Ano passado, lembro que era um fim de semana, recebi uma ligação do meu amigo Cristiano Gonçalves, diretor do Jornal Cidade de Marília, me informando a partida do escritor, cronista e jornalista Sidnei Batista (1955-2022).
Tio dos meus amigos Romildo e Rodrigo Grota, conheci seu Sidnei justamente através do Jornal Cidade, onde era colaborador e assinava a coluna Espiritismo. Ele me presenteou, inclusive, com duas obras clássicas da doutrina decodificada por Allan Kardec (1804-1869): “Evolução em dois mundos”, de Waldo Vieira e Chico Xavier, e “O livro dos médiuns”, este escrito pelo próprio Kardec no ano de 1861. Guardo ambos com muito carinho e, vez ou outra, folheio e leio alguns trechos.
Em 2010 estávamos na redação e uma notícia chega, se não me engano, da pequena televisão que havia ali na repartição: a médica Zilda Arns, irmã do arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016), era uma das vítimas fatais do terremoto que acabara de assolar o Haiti.
Domingo passado, antes de dormir, folheando a edição semanal do Jornal Cidade, me deparo com a coluna Espiritismo, de Sidnei Batista, mantida pelo veículo com textos inéditos deixados pelo colaborador.
O artigo aborda a trajetória do jesuíta José de Anchieta (1534-1597), chamado de “O apóstolo do Brasil”. Em Marília, talvez muitos não saibam, mas por aqui viveu alguém que também mereceu ser chamado de apóstolo: José Herculano Pires, que nasceu em Avaré no ano de 1914 e desencarnou em São Paulo, em 1979.
J. Herculano Pires, como assinava seus textos, exerceu o Jornalismo em Marília e a Literatura. Viveu aqui na década de 1940 e duas filhas nasceram na Cidade Símbolo de Amor e Liberdade.
Pires é chamado de “O apóstolo de Kardec”, por ter sido o maior intelectual espírita de seu tempo, tendo traduzido para o português as obras-bases da doutrina espírita. Foi amigo do escritor e alfaiate Osório Alves de Castro, que em 1962 conquistou o Jabuti com o livro ‘Porto Calendário’.
Dona Zilda Arns é uma serva de Deus, título da Igreja Católica que abre todo o processo para a canonização de alguém. Até hoje, conforme dados do Vaticano, 37 pessoas que nasceram no Brasil ou aqui tiveram boa parte de sua trajetória de vida, incluindo os milagres, foram reconhecidas santas, ou seja, canonizadas pela Igreja.
São José de Anchieta é um deles. Mas existem outros 36, entre eles a Santa Irmã Dulce dos Pobres, da Bahia, e São Frei Galvão, do Interior de São Paulo. O Estado com maior número de santos católicos é o Rio Grande do Norte, onde 30 pessoas foram martirizadas por serem cristãos.
Os mártires de Cunhaú e Uruaçu eram liderados pelo padre, hoje santo, André de Soveral. Um título antes de santo é o de beato, e entre os beatos brasileiros quero destacar o emblemático Frei Damião, o missionário italiano que cruzou o sertão nordestino e até inspirou música de Luiz Gonzaga.
Frei Damião me inspirou a compor uma personagem de “Canavial, os vivos e os mortos”: São Francisco do Mato. Servos, beatos, santos e apóstolos: modelos para que possamos nos inspirar e superar turbulências, sofrimentos e, principalmente, medos.
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Ramon Barbosa Franco é escritor e jornalista, autor dos livros ‘Canavial, os vivos e os mortos’ (La Musetta Editoriais), ‘A próxima Colombina’ (Carlini & Caniato), ‘Contos do japim’ (Carlini & Caniato), ‘Vargas, um legado político’ (Carlini & Caniato), ‘Laurinda Frade, receitas da vida’ (Poiesis Editora) e das HQs ‘Radius’ (LM Comics), ‘Os canônicos’ (LM Comics) e ‘Onde nasce a Luz’ (Unimar – Universidade de Marília), ramonimprensa@gmail.com.
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