Marília

Veja o artigo do professor Fábio Manhoso sobre a medicina veterinária humanista

A medicina veterinária é capaz de integrar áreas entre a saúde animal, ambiental e humana, conceituando Saúde Única e caracterizando-se como uma das profissões mais abrangentes.

A crise da Covid-19 levantou muitas reflexões relacionadas à preparação humana para o mercado de trabalho chamando a atenção para pontos como os cuidados ambientais e a governança, contrastando com o antes; hoje a preparação de um bom capital humano é fator essencial ao desenvolvimento econômico de qualquer empresa e nação.

Neste contexto, a educação veterinária não foge à regra que reflete no perfil profissional exigido e que está inserido nas dimensões das novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Medicina Veterinária (Resolução CNE/CES nº 3/2019). Nisso, dois fatores de preocupação no país que envolve a profissão: o número desproporcional de faculdades de medicina veterinária que representam mais do que a metade existente no mundo, com mais de 450 e, consequentemente, o número crescente de profissionais, atualmente em 155 mil, e que pode alcançar em pouco tempo um número maior do que o mercado pode absorver.

A profissão de médico veterinário foi regulamentada pela Lei n° 5517/1968, onde consta suas áreas de atuação, entretanto para que a formação e a escolha da área sejam realizadas com segurança os cursos de graduação precisam oferecer ao estudante a possibilidade de transitar em diferentes especialidades e, nesse novo pensamento, buscarem ferramentas que levem seu egresso a ter uma visão humanista de atuação.

Dados internacionais apontam sobre o perfil desejado para o egresso com base em competências indicando a aplicação de conteúdos que foquem o raciocínio clínico e a tomada de decisão, fazendo o aluno refletir sobre as necessidades do animal, do cliente e os recursos disponíveis; o cuidado individual de animais e gestão, com ações preventivas e diagnósticas para saúde, bem-estar e tratamento de animais de acordo com o contexto da vida; a saúde de rebanhos, cuidado e gestão; a saúde pública com envolvimento animal, humano e ambiental fazendo uso da visão global e também das culturas locais; a comunicação, pois o profissional deve ser eficaz neste quesito; demonstrar capacidade de liderança diante das adversidades; identidade profissional demonstrando o comportamento esperado e, por último, gestão financeira.

No Brasil, as novas Diretrizes Curriculares deixam claro que o perfil do profissional deve ser generalista, humanista, crítico e reflexivo tendo este que possuir as habilidades de compreender e entender as necessidades dos indivíduos, grupos e comunidades, com relação às atividades do exercício profissional, no âmbito de seus campos específicos de atuação em saúde animal e clínica veterinária; saneamento ambiental e medicina veterinária preventiva, saúde pública e inspeção e tecnologia de produtos de origem animal; zootecnia, produção, reprodução animal e ecologia e proteção ao meio ambiente.

As Diretrizes orientam o desenvolvimento das competências ligadas à atenção a saúde com foco na visão como um todo, tomada de decisão sempre focando na eficácia do trabalho, comunicação para saber lidar com informações de forma abrangente, liderança ressaltando a equipe e o bem-estar da comunidade, administração e gerenciamento tendo como premissa a tomada de iniciativa individual e em grupo e, por fim, educação permanente para que eles sejam capazes de aprender continuamente ao longo da vida.

O profissional deve se inteirar sobre acontecimentos sociais, culturais e políticos da economia agropecuária e agroindustrial, aprimorar sua lógica de raciocínio, saber analisar dados e ter conhecimentos primordiais de Medicina Veterinária; elas trouxeram o foco de que para ser profissional é preciso saber fazer e saber ser, diferentemente de antes onde o indivíduo era qualificado quando seu diploma provava que este passou determinado tempo estudando em um curso, o que atualmente é insuficiente.

O ensino não pode ser informativo, mas sim de formação. Diante disso, é essencial que os cursos de Medicina Veterinária do país se esforcem na aplicação das novas Diretrizes com foco não somente técnico, mas acima de tudo, humanístico, fazendo do seu egresso um profissional comprometido com os ideais que visem uma sociedade melhor.

* Este artigo foi coproduzido pela médica veterinária Daniela Morelatti Rosa, aluna do Programa de Mestrado Profissional em Medicina Veterinária da Universidade de Marília.

* Fábio Fernando Ribeiro Manhoso é médico veterinário, orientador e docente do Programa de Mestrado Profissional em Medicina Veterinária da Universidade de Marília.  

 

Carolina Rolta

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