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HC oferece mais qualidade de vida para surdos com implante bilateral

Parte do implante coclear que vai dentro da cabeça; médico mostra com o indicador ponta com eletrodos que levam estímulo ao nervo (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

O Hospital das Clínicas de Marília acaba de ser habilitado para oferecer um importante avanço na qualidade de vida de pessoas com deficiência auditiva. Será possibilitada uma vida praticamente normal para boa parte desse grupo.

O HC agora é um dos quatro pontos no Estado em que é feito o implante coclear bilateral. Trata-se da instalação de aparelho de audição nos dois ouvidos internos.

O equipamento tem duas partes, uma delas colocada na parte de dentro do crânio, atrás na orelha, por meio de cirurgia em que a alta médica costuma ser dada no mesmo dia.

Eletrodos instalados próximo ao nervo fazem o som transformado em corrente elétrica chegar ao cérebro. As ondas sonoras são captadas por uma peça externa que se comunica com o implante por meio de uma antena.

Desde 2011 já era realizado o implante unilateral e até agora cerca de 80 pacientes foram beneficiados. No HC podem ser feitas duas intervenções por semana e agora também é possível realizar manutenção nos implantes.

Outra novidade é a habilitação para instalação de próteses ancoradas no osso, um outro tipo de aparelho que funciona por meio da vibração óssea.

Prótese ancorada no osso (direita, de cor preta) e duas partes do implante coclear (esquerda) – (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Segundo o médico otorrinolaringologista, Alfredo Rafael Dell’Aringa, os implantes cocleares são recomendados para crianças que já nasceram surdas ou para pessoas que perderam a audição de forma súbita, seja pelo uso de remédios, lesão na cabeça ou doenças como meningite.

“Já a prótese ancorada no osso é indicada para quem teve muitas infecções no ouvido, inclusive pelo uso de aparelho auditivo, e não consegue utilizar o implante coclear”, detalha o médico.

No caso dos implantes cocleares, Dell’Aringa explica que crianças surdas que passam pelo procedimento aos dois anos aprendem a falar praticamente normalmente. “Claro que é preciso um apoio familiar e muita fonoaudiologia”.

Com o aparelho o som não passa, na forma de onda, pela orelha, membrana timpânica e ossos internos até chegar no nervo. Cria-se uma espécie de atalho. “O implante leva o som direto ao nervo, na forma de estímulo elétrico”, conta.

A vantagem do implante bilateral que acaba de ser autorizado, de acordo com o otorrino, é permitir que esse processo ocorra em ambos os ouvidos.

“Quem tem apenas um implante pode ter dificuldades para conversar em uma roda, com mais de uma pessoa, ou em locais com muita gente, como a praça de alimentação de um shopping. Com o implante bilateral esse problema acaba”, diz Dell’Aringa.

(Divulgação/HC-Famema)

Habilitação

A portaria que habilitou o HC a realizar os novos procedimentos considerados promissores pelos especialistas da área, foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União no dia 31 de dezembro.

Dell’Aringa revela ter procurado articuladores com o Ministério da Saúde desde 2015 para que a autorização fosse dada. “O deputado Beto Mansur (MDB) foi fundamental para essa conquista”, garante o médico.

Para que que a habilitação fosse concluída Dell’Aringa e outros membros da equipe responsável pelos implantes no HC – outro otorrino e duas fonoaudiólogas – precisaram passar por uma rígida especialização.

“O médico precisa encarar 80 horas de aula teórica, ter feito mais de 30 cirurgias e fazer um teste com 100 questões. É preciso muito mais experiência e cuidado para fazer o implante dos dois lados, ainda que fazemos um de cada vez, com intervalo de um ano”, detalha.

A superintendente do HC, Paloma Aparecida Libanio Nunes, também comemora a conquista que considera “um ganho enorme para a qualidade do atendimento dos pacientes que necessitam dos referidos tratamentos”.

“Com a alteração, também fomos autorizados a realizar procedimentos de manutenção nos implantes cocleares, como consertos e substituições”, reforça.

Médico otorrinolaringologista, Alfredo Della’Ringa, responsável pelos implantes no HC (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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