Marília e região

IBGE expõe dificuldades de regiões carentes de Marília

Barraco no Parque das Vivendas, zona oeste de Marília (Foto: Divulgação)

A pesquisa urbanística do entorno dos domicílios, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Demográfico de 2022, trouxe um retrato que exige atenção: em diversos bairros e comunidades vulneráveis de Marília, faltam condições básicas de acessibilidade, mobilidade e infraestrutura.

Rampas, pontos de ônibus e até bueiros — elementos indispensáveis para uma vida urbana digna — aparecem ausentes em grande parte dos setores analisados.

O levantamento contemplou áreas como Vila Barros, Parque das Vivendas, Tofolli, Jardim Santa Paula, Argolo Ferrão, Jardim Eldorado (Bronks), Parque das Nações, Santa Antonieta II, Jardim Virgínia (Bugrinho), Homero Zaninoto, Alcides Matiuzzi, Trilho da Fepasa e Parque das Azaleias.

Conjunto de dados revela diferenças profundas entre regiões (Foto: Arquivo)

O conjunto de dados revela diferenças profundas entre essas regiões e outras partes da cidade, especialmente em questões que afetam diretamente o cotidiano de quem depende do espaço público para se deslocar ou simplesmente circular com segurança.

Entre as constatações mais marcantes está a ausência de rampas para cadeirantes e a falta de pontos de ônibus. Em muitos locais, a própria drenagem é inexistente, o que agrava problemas que vão de alagamentos à insalubridade. O diagnóstico evidencia desafios antigos enfrentados por moradores de periferias e comunidades classificadas como favelas ou assentamentos urbanos.

A situação da mobilidade se mostra ainda mais frágil quando se observa a infraestrutura cicloviária: nos 58 setores analisados, não foi encontrada nenhuma via sinalizada para bicicletas. A ausência de pontos de embarque também chama atenção. Dos 58 setores, 54 não tinham ponto de ônibus ou van.

Último processo de desfavelamento em Marília aconteceu entre 2014 e 2015 (Foto: Prefeitura de Marília)

O saneamento básico também revelou falhas importantes, especialmente na drenagem urbana. Entre os setores estudados, 29 possuem bueiros ou bocas de lobo, enquanto outros 29 simplesmente não têm nenhuma estrutura desse tipo, dividindo a cidade ao meio em um aspecto fundamental da prevenção de enchentes.

Os dados sobre calçadas e acessibilidade reforçam o quadro de vulnerabilidade. Nos 38 setores onde foi registrada a existência de calçadas ou passeios, nenhum apresentava rampa para cadeirantes. Em todos, havia obstáculos que dificultavam a circulação de pessoas com mobilidade reduzida, sejam idosos, pessoas com deficiência ou pais com carrinhos de bebê — todos igualmente impactados pela falta de infraestrutura adequada.

Em meio a tantas carências, dois aspectos aparecem com índices mais altos: iluminação pública e arborização. Dos 58 setores, 54 possuem iluminação e 53 contam com árvores registradas — elementos que, embora positivos, não compensam as lacunas estruturais que ainda afetam diretamente a qualidade de vida das famílias desses bairros.

Alcyr Netto

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