Marília

Sindimmar tem eleição dia 15 com duas chapas no páreo

Aumento da representatividade é a palavra de ordem das duas chapas que disputam o comando do Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos Municipais de Marília (Sindimmar), para uma gestão de três anos.

Dois grupos concorrem no processo eleitoral – que envolve cerca de 60 representantes e 2 mil sindicalizados. A votação acontece no próximo dia 15, com posse dos eleitos em 28 de outubro.

Vanilda Gonçalves de Lima, professora municipal e servidora há 22 anos, encabeça a chapa dois. O lema “O Sindicato pode mais” já sinaliza a divergência ao grupo que atualmente comanda o Sindimmar.

Com a educadora, estão lideranças que acreditam que a entidade deve se posicionar de forma mais combativa, nas discussões com o Poder Público. O grupo também promete uma atuação mais ampla, com crescimento do núcleo de diversidade, relações socais e humanas.

“O sindicato não pode ceder tanto, não pode se restringir à data-base e precisa fugir de ‘negociatas’, de acordos que não são bons para o servidor”, afirma.

Vanilda defende ainda que o Sindimmar “pense em longo prazo, reconstrua a representatividade” e amplie participação. “Tem que incluir a família, criar projetos para uma área de lazer, esportes, eventos sociais”, pontua.

A chapa dois abriga alguns dos dissidentes da atual diretoria – rompimento logo no início do mandato. Mas, segundo a candidata, não é isso que a caracteriza. “Chegamos a conversar sobre uma composição, mas não foi possível, porque já havia uma intenção de sucessão. Vamos usar a via democrática do voto”, declara.

Do outro lado, está a chapa que pretende dar continuidade à atual gestão, do presidente José Paulino. O grupo é encabeçado pelo atendente escolar Marcos Ferreira – servidor há 19 anos.

Curiosamente, o atual candidato foi derrotado por Paulino no segundo turno do pleito anterior. Parte do grupo de Ferreira, porém, faz parte da atual diretoria (por critério proporcional) e acabou dando sustentação ao atual presidente, quando alguns aliados desembarcaram do Sindimmar.

“Nosso lema é ‘Unidade e luta’ porque decidimos nos unir para fortalecer um trabalho de reconstrução do sindicato. A primeira meta é estar presente em todos os setores, ouvir as demandas, aproximar cada vez mais a entidade do servidor”, diz Ferreira.

O candidato afirma ainda que vai trabalhar pela valorização e para que “direitos não sejam retirados”. Segundo ele, na pandemia ficou ainda mais evidente a importância dos serviços públicos e “não é justo que o servidor seja ainda mais sacrificado”.

Ferreira promete encarar com firmeza as duas pautas mais urgentes que estão em debate: reforma da Previdência do município e Plano de Cargos e Salários.

“A reforma tem que ser debatida até o último item, esclarecida, explanada, temos que saber quais vão ser os impactos no trabalhador. Se vai ter reforma, tem que ser justa. Infelizmente, já começou errada em Brasília, com injustiças e penalizando os que ganham menos”, argumenta.

FIM DE MANDATO

Em um balanço da gestão, José Paulino explica que o grupo com o qual venceu as eleições – para o mandato que se encerra – herdou a entidade endividada.

“Eram cerca de R$ 2 milhões, metade disso com a Receita Federal, está parcelada. Estamos pagando e quem assumir vai ter que continuar pagando. Liquidamos ação trabalhista, pagamos fornecedores, sendo que a maioria era dívida com veículo de comunicação. O Sindimmar está em dia”, garante.

Ele mencionou ainda a compra de um imóvel para o sindicato sair do aluguel. Sobre as negociações, considerou que o sindicato fez o possível, apesar da pandemia. “Todo servidor público está com o salário congelado devido à Lei Federal 173/2020, até 31 de dezembro desse ano. Mas antes disso, tivemos importantes conquistas, buscando sempre o melhor para a categoria”, afirma.

A estimativa do presidente é que o congelamento vai gerar uma perda de pelo menos 15% nos salários (em três anos), o que vai demandar uma “briga boa” de seu sucessor ou sucessora.

Paulino derrotou grupo que dominava o sindicato havia pelo menos 15 anos. “Sou pela alternância de poder, por isso não sou candidato a presidente [neste pleito]. Temos certeza que será uma eleição democrática, que vai fortalecer o nosso sindicato”, diz.

ELEIÇÃO

A votação, no dia 15 de setembro, será das 06h às 18h, com 14 urnas. Onze delas serão volantes e haverá postos fixos para votação na garagem da Secretaria de Obras, na sede do sindicato e na Secretaria Municipal de Esportes.

A chapa 1 tem 34 membros e a oposição tem 32 listados. São, necessariamente, onze para a diretoria executiva e seis para o conselho fiscal. Os demais têm cadeira no conselho de representantes.

A expectativa é que o resultado seja anunciado no mesmo dia e a posse em 28 de outubro.

Carlos Rodrigues

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