Jornalista Eduardo Meira está radicado em Portugal há quatro anos (Foto: Arquivo Pessoal)
O crescente número de casos de xenofobia envolvendo brasileiros em Portugal tem tomado as manchetes dos principais periódicos do país. Inúmeros são os relatos de preconceito no sudoeste europeu, onde a discriminação teria sido motivada – única e exclusivamente – em razão de a nacionalidade da vítima ser brasileira.
Para o jornalista Eduardo Meira, que morou em Marília e há quatro anos reside com a família em Portugal, o preconceito existe em qualquer país.
“Aqui, os brasileiros que respeitam a cultura deles [portugueses] são sempre bem-vindos, desde que não pensem que brasileiro pode e sabe mais do que eles [portugueses]. Muitos que vêm pra cá e não dão certo, geralmente, voltam para o Brasil falando mal de Portugal. Aqui nunca sofri qualquer tipo de preconceito e não conheço nenhum brasileiro que tenha passado por isso”, garante.
Meira explica, porém, que apesar de não ser a realidade das pessoas com quem convive, não é possível afirmar que casos do tipo não acontecem: “Não vou dizer que não existe (xenofobia), alguns portugueses se queixam que alguns brasileiros chegam achando que aqui é o Brasil, e Portugal tem suas próprias leis e regras”, retruca.
Segundo a Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial (CICDR), órgão ligado ao governo português, as denúncias de preconceito contra brasileiros cresceram 433% em cinco anos. Só em 2020, foram 96 queixas. Em 2017, tinham sido apenas 18.
Os brasileiros representam a maior comunidade imigrante em Portugal, com 29,2% de todos os estrangeiros em situação regular no país, de acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Em 2021, eram mais de 200 mil brasileiros morando em Portugal.
“Se a gente chega em uma casa que não é da gente, a gente tem que respeitar. Mas não se pode generalizar e dizer que todo brasileiro que vive aqui sofre preconceito. O português ouve muito mais músicas brasileiras do que de Portugal. Na escola do meu filho, algumas mães até se queixaram que as crianças estão pegando o sotaque do Brasil, por conta dos youtubers, porque aqui se assiste muito do Brasil”, conclui.
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