Marília

Ex-funcionários da GF relatam dificuldades após fim do contrato

Trabalhadores recorrem à ato em frente à Prefeitura (Foto: Ramon Barbosa Franco/Marília Notícia)

“Não sei como vou pagar uma conta de energia que já ultrapassa R$ 400.” O relato é de Raquel Dias, ex-funcionária da empresa terceirizada GF Prestação de Serviços, que afirma enfrentar dificuldades financeiras após o encerramento do contrato da empresa com a Prefeitura de Marília, em dezembro de 2025.

Assim como ela, outros ex-funcionários denunciam atraso no pagamento das verbas rescisórias por parte da empresa e dizem acumular dívidas básicas, como aluguel, energia elétrica e alimentação. Pelo segundo dia consecutivo, estão reunidos em frente à Prefeitura.

O grupo reivindica o recebimento de salários atrasados, 13º salário, férias proporcionais e outros valores devidos com o fim do vínculo contratual.

Ex-funcionárias Nágila e Raquel relatam dificuldades financeiras (Foto: Ramon Barbosa Franco/Marília Notícia)

A GF prestava serviços de limpeza e apoio em escolas da rede municipal e, segundo os trabalhadores, a empresa deixou de cumprir obrigações trabalhistas após o encerramento do contrato.

A ex-funcionária Nágila Aparecida de Oliveira afirmou que os problemas financeiros começaram ainda em agosto de 2025, antes da rescisão definitiva. “Estamos sem qualquer remuneração desde o final do ano passado. Os atrasos salariais da GF começaram a aparecer em agosto, mas a situação se agravou em outubro”, disse.

Outra ex-funcionária, Fernanda Maria Barteli, que atuava como auxiliar de serviços gerais na escola municipal Paulo Freire, relatou risco de despejo. “Trabalhei muito, não recebi o adicional de insalubridade e hoje estou com três aluguéis vencidos e ordem de despejo”, afirmou. Segundo ela, o pagamento das verbas rescisórias é essencial para garantir o sustento do filho.

De acordo com a defesa dos trabalhadores, a GF deixou Marília em 19 de dezembro de 2025 sem quitar as rescisões contratuais. Os advogados informaram que obtiveram uma liminar para bloquear cerca de R$ 1,9 milhão que o município deveria repassar à empresa, com o objetivo de garantir o pagamento dos direitos trabalhistas. Ainda segundo a defesa, o bloqueio não foi efetivado porque a Prefeitura teria informado que não dispõe mais do valor, apesar de existirem áudios e documentos que indicariam a existência do montante.

Em nota, a Prefeitura de Marília informou que a relação trabalhista é exclusivamente entre a empresa GF e seus funcionários. O Executivo afirmou que o contrato teve início em 2023, durante a gestão anterior, e que o município garantiu o pagamento dos salários e do 13º salário de 2025. Segundo a administração municipal, foi retido o valor de R$ 1,29 milhão para o pagamento das rescisões de 372 trabalhadores, mas cerca de 30 ex-funcionários não concordaram com os cálculos apresentados pela terceirizada.

De acordo com trabalhadores ouvidos pela reportagem, há divergência nos valores das rescisões. Enquanto a empresa calcula um pagamento médio de R$4 mil por trabalhador, parte dos ex-funcionários estima valores entre R$12 mil e R$14 mil.

Ainda em nota, a Administração informou que o empregador é a GF, não cabendo ao Município apurar os valores devidos. “Eventuais créditos de diferença serão depositados em juízo para que o Juiz julgue as diferenças e determine os valores e a quem deverão ser pagos, não cabendo ao Município decidir se as verbas trabalhistas estão corretas ou não.”

A reportagem do Marília Notícia tentou contato com a GF Prestação de Serviços, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação da empresa.

Ramon Barbosa Franco

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