Marília

Moradores de bairro rural se dizem abandonados pelo poder público

Posto de saúde está sem telefone há meses, além de outros problemas evidentes de infraestrutura  (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

“Esqueceram que nós existimos, mas nós estamos aqui. Sobrevivendo, mas esquecidos pelo poder público”, afirma o motorista Isaías Batista de Oliveira, 57 anos, morador da Fazenda do Estado, bairro rural de Marília formado por mais de 100 lotes e um vilarejo.

A reportagem do Marília Notícia esteve no local nesta sexta-feira (23) e conversou com a população. As principais demandas envolvem saúde e educação de qualidade, asfalto e iluminação.

Diversos pedidos por melhorias e requerimentos de vereadores já foram apresentados ao Executivo municipal com pedidos de investimento. Até agora, no entanto, nada foi feito.

A situação do posto de saúde é bastante simbólica sobre a precariedade dos dispositivos públicos existentes naquela região da zona rural do município. O telefone está quebrado há meses, o que dificulta o agendamento de consultas.

No local em que atendem médico e dentista três vezes por semana não faltam rachaduras por fora e por dentro. Até mofo pode ser encontrado nos espaços de atendimento aos moradores da Fazenda do Estado e bairros como Centro Mesquita e Granja Shintaku.

Rachaduras e até mofo em posto de saúde na Fazenda do Estado (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

A dona de casa Natália da Silva, 26 anos, mora nas proximidades e afirma que os funcionários são bons, mas a infraestrutura é precária. “Fica muito difícil trazer as crianças para passar no médico sem telefone para agendar”, reclama.

Outro desafio é enfrentar a estrada de terra que dá acesso até o posto de saúde e a escola em que seus filhos estudam. “Precisava dar manutenção, pois quando chove fica muito ruim a estrada. O ideal mesmo seria asfaltar pelo menos esse trecho”, diz a mulher.

Os diversos problemas sobre educação, que envolvem a escola que atende alunos do 1º ao 5º ano, já foram denunciados pelo MN em abril deste ano. Na ocasião, Estado e município se esquivaram da responsabilidade.

Os alunos mais velhos, que cursam o ensino médio no período noturno, precisam vir até a cidade.

Na hora de voltar, porém, o caminho é ermo e no trecho de aproximadamente 500 metros entre a BR-153 e o vilarejo onde se concentram parte das moradias, há pouca luz artificial.

O lavrador Pedro da Silva, 60 anos, pede que sejam tomadas providencias. “Nós também somos marilienses. Alguém precisa olhar para nós”, afirma o homem do campo.

Lavrador Pedro da Silva, 60 anos: “Alguém precisa olhar para nós” (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

O motorista Isaias Batista de Oliveira, 57 anos: “Esqueceram que existimos” (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Trecho de terra dificulta acesso até serviços públicos (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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