Alecsander Zanata Ferraz foi morto após tentar roubar empresário no Centro de Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)
A Justiça de Marília condenou, nesta terça-feira (12), dois homens envolvidos na tentativa de latrocínio contra um empresário de 81 anos, em um crime violento ocorrido próximo a um posto de combustíveis na rua Goiás, no centro da cidade. Sentença foi proferida pela juíza Josiane Patricia Cabrini Machado, da 1ª Vara Criminal.
Os réus Flávio Augusto Ricardo Martins e Richard Rafael Silva Mineiro receberam penas que, somadas, ultrapassam 27 anos de prisão em regime fechado.
O caso ganhou grande repercussão na cidade em razão da violência empregada na ação criminosa e da morte de um dos assaltantes durante o confronto. O crime foi gravado por câmera de segurança (vídeo no final do texto).
Tiros e morte no centro
O assalto aconteceu em março de 2025. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o empresário havia estacionado seu veículo nas proximidades de um posto de combustíveis e uma igreja, quando foi surpreendido por Alecsander Zanata Ferraz.
Armado com um martelo, o criminoso quebrou o vidro traseiro do carro para roubar uma maleta contendo R$ 72 mil em dinheiro. Ao perceber a ação, o empresário iniciou perseguição ao assaltante com auxílio do dono do posto.
Durante a fuga, Alecsander correu em direção a uma motocicleta pilotada por Richard Rafael Silva Mineiro, responsável por dar cobertura e garantir a evasão da dupla. Conforme a investigação, ao notar que estava sendo alcançado, Alecsander sacou um revólver calibre .32 e efetuou disparos contra as vítimas.
Um dos tiros provocou estilhaços que atingiram o braço do dono do posto. O empresário não foi baleado.
PM à paisana reage
A tentativa de fuga terminou após a intervenção de um policial militar à paisana que passava pelo local no momento do crime. O PM testemunhou o roubo e os disparos efetuados pelo criminoso.
Diante da situação, o policial reagiu e atirou contra Alecsander Zanata Ferraz, que morreu ainda no local. Richard abandonou a motocicleta – posteriormente identificada como furtada – e conseguiu fugir a pé.
A maleta com os R$ 72 mil foi recuperada logo após o confronto.
Proximidade e traição
As investigações conduzidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) revelaram que o crime havia sido cuidadosamente planejado. De acordo com a Polícia Civil, Flávio Martins foi identificado como o mentor intelectual da ação.
Motorista de aplicativo, ele teria se aproximado do círculo social do empresário meses antes do crime. A apuração aponta que ele frequentava os mesmos ambientes da vítima para monitorar sua rotina e descobrir o hábito de transportar grandes quantias em dinheiro.
A ligação entre os envolvidos ficou ainda mais evidente dois dias após o assalto, quando Flávio, Richard e uma terceira pessoa foram abordados pela Polícia Militar Rodoviária em um veículo que seguia para Bauru. A polícia suspeitou de tentativa de evasão após o crime.
Conexões descobertas
A sentença destaca que interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça tiveram papel fundamental para esclarecer a participação de cada acusado.
Em um dos diálogos obtidos pela investigação, o padrasto de Richard, confronta Flávio e afirma que ele teria “armado toda a prática do crime” e fornecido a arma utilizada no assalto.
Outras conversas interceptadas mostraram Flávio preocupado com a apreensão do revólver deixado no local após a morte de Alecsander, além de demonstrar temor em relação a possíveis represálias de terceiros envolvidos.
Para a magistrada, os áudios reforçaram a tese de que o crime foi planejado previamente e executado de forma organizada.
Na sentença, a juíza afastou os argumentos apresentados pelas defesas, que alegavam negativa de autoria e ausência de intenção homicida.
Segundo a magistrada, ficou comprovado que os disparos efetuados durante a fuga tinham o objetivo de “assegurar a subtração do dinheiro e garantir a evasão dos criminosos”, configurando dolo homicida característico do crime de latrocínio tentado.
Ela também destacou a extrema gravidade da conduta e o risco concreto imposto às vítimas e às pessoas que estavam no local.
Penas pesadas
Flávio Augusto foi condenado a 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão. A pena foi agravada pelos maus antecedentes e pelo reconhecimento de que ele atuou como mentor e organizador da ação criminosa. Também pesou contra ele o fato de o crime ter sido cometido contra uma vítima idosa.
Já Richard Rafael Silva Mineiro recebeu pena de 11 anos e 8 meses de reclusão. No entendimento da Justiça, ele teve participação direta na execução do plano ao conduzir a motocicleta utilizada na fuga.
Ambos deverão cumprir pena inicialmente em regime fechado. Eles tiveram negada possibilidade de recorrer em liberdade, embora ainda possam apresentar recurso.
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