão em flagrante para preventiva e determinou a liberação dos envolvidos por ausência de indícios suficientes para a manutenção da custódia. A defesa sustenta ainda que nenhum dos assessores estava na posse direta do dinheiro.
A reportagem não localizou a defesa de Luiz Henrique de Albuquerque Bueno. O espaço permanece aberto para manifestação.
* Reportagem foi escrita com coautoria do jornalista Ramon Barbosa Franco.
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