Cálculo utilizado pelo Estado para pontuar regiões (Imagem: Divulgação)
A Prefeitura de Marília deve anunciar nesta terça-feira (16) a nova classificação da cidade no Plano São Paulo. E isso não significa necessariamente que o município terá uma reabertura mais ampla.
Na verdade, Marília pode até mesmo continuar na ‘fase 2’, em que está no momento – ou, inclusive, retroagir.
Decisão do desembargador Jacob Valente na semana passada deu autonomia para a cidade efetuar sua própria classificação nas fases estipuladas pelo Estado, que flexibilizam as restrições ao comércio e serviços não essenciais devido à pandemia.
O magistrado autorizou Marília a flexibilizar as restrições locais, mas de acordo com os parâmetros previstos no Plano São Paulo.
Jacob Valente coloca ainda a “possibilidade de recategorização [de Marília] em comparação ao município de São Paulo, que passou a ser a referência estadual”.
“Ou seja”, escreveu o desembargador, “se obtiver índices próprios significativamente melhores que a Capital no mesmo período de apuração, fica em faixa menos restritiva e, se forem piores, mais restritiva”.
Com isso o prefeito Daniel Alonso (PSDB) espera até o final da tarde desta segunda-feira (15) um parecer da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Marília, que irá apontar qual fase do Plano o município se enquadra no momento, segundo os índices locais.
Alessandra Arrigoni, ao microfone, chefe da Vigilância Epidemiológica (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)
Metodologia
A chefe do departamento, Alessandra Arrigoni, explicou ao Marília Notícia que vai utilizar a metodologia prevista pelo Estado para a classificação. A diferença, é que o Estado considera dados regionais para as classificações e a Prefeitura deve utilizar informações municipais em quase todos os casos.
A fórmula envolve dois grupos de informações, o primeiro denominado “Capacidade do Sistema de Saúde” e o segundo chamado de “Evolução da epidemia”.
No primeiro grupo de dados são avaliadas a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTIs) reservados para pacientes da Covid-19 e a quantidade de leitos de UTI para cada 100 mil habitantes.
No caso da Capacidade do Sistema de Saúde, como Marília é um polo regional, que recebe pacientes de fora, a Prefeitura deve levar em consideração os dados dos municípios próximos também – ou seja, regionais.
A avaliação é de que, apesar da ocupação local ter aumentado, a regional registrou um certo alívio nos últimos dias e também foram disponibilizados mais respiradores para a região – o que implica na abertura de novos leitos – segundo Alessandra.
Indicadores estaduais verificados nas últimas semanas (Imagem: Divulgação)
Já no segundo grupo de dados levado em conta para a classificação do Plano São Paulo – Evolução da epidemia -, são consideradas as variações entre uma semana e outra na quantidade de casos confirmados, no volume de internações e no total de óbitos.
Um dos fatores que mais preocupa a equipe da administração municipal é o aumento de óbitos por Covid-19 registrado em Marília na última semana, segundo Alessandra.
Ela também detalha que cada um desses fatores recebe um “score” – ou seja uma pontuação. No entanto, não é feita uma média em relação à nota total.
Segundo Alessandra, a cidade é classificada no Plano São Paulo conforme a pior pontuação recebida em todos os fatores levados em consideração.
E, de acordo com ela, o aumento na quantidade de mortes é justamente o que mais pode atrapalhar os planos de uma reabertura mais flexível.
Detalhamento das notas das regiões na última avaliação estadual (Imagem: Divulgação)
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