Polêmica sobre asfalto pode travar licitação em Marília (Foto: Arquivo/MN)
Uma licitação no valor máximo de R$ 13,2 milhões para recapeamento do asfalto em Marília, com recursos estaduais, gerou mais uma vez embate entre o governo do prefeito Daniel Alonso (PL) e o presidente da Câmara Municipal, Eduardo Nascimento (Republicanos).
A concorrência pública 5/2024 foi realizada no dia 16 de abril, para contratação de recapeamento asfáltico de diversas ruas na cidade.
Seis empresas estiveram envolvidas no processo, e durante o leilão presencial, a construtora Oliveira Corrêa se destacou ao oferecer a menor proposta, no valor de R$ 12,3 milhões. Em segundo lugar, a KLM Construção de Rodovias apresentou uma oferta próxima, totalizando R$ 12,4 milhões.
No entanto, dias depois do pregão, a empresa que ofereceu o menor preço foi desqualificada no processo, enquanto a segunda colocada, que apresentou uma proposta mais alta, está aguardando a análise de seus documentos para determinar se será declarada a vencedora da disputa.
Segundo a Prefeitura, durante a análise da documentação da Oliveira Corrêa, foi verificado que a empresa não estaria cumprindo todas as exigências do edital.
O caso ganhou repercussão na sessão camarária da última segunda-feira (6), após requerimento apresentado por Eduardo Nascimento, questionando a administração municipal sobre o processo. Ele afirmou existir suspeita na lisura do processo, uma vez que a KLM é um braço da Kapa, uma das empresas que patrocinou recentemente o Marília Atlético Clube (MAC), presidido pelo prefeito de Marília.
Nascimento afirmou na tribuna da Câmara que houve exigência desnecessária no edital da utilização do Reclaimed Asfalt Paviment (RAP) e pediu explicações sobre a escolha. Para o vereador, o asfalto convencional em tese teria características técnicas superiores ao RAP.
O Reclaimed Asphalt Pavement (RAP), também conhecido como asfalto reciclado, é um material composto por asfalto retirado de pavimentos existentes e reutilizado em novas misturas asfálticas. Quando estradas antigas são recapeadas ou reconstruídas, o asfalto removido é moído e processado para criar o RAP.
Esse processo de reciclagem ajuda a conservar recursos naturais, reduzir custos e diminuir o desperdício associado à construção e manutenção de estradas. Além disso, o uso de RAP pode melhorar as propriedades mecânicas das novas misturas asfálticas, contribuindo para estradas mais duráveis e sustentáveis.
Mas vale ressaltar que o desempenho do RAP pode variar dependendo da qualidade e da porcentagem de material reciclado utilizado. Em alguns casos, o RAP pode não ser tão durável quanto o asfalto convencional, especialmente se não for processado adequadamente. No entanto, com as técnicas de processamento corretas, o RAP pode atender ou até mesmo superar o desempenho do asfalto convencional.
Ainda em sua fala na tribuna, Nascimento alegou sequer conhecer a empresa que havia vencido a licitação com o menor preço, no entanto, o Marília Notícia apurou que o presidente da Câmara foi visto nesta terça-feira (7), um dia após a cobrança, almoçando em uma churrascaria, no Centro de Marília, com um suposto lobista da Oliveira Corrêa. O homem com quem Nascimento estava reunido seria dono de uma outra empresa e teria, supostamente, negócios com a construtora que foi desabilitada no processo.
Ouvidos sob condição de anonimato, integrantes do governo municipal classificaram a posição de Nascimento como ‘absurda’. “Mais uma vez tentando inventar coisa onde não tem. A empresa que venceu e foi desclassificada depois não tinha as habilitações necessárias, vamos fazer o que?”, disse uma fonte ao jornal.
A KLM divulgou nota comentando a situação e afirmou ser “reconhecida por seu histórico de prestação de serviços com excelência e qualidade”. Conforme o comunicado, em 2023, “foi honrosamente classificada como a 5ª melhor empresa no Ranking de Engenharia do Estado de São Paulo”.
“A aguardada licitação encontra-se pendente de resultado, porém temos plena convicção de que atendemos a todos os requisitos exigidos. Estamos no aguardo da abertura dos documentos para, com diligência, prosseguirmos com nossas atividades no município de Marília”, finaliza.
O Marília Notícia entrou em contato com a construtora Oliveira Corrêa, mas até o fechamento desta edição não havia obtido nenhum retorno sobre o seu posicionamento.
O MN ainda procurou o presidente da Câmara de Marília, Eduardo Nascimento, para ouvir seu lado sobre sua suposta relação com a empresa que foi inabilitada, mas não teve retorno.
A reportagem não conseguiu o contato do homem que almoçava com Nascimento. O espaço está aberto para manifestações.
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