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Qual é a sua trilha sonora inesquecível?

Não há dúvida que cada um de nós temos uma trilha sonora preferida. Lembro que quando era criança e passava na Globo a novela “Roque Santeiro”, inspirada numa peça de Dias Gomes e escrita por este fenomenal autor baiano e por Agnaldo Silva, as músicas que tocavam nas cenas eram marcantes.

A abertura tinha canção de Moraes Moreira e quando aparecia o lobisomem – sim, a novela levava para a tela o folclore da nossa gente – a voz apocalíptica de Zé Ramalho entoava os mistérios da meia-noite. Sá & Guarabyra, Elba Ramalho em “De volta ao meu aconchego” com Dominguinhos, e este mesmo sanfoneiro surpreendente numa música com Chico Buarque, “Isso aqui tá bom demais”, davam a atmosfera desta trama que fala muito do nosso Brasil.

Aliás, como já escreveram certa vez: os fatos históricos do mundo costumam se repetir, mas na primeira acontecem como tragédia e, na segunda, como farsa: Roque Santeiro, que de herói e milagreiro não tinha nada, vira e mexe surge no imaginário popular.

Em se tratando de novelas, sim, a trilha sonora de “Roque Santeiro” é inesquecível para mim. Agora, em se tratando de trilha sonora de filmes, aí a briga é muito boa mesmo. É boa porque rivalizam em meu gosto tanto músicas que marcaram filmes estrangeiros, produções de Hollywood, quanto canções bem brasileiras e até folclóricas, como é o caso das canções de “O cangaceiro”, filme da década de 1950 dirigido pelo jornalista e cineasta Lima Barreto (homônimo do escritor autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma”).

O filme tem uma abertura antológica: os cangaceiros em linha reta vão trotando em suas montarias entoando “Mulher rendeira”. Recordo que ainda na infância fui fisgado por uma trilha que até hoje me empolga: a do filme “Os Saltimbancos Trapalhões”, assinada por Chico Buarque.

Na época ainda não morava em Marília – passei toda a infância em Paraguaçu Paulista, distante 80 quilômetros – eu e meu irmão Rodrigo pedimos o disco do filme para nossos pais, que compraram numa loja em Marília. Até hoje este LP está no acervo dos meus pais. As músicas são formidáveis, particularmente gosto muito de “Rebichada”, que é interpretada pelo Chico Buarque.

Existem faixas musicais deste LP com falas do quarteto que fez a minha e a infância de milhões de brasileiros: “Os Trapalhões”. A Lucinha Lins e a Bebel Gilberto também cantam nesta trilha, que, para mim foi a primeira e está entre as inesquecíveis. Na adolescência, quando fui assistir ao filme “Pulp Fiction”, do Quentin Tarantino, no Cine Teatro Lucila Nascimento, em Paraguaçu Paulista, fiquei hipnotizado pelo som daquela história.

Todas as músicas que tocam neste longa-metragem são ótimas. A cena em que Bruce Willians (que vive um pugilista em final de carreira) aparece negociando a luta de boxe com o chefão Marsellus Wallace (interpretado por Ving Rhames), é a perfeita sincronização entre som e imagem.

Outra trilha formidável é também de um outro filme assinado por Tarantino: “Era uma vez em Hollywood”. Os filmes de Martin Scorsese sempre possuem um som muito bom e notei este fato desde “Os bons companheiros”, lançado no início dos anos de 1990. E para vocês, leitores, qual é a sua trilha sonora inesquecível, hein?

 

Ramon Franco

Ramon Barbosa Franco é escritor e jornalista, autor de diversos livros, entre eles ‘A próxima Colombina’

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